Parto Humanizado

 

O que é "Parto Humanizado"?

Esse nome está na boca dos médicos, enfermeiras, hospitais, ministério e secretarias de saúde... Todo mundo fala em parto humanizado. Mas o que significa esse termo?

A idéia de se humanizar o parto vem do fato de que muitos serviços médicos ignoram as recomendações da Organização Mundial da Saúde, do Ministério da Saúde e outros órgãos que regulamentam o atendimento ao parto.

Vejas algumas das intervenções que são condenadas mas que continuam em prática na maioria dos hospitais e muitos privados.

INTERVENÇÃO PORQUE AINDA É FEITA PORQUE DEVERIA SER ABOLIDA
A proibição da presença de um(a) acompanhante, que já é garantida por lei estadual em muitos Estados... Alega-se que o acompanhante atrapalha ou que não há espaço para eles. O(a) acompanhante dá mais tranqüilidade à parturiente e inibe abusos da equipe hospitalar.
Lavagem intestinal... Diz-se que faz acelerar o trabalho de parto e que as fezes poderiam contaminar o bebê. É incômodo para a maioria das mulheres e estudos comprovam que seu uso não traz as vantagens alegadas.
Raspagem dos pêlos pubianos... É feita porque acredita-se que o parto fica mais "higiênico". Pode haver inflamação local e o crescimento dos pêlos é incômodo. Seu uso é comprovadamente desnecessário.
Uso de violência verbal e psicológica, frases do tipo "não grita, ou eu não vou te ajudar", "na hora de fazer você não gritou", etc.. Acredita-se que palavras de ordem e broncas possam acalmar mulheres assustadas e nervosas e assim organizar o serviço médico. O que faz uma mulher gritar e perder o controle no trabalho de parto, geralmente pode ser resolvido com carinho, um afago e um pouco de atenção.
Uso rotineiro de soro com hormônio ocitocina... Porque provoca mais contrações e assim faz com que o parto seja mais rápido e o leito seja liberado. As dores do parto com ocitocina ficam insuportáveis e podem provocar sofrimento fetal.
Jejum durante o trabalho de parto... Diz-se que no caso de uma cesárea, pode haver problemas de aspiração do alimento.

O jejum provoca fraqueza, o que pode causar sérios problemas no parto. O evento de aspiração é tão raro, que não pode ser usado como justificativa.

Restrição da movimentação, fazendo com que a mulher fique deitada durante todo o trabalho de parto...
Alega-se que não há espaço nos centros obstétricos para as mulheres caminharem e mudarem de posição. Diz-se que é mais "seguro".

Estudos provaram há muito tempo que a mulher deve ter liberdade de posição e movimentação durante todo o trabalho de parto e parto.

Parto em posição ginecológica, com a mulher deitada de costas com as pernas para o alto... Facilita a ação e intervenção do médico. Faz o parto ser mais lento, diminui a oxigenação do bebê, é desconfortável para a mulher.
Uso rotineiro de episiotomia (corte para aumentar a abertura da vagina) em 70-80% dos partos normais, quando o recomendado é 15-20%... Alega-se que a episiotomia é necessária. Na verdade há uma grande desinformação dos médicos e serviços médicos sobre a necessidade desse procedimento. Aumenta a chance de sangramentos, inflamações e infecções. Pode causar problemas na relação sexual. Pode provocar incontinência urinária.
Separação do bebê logo após o parto, sem que ele e a mãe possam se tocar, se olhar e ter a primeira chance de amamentação...
É feito para que o bebê seja examinado e lavado. O pós-parto é o momento mais importante para a mãe e o bebê estabelecerem o vínculo. A amamentação precoce faz a saída da placenta ser mais rápida, com menos sangramento.


Percebe-se que há um longo caminho a se percorrer em nossos hospitais e maternidades, até que as mulheres tenham acesso a um atendimento ao parto seguro, acolhedor e que respeite suas necessidades físicas, emocionais, psicológicas, sociais e espirituais.

O Parto Humanizado é muito mais do que um parto feito por seres humanos, como definem alguns, ou o direito a uma vaga em maternidade, ou o direito a seis consultas de pré-natal. Humanizar o parto é dar às mulheres o que lhes é de direito: um atendimento focado em suas necessidades, e não em crenças e mitos.

Está na hora das mulheres começarem a lutar por esses direitos, alguns já garantidos por lei, outros já comprovados por inúmeros trabalhos científicos e largamente difundidos no mundo inteiro. É a partir das nossas exigências que os serviços médicos serão forçados a se atualizar e oferecer um verdadeiro atendimento humanizado.

Ana Cris Duarte
Amigas do Parto


Para saber mais sobre o parto na água:
http://www.amigasdoparto.com.br/tipos.html
www.amigasdoparto.com.br/presgate.html
www.amigasdoparto.com.br/partonagua.html
www.amigasdoparto.com.br/cocoras.html

 

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