Filho...igualzinho
à minha poesia
Você nunca foi meu órgão
Capaz
de prosseguir com essa invenção chamada
humanidade
Você é a barbaridade de ter feito a minha
barriga crescer
Meu corpo zunir, abrir, escancarar pra você sair
De onde eu nunca pus sequer os pés , as mãos
Da casa em que vivo e habito sem nunca ter entrado
E haverá sempre um leite materno.
Olhou
as minhas entranhas enquanto virava ser humano
Quieto dentro de mim como as palavras antes de serem
poesia
Mas fui apenas uma pensão, uma besteira
Ou um hotel cinco estrelas
Ou um amniótico colchão
Hoje saído dessa embalagem, me olhas como miragem
De parecer tão próprio, tão seu...
Deixar
de ser óvulo, indefinição, projeto,
embrião...
Escorrendo
pelo seu terno
Como mirra, benção, distração
Como birra, alimento, maldição
Maior que em mim, melhor que mim.
Está pronto e feito como o meu melhor poema...