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Essa
é uma lista bem humorada de perguntas a se fazer ao seu obstetra.
Na verdade é um teste para verificar que tipo de médico ele
é: do mais intervencionista ao mais liberal. Apesar do tom
informal, as "respostas certas" foram inspiradas
nas evidências
científicas e nas recomendações da
Organização
Mundial da Saúde.
1)
Qual a sua postura em relação à "cesárea
x parto normal"?
a) O parto normal é o melhor, mas só dá
para saber na hora.
b) Hoje em dia não faz sentido ter bebê por parto
normal, com as técnicas de cirurgia tão avançadas
e seguras. A recuperação é rápida
e graças aos novos antibióticos, antinflamatórios,
antitérmicos e analgésicos, você pode
ter uma vida quase normal em menos de 2 meses.
c) O parto normal é melhor, mas na sua idade (ou com
o seu peso, ou nessa época do ano, ou para uma pessoa
sensível como você) a cesárea é
mais garantida.
d) O parto normal é melhor e pelo menos 90% das mulheres
podem dar à luz naturalmente. Você também
tem tudo para ter um parto normal e nós vamos nos preparar
para isso!
2) Quais intervenções no parto você considera
essenciais?
a) O que eu uso nos partos é o soro com ocitocina (hormônio)
para acelerar as contrações, episiotomia (corte
no períneo) e rompimento da bolsa aos 5 cm de dilatação.
Mas às vezes tenho outras idéias durante o parto.
Depende do dia e dos meus compromissos.
b) Eu uso as intervenções apenas em raros casos,
até porque a maioria delas podem ter efeitos colaterais
indesejáveis. A natureza pensou em tudo, para a grande
maioria das mulheres.
c) Só a anestesia, porque acho que a mulher não
deve sentir dor. O resto varia de mulher para mulher.
d) Só a episiotomia, porque o parto pode destruir a
vagina da mulher e provocar incontinência urinária.
3) Em que posição posso dar à luz?
Posso ter um parto de cócoras?
a) Ra ra ra ra.... Parto de cócoras? Você não
é índia, é? A mulher de hoje não
tem musculatura para ficar de cócoras. Você quer
ser partida ao meio, minha filha?
b) Semi-reclinada, pois no centro obstétrico da maternidade
onde atendo, tem uma mesa de parto que permite que a paciente
eleve um pouco as costas.
c) Da forma que você se sentir mais confortável,
podendo ser de cócoras, de quatro, de lado ou de outro
jeito que você inventar. A única posição
que eu procuro não incentivar é deitada, porque
o bebê pode ter o suprimento de oxigênio comprometido.
d) Como assim? Existe outra posição para dar
à luz que não seja deitada?
4) Qual será sua postura caso eu recuse alguns procedimentos
que você esteja recomendando?
a) O parto é seu. Você decide o que é
melhor. Se eu indicar um procedimento, vou te explicar porque,
vantagens e desvantagens, mas quem tem que resolver é
você.
b) Eu não recomendo procedimentos. Eu faço.
Na hora do parto você não tem condições
de discutir o que é bom para você. Aliás,
desde o início da gravidez a mulher tem o comportamento
alterado, bem como a capacidade de discernimento.
c) Eu terei que abandonar o atendimento e chamar um plantonista,
pois não quero me responsabilizar pelas desgraças
que podem acontecer ao seu bebê.
d) Você não tem o direito de recusar um procedimento
que está sendo prescrito para o bem do seu bebê.
5) Até quanto tempo você espera na gestação,
antes de indicar procedimentos por "passar da data"?
a) Eu espero até 40 semanas. Depois disso faço
a cesárea. Nem tento a indução, porque
é tempo perdido. Ou você prefere arriscar a vida
do seu filho e viver com esse peso pro resto dos seus dias?
b) A gestação normal vai de 38 a 42 semanas.
O que eu proponho é um cuidado mais intenso depois
que passa de 41 semanas. Mas a princípio, enquanto
o bebê e a placenta estiverem bem, eu não faço
nada. Passadas 42 semanas, podemos começar a pensar
em indução do parto.
c) Eu espero até 40 semanas. Depois disso interno para
induzir com soro.
d) Eu espero até 41 semanas e depois interno para induzir
com citotec.
6) Você tem o hábito de pedir permissão
e informar tudo o que você acha necessário fazer
durante a gestação e o parto?
a) Como assim, pedir permissão? Eu estudei 10 anos,
trabalho há 15 anos com partos e sei o que estou fazendo.
Se for pedir permissão para fazer tudo, vou passar
o dia nessa lenga-lenga com minhas pacientes.
b) Só peço permissão quando acho que
o procedimento vai doer.
c) Não faço nem um exame vaginal sem pedir permissão,
pois o corpo é seu, o parto é seu. Meu dever
é fazer o melhor, desde que você me permita e
entenda o que está acontecendo.
d) Depende do dia, pois às vezes depois de 2 plantões
seguidos, eu fico meio impaciente.
7) Qual é a sua taxa de cesáreas?
a) Não sei, não tenho contado ultimamente...
Se é alto? Não considero alto, porque hoje em
dia as mulheres só querem cesárea. A culpa não
é minha. Elas já chegam com uma idéia
pré-concebida.
b) Minha taxa de cesárea é baixa, cerca de 40-45%...
c) A taxa é de 20%.. De partos normais..
d) Minha taxa de cesárea está perto de 25%,
o que ainda considero alta, mas estou tomando algumas providências
para tentar baixar para os 15% recomendados pela Organização
Mundial da Saúde
8) Posso levar meu marido e uma acompanhante (doul a) para
o meu parto?
a) Por mim você pode levar qualquer pessoa que faça
você se sentir segura e tranqüila.
b) Porque? Você vai dar uma festinha no centro obstétrico?
Quer ver seu marido desmaiando? Eu acho que um acompanhante
já é muito.
c) Pode levar só o marido, mas só depois que
ele fizer a preparação comigo, porque eu quero
um aliado, não um inimigo me vigiando.
d) Não, eu acho que acompanhantes atrapalham, perturbam
o ambiente, fazem muita pergunta, deixam a mulher insegura,
ficam questionando o médico. Eu não atendo a
família, eu atendo a gestante!
9) Você acha possível um parto normal depois
de uma cesárea?
a) Você está louca? Quem andou falando uma bobagem
dessas para você? Deixa disso, minha filha, isso é
coisa de natureba inconseqüente.
b) É possível, mas tem que usar fórceps
para não ter um período expulsivo prolongado.
c) É possível se o trabalho de parto não
passar de 4 horas.
d) É possível e é uma ótima opção,
com grandes chances de dar certo.
10) Você acha que tendo uma gestação
de baixo risco posso ter meu bebê em casa?
a) Sim, o local do parto deve ser escolhido por você
e seu marido. Se essa f or sua opção, devemos
tomar algumas precauções, como ter um hospital
relativamente perto para o caso de precisarmos de remoção.
Mas geralmente não há necessidade.
b) Sim, mas eu não atendo partos domiciliares. Posso
tentar te indicar um médico que faça.
c) Você enlouqueceu? Quer matar seu bebê? Quer
se matar? Já pensou como é agradável
sangrar até a morte com sua família te olhando
sem ter o que fazer?
d) Sim, mas é muito arriscado. Muito mesmo. Você
está com idéias muito românticas sobre
o parto. Deveria fincar os pés no chão.
11) Devo fazer um curso de preparação para o
parto?
a) É bom, não porque você não sabe
o que é certo, mas o curso vai te dar dicas preciosas,
vai te dar boas sugestões para um parto agradável,
vai te dar dicas de amamentação. No mais, você
vai entrar em contato com outras gestantes, o que pode ser
uma experiência bastante enriquecedora.
b) Bobagem. Na hora eu te digo o que é certo ou errado.
Eu estudei 10 anos, pratiquei mais 15 e te garanto que sei
fazer um parto. É só você ficar deitada
quietinha que tudo vai dar certo.
c) Faça apenas o curso do hospital, para saber onde
é a entrada, como são as rotinas do hospital,
como se comportar e o que esperar.
d) Tanto faz. Você também pode ler essas revistas
para mãezinhas que tem todas as dicas que você
precisa de enxoval, decoração, exames médicos
e tal.
12) Quantos exames de ultrassom eu devo fazer ao longo
da gestação?
a) O ideal é fazer em todas as consultas e por isso
eu já tenho um aparelho aqui no consultório.
A gente já vai vendo a carinha do bebê, como
ele se mexe, todas as partes do corpo e tudo o mais.
b) Você deve fazer pelo menos 4 para ver se o crescimento
do bebê está bom.
c) Eu recomendo fazer o menor número possível
de exames, pois ainda não foi totalmente provado que
o ultrassom é inóquo. Algumas pesquisas apontam
para uma posssível alteraçao no cérebro
em bebês que passam por muitos exames na gestação.
Só vou pedir esses exames se tivermos que confirmar
algum diagnóstico.
d) O máximo que o seu plano de saúde permitir
antes de vir aqui me atazanar a paciência.
Resultados - some os pontos:
1- a(2) / b(1) / c(2) / d(3)
2- a(1) / b(3) / c(2) / d(2)
3- a(1) / b(2) / c(3) / d(1)
4- a(3) / b(1) / c(2) / d(1)
5- a(1) / b(4) / c(2) / d(3)
6- a(1) / b(2) / c(3) / d(1)
7- a(1) / b(2) / c(1) / d(3)
8- a(3) / b(1) / c(2) / d(1)
9- a(1) / b(2) / c(2) / d(3)
10- a(3) / b(2) / c(1) / d(2)
11- a(3) / b(1) / c(2) / d(1)
12- a(1) / b(2) / c(3) / d(1)
Se seu médico fez entre 12 e 20 pontos: Fuja,
saia correndo, ligue dizendo que você não está
grávida, era um engano, foi apenas má digestão.
Você tem certeza que ele tem um diploma válido
em território nacional? Ter um parto com esse médico
e sair ilesa é tão garantido quanto acertar
na Megasena, sem ter comprado um bilhete.
Se seu médico fez entre 21 e 30 pontos: É
melhor você trocar de médico e procurar alguém
mais antenado com as novas tendências em atendimento
obstétrico. Seu médico pode até ser bem
intencionado, mas definitivamente é mal informado.
Pode ser que dê um bom ginecologista, mas como parteiro
deixa muito a desejar!
Se seu médico fez entre 31 e 37 pontos: O cara
é fera, conhece e aplica as recomendações
da Organização da Saúde e as evidências
científicas. Aparentemente evita procedimentos médicos
que podem atrapalhar o trabalho de parto. É respeitoso
e honesto. Parece um cara do bem, um bom partido. Me arruma
o telefone dele?
Ana
Cris Duarte
Amigas do Parto
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