Doula
Quem são essas mulheres que se ocupam
do bem estar físico e emocional da parturiente?



 
Doula, Monitora, Assistente ou Acompanhante de Parto

Essa nobre função na assistência ao parto começa a aparecer no Brasil nos últimos anos, embora já seja usada há muito tempo em países do mundo todo. O nome "doula" vem do grego "mulher que serve" e indica aquela que dá suporte físico e emocional à parturiente.

Antigamente era comum a futura mãe ser assistida ao longo do trabalho de parto por outras mulheres mais experientes, vizinhas, parentes, mulheres que já tinham filhos e já haviam passado por aquilo.

Conforme o parto foi sendo tratado como assunto médico, os eventos foram ocorrendo basicamente em hospitais e maternidades, com a assistência de uma equipe especializada: o médico obstetra, a enfermeira obstetriz ou obstetriz, a enfermeira ou auxiliar de enfermagem, o pediatra. Cada um com sua função bastante definida.

Ficou uma grande lacuna: quem cuida do bem estar físico e emocional daquela mãe que está dando à luz? Essa lacuna pode e deve ser preechida pela doula ou acompanhante do parto.

Apesar de ser uma função antiga, é paradoxalmente, hoje em dia que uma acompanhante de parto se torna imprescindível. O ambiente mecanizado de grande hospitais e a presença de grande número de pessoas desconhecidas tende a fazer aumentar o medo, a dor e a ansiedade na hora do parto. Se o parto é também um momento emocional e afetivo, é de apoio igualmente emocional e afetivo que uma mulher precisa. Daí a importância da doula.
 

O que faz a doula?

No Brasil existem basicamente dois modelos de atuação para a doula: institucional e particular. No modelo institucional a doula é contratada ou voluntária de um hospital e oferece conforto e apoio às parturientes durante seu período de expediente. Não conhece as mães previamente, mas podem ser de grande ajuda já que a equipe da enfermagem pode apenas oferecer poucos minutos a cada mulher.

No modelo particular, a doula geralmente é também a preparadora para o parto. Durante a gestação faz um trabalho de aconselhamento e educação para o trabalho de parto e puerpério (pós-parto). Quando a mulher entra em trabalho de parto, a doula passa a acompanhá-la, dando sugestões, oferecendo massagens, mostrando ao companheiro como ele pode ser útil, dando suporte também a ele, assegurando ao casal que tudo está indo bem e assim por diante.

A doula então acompanha o casal ao hospital, maternidade, casa de parto, clínica, ou mesmo ficando em casa, se o parto domiciliar foi a opção daquele casal. Até o nascimento do bebê, o papel da doula será de fundamental importância. Ela serve como um amortecedor entre os complicados termos médicos, os procedimentos hospitalares, a eventual frieza da equipe de atendimento e aquela mulher que se encontra no momento mais vulnerável de sua vida. Ela também ajuda a parturiente a encontrar posições mais confortáveis para o trabalho de parto e parto, mostra formas eficientes de respiração e propõe medidas naturais que podem aliviar as dores, como banhos, massagens, relaxamento, etc..

A doula e o pai ou acompanhante

A doula não substitui o pai (ou o acompanhante escolhido pela mulher) na sala de parto, muito pelo contrário. O pai geralmente não sabe bem como se comportar naquele momento. Preocupa-se tanto com a companheira que esquece de suas próprias necessidades. Não sabe necessariamente que tipo de carinho ou massagem a mulher está precisando nessa ou naquela fase do trabalho de parto. E eventualmente sente-se tolhido em demonstrar suas emoções, com medo que isso atrapalhe sua companheira. A doula vai ajudá-lo a confortar a mulher, vai mostrar os melhores pontos de massagem, vai sugerir formas de prestar apoio à mulher na hora da expulsão, já que muitas posições ficam mais confortáveis se houver um suporte físico.

O que não faz a doula?

A doula não faz qualquer procedimento médico, não faz exames, não cuida da saúde do recém-nascido, de modo que não substitui qualquer dos profissionais tradicionalmente envolvidos na assistência ao parto.

Vantagens

As pesquisas mais recentes demosntram que o uso da doula no parto pode:

diminuir em 50% as taxas de cesárea
diminuir em 20% a duração do trabalho de parto
diminuir em 60% os pedidos de anestesia
diminuir em 40% o uso da oxitocina
diminuir em 40% o uso de forceps.
Embora esses números refiram-se a pesquisas no exterior, é muito provável que os números aqui sejam tão favoráveis quanto os acima mostrados.

Treinamento

A formação das doulas particulares tem sido feita individualmente, cada uma com sua bagagem e experiência. No Brasil o primeiro curso de formação de doulas surge em 2001, em Campinas. De 2002 para cá já existem cursos regulares. Já as doulas de atuação institucional são treinadas no próprio hospital onde vão trabalhar.

Onde encontrar uma doula e mais informações sobre o assunto?

No site www.doulas.com.br

Ana Cris Duarte
Amigas do Parto

 

 

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