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A
Suécia é um país que encara a
gestação e o parto como fenômenos
naturais na vida de uma mulher. Quem dá assistência
às mulheres são as parteiras, com formação
específica para esta função.
A cesariana é reservada para os casos onde
é realmente necessária, sendo que a
taxa nacional é de 11%. Abaixo segue o relato
de uma brasileira que morava na Suécia quando
nasceu seu primeiro filho.
Quando
você engravida aqui, é encaminhada a
uma parteira do servico de saúde entre a 8a
e 10a semana. Ela faz exames de urina e sangue na
hora para determinar grupo sanguíneo, taxa
de glicose e o que mais se possa descobrir, e preenche
um extenso formulário com informacões
sobre seu histórico de doencas, alergias, partos
ou gravidezes anteriores, hábitos como fumo,
álcool, doencas genéticas na família
etc. Ela também prescreve ácido fólico,
cálcio e ferro se for o caso, eu dessa vez
já estava tomando um composto desenvolvido
especialmente para mulheres em idade fértil
que já contém todas essas gostosuras.
Essa
é uma consulta bem longa, onde grávida
e parteira tentam se conhecer melhor, e caso a grávida
não se sinta à vontade com sua parteira,
pode pedir para ser atendida por outra.
Aqui
todo atendimento médico a mulheres e criancas
até os 20 anos é gratuito. Quer dizer,
financiado por nossos impostos, que são altos
mas que a gente sabe onde vão parar, ao contrário
de certos outros países. As únicas coisas
que pagamos foram a foto do ultra-som e três
diárias de valor quase simbólico pro
meu marido no hospital quando nosso filho nasceu.
Num país com falta de bebês o governo
faz de tudo para incentivar as pessoas a terem filhos...
Lá
pela 12a semana se faz um exame ginecológico
e se eu me lembro bem mais um no final da gestacão.
Se tudo está em ordem, a mulher tem menos de
35 anos e nenhum caso de problemas genéticos
na família, se faz um ultra-som lá pela
18a semana. Um só durante toda a gestacão.
Se a mulher quer fazer mais um tem que pagar do próprio
bolso, mas a enfermeira que faz o exame nunca revela
o sexo do bebê, entre outros motivos porque
já houve casos de engano.
A
partir da metade da gestacão as consultas com
a parteira comecam a se tornar mais freqüentes.
Não me lembro bem, mas devem ser de duas em
duas semanas. Depois mais para o fim são semanais
e se passarem mais de duas semanas do dia previsto
para o parto, se faz uma avaliacão para ver
como estão a placenta e o bebê, e dependendo
do caso, o parto é induzido com ocitocina.
Durante a gravidez os pais (sim, papais também)
participam de um curso preparatório (se quiserem),
no meu caso foram uns 7 encontros de umas duas horas
cada com outros seis casais. O legal é que
eles juntaram todos os casais que moravam no mesmo
bairro, de modo que a gente continuou se encontrando
mesmo depois dos nascimentos, às vezes na rua
passeando com os nossos tesourinhos, às vezes
no consultório da enfermeira que atendia todas
as criancas do nosso bairro.
Em um dos encontros (pré-parto) veio um representante
do Serviço Social e catou todos os pais pra
ter um papo sério com eles. Lembrou aos pais
que as mães estavam num estado muito especial
e que tivessem muita paciência e compreensão
com elas. Que aprendessem a dialogar em vez de brigar
e que não ficassem ofendidos se no comeco eles
se sentissem deixados de lado pela mãe.
A
razão é que o número de divórcios
na Suécia é muito alto, e a maioria
dos divórcios acontece no primeiro ano de vida
do filho, justo quando acontecem as maiores transformacões
na vida de um casal. O problema do governo é
que muitas das mães que se separam acabam se
tornando dependentes de ajuda econômica para
conseguirem pagar suas contas. O governo prefere então
cortar o mal pela raiz por meio de campanhas como
essas.
O que eu não gostei muito foi o fato de você
não ter a mesma parteira durante a gravidez
e depois na hora do parto. O problema é que
o sistema de atendimento à mulher (esteja ela
grávida ou não) é separado dos
hospitais. As parteiras têm a mesma formacão,
mas algumas escolhem trabalhar nos centros de atendimento
enquanto as outras trabalham nos hospitais.
Mas
tive uma sorte tremenda! Ambas as parteiras que me
atenderam foram fantásticas, cada uma a seu
modo. Se você quer oferecer um atendimento de
alta qualidade a toda populacão, não
só aos que tem meios pra pagar, talvez esse
seja o preco a pagar. Algo pra nós no Brasil
pensarmos.
Andrea
A. Prado
Amigas do Parto
(com depoimento de
Felicitas
Kemmsies, Suécia)
Leia
Também:
Depoimento de Felicitas Kemmsies
sobre seu parto na Suécia
O Parto na Holanda
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