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O
Parto Hoje
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Ter um filho hoje é
uma tarefa heróica. As opções não são
muito animadoras, se levarmos em conta o que nos é oferecido como
"sugestões da casa"... Em vários lugares do mundo, o parto
é visto de uma forma muito natural e simples, e nem por isso levianamente.
Geralmente são os países com menores taxas de mortalidade
materna e complicações no pós parto, como Japão,
Holanda, Inglaterra, os países da Escandinávia, e outros
tantos.
No Brasil chegamos ao auge
da medicalização do parto, e nem por isso nossas taxas de
mortalidade e morbidade estão diminuindo. Na maioria das maternidades
privadas, as taxas de cesárea chegam a 80, 90 ou até 100%!
As opções que se nos apresentam são poucas e
desanimadoras: quando não é cesárea, é um parto
normal repleto de intervenções... Eis como eles acontecem
geralmente....
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Cesárea
A cesárea, em muitas
ocasiões, é a única opção para salvar
as vidas de mãe e bebê. Mas nem sempre essa cirurgia tem sido
usada dessa forma, haja visto as atuais taxas a que chegamos. Não
parece razoável imaginar que 90% das pacientes de um determinado
hospital tenham problemas para dar à luz... |
| Dentro desse
quadro atual, a expectativa é que em qualquer fase do trabalho de
parto, ou mesmo antes dele começar, o obstetra chegue à conclusão
de que você deve fazer uma cesárea. Nessa hora, você
deixa de ser uma parturiente, para ser uma paciente cirúrgica. Os
cuidados com assepsia são redobrados. As complicações
são mais possíveis por se tratar de uma cirurgia de grande
porte, os riscos são maiores.
Quando fica decidido que
deve ser feita a cesárea, você é levada ao centro cirúrgico
e é colocada na mesa de cirurgia. Você recebe a anestesia
peridural sentada ou deitada de lado. Deita de costas novamente e os dois
braços ficam presos a suportes laterais, para que não haja
riscos de você contaminar a região aberta.
Um suporte é erguido
à frente de seu rosto para aumentar a assepsia e para que você
não veja a operação. O obstetra faz o corte em várias
camadas até chegar ao útero. O anestesista ou o auxiliar
empurra sua barriga por cima, enquanto o obstetra puxa o bebê pelo
corte. O bebê é mostrado a você e levado para a sala
de pediatria neonatal. O obstetra então deve fechar o corte e nessa
hora é comum você receber uma pequena dose de sedativo para
dormir nesse final de cirurgia.
Você fica algumas horas
em observação na sala de recuperação e depois
vai para o quarto, para onde seu bebê é levado mais tarde
para a primeira mamada. |
| Parto Normal
na Rede Privada
Quando escolhemos ter um
bebê numa determinada maternidade, estamos sujeitas às regras
daquele estabelecimento. Cada um tem seus protocolos, suas regras e diretrizes.
Mas existem muitas coisas em comum nessas condutas hospitalares. Há
uma grande preocupação em se evitar riscos, contaminações,
e obviamente processos judiciais! Leia a descrição
das condutas hospitalares mais comuns num parto normal.
O que se nota nas últimas
decadas é que as maternidades privadas estão ficando cada
vez mais parecidas com hotéis. Existem serviços de quarto,
restaurante 24 horas, horário livre para visitas, lojinhas de conveniência,
TV, frigobar, recepcionistas elegantes, berçários bem decorados,
quartos pintados com cores delicadas, quadros nas paredes. Telões
para anunciar a chegada dos bebês, sala de espera acarpetada com
sofás de couro. São grandes empresas, cada uma procurando
seu lugar ao sol nesse grande mercado que é o nascimento de bebês.
O grande drama, no entando,
é que nessas mesmas maternidades, os índices de cesárea
giram em torno de 75% até 90%. O que seria um lugar para a mulheres
darem à luz seus bebês, virou um grande centro de cirurgias
obstétricas. O evento natural tranformado em evento cirúrgico. |
| Parto Normal
na Rede Pública
A rede de saúde pública
compreende hospitais do SUS, hospitais beneficentes e os universitários.
Nessa gigantesca rede você pode encontrar desde tratamentos absolutamente
desumanos e frios, até maternidades modelo com programas premiados
de humanização do parto. Na somatória, existem menos
vagas do que seriam necessárias para atender à população.
É comum a mulher perambular por vários hospitais, em trabalho
de parto, andando de ônibus ou taxi, em busca de uma vaga. Também
é comum ela só ser admitida quando chega no período
expulsivo.
Na grande maioria desses
hospitais, o parto ainda é tratado da forma mais tradicional, onde
depois de achar uma vaga, a mulher passa horas numa sala de pré-parto
com mais outras mulheres, sem acompanhamento ou atenção especial,
sem informação ou liberdade de movimentação.
Quando chega a hora do bebê nascer, é levada à sala
de parto, onde tem um tratamento impessoal e distante. Se grita ou chora,
é recriminada. Leia um poema comovente
descrevendo como é a sensação numa hora dessas...
Em grande parte desses hospitais
as complicações são percebidas tardiamente, levando
a problemas futuros para mãe ou para o bebê. O consolo é
saber que existem brilhantes iniciativas pelo Brasil afora. Hospitais que
atendem à população carente com carinho e atenção
que lhe é devida. Locais onde cada mulher é tratada por seu
nome, onde seus direitos são respeitados, onde sua saúde
é decentemente cuidada, onde seus bebês são recebidos
com dignidade. |
| A ALTERNATIVA
Você pode chegar à
conclusão que não é assim que quer ter o seu bebê.
Pode querer um novo prato que parece não existir nesse cardápio.
Existe alguma outra forma de ter um bebê? Sim. Veja
aqui. |
Leia
mais:
O
Parto Hoje: Condutas Hospitalares
Resgatando
o Parto
O
Parto, Mulher e Cultura
O
Parto em outras Épocas e Localidades
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