Claudia e seu filho 
Cláudia

Uma cesárea sem maiores explicações


 
Embora não planejada, tive uma gravidez excelente, sem qualquer problema. 
Conheci o médico que me acompanharia já no 3o. mês de gestação e fiz meu pré-natal com ele até o final. Ele sempre se mostrou muito receptivo, descontraído, mas as consultas eram sempre muito rápidas, talvez porque o consultório estivesse sempre lotado...

Numa terça-feira, minha última consulta, na 38 semana de gravidez, após o "toque", ele me disse que o bebê não havia encaixado e me indicou alguns exames, pronunciando que se meu bebê não nascesse até a semana seguinte, teria que me submeter à uma cesárea. 

Na verdade, havia algum tempo que ele repetia "Nossa, esse nenê é grande" e eu me sentia orgulhosa por gerar um nenezão, sem saber que isso poderia ser usado como "desculpa" na hora do parto.

Pensei: "Porque apressar tanto se está tudo bem?". Logo, inexperiente, achei que algo estivesse errado com o bebê. Fui para casa assustada, correndo atrás dos exames. 

Mas na sexta-feira da mesma semana, às 3 da tarde, após um dia de impaciência total, acordei de uma soneca com aquela impressão de ter feito xixi na calça, mas na verdade era minha bolsa que havia se rompido. Não foi nada daquilo que imaginava, apenas algumas "gotinhas" involuntárias saiam. Por isso, não queria ir para a maternidade, pois não acreditava que era a hora. 

De tanto minha mãe insistir, acabei indo à uma maternidade próxima da minha casa, pois a que eu havia escolhido e combinado com meu médico ficava um pouco distante. Pensei: "Vou pertinho porque sei que vou voltar para casa. Não quero pagar mico..."

Para minha surpresa, cheguei à maternidade com 2 cm de dilatação, sem ter sentido absolutamente nada, e a contragosto da enfermeira, fui transferida para o Santa Joana, conforme o combinado. Ela ainda me deu uma bronca. Disse que eu deveria ter ido direto para o outro hospital, pois agora, poderia dilatar rapidamente e o bebê nascer no meio do trânsito. Não me assustei e fui, mas antes tivesse ficado...

Meu médico chegou às 21h, a dilatação continuava em 2cm, e eu continuava sem sentir nada, absolutamente tranquila. Estava apenas ansiosa para ver meu bebê. Ele disse apenas "Vamos lá?" e eu, meio sem saber o que ia acontecer, mas sem hesitar, respondí que sim.

Na sala me fizeram uma analgesia, e meu filho nasceu 10 min depois. Só ouvi seu choro, porque levaram-no antes de me mostrar. Fiquei imensamente feliz, ele nasceu forte e saudável, mas não sentia nada emocionante, tinham tirado meu bebê de dentro de mim, e eu não havia sentido nada...

Fiquei frustrada, mas não ousei questionar. Fui muito inocente, não perguntei nada. Comparei-me à minha mãe, que teve seus bebês por cesárea por "não ter dilatado o suficiente..." 

Agora, planejo uma nova gravidez, e vou lutar por um parto normal, porque acredito em minha capacidade de trazer meus filhos ao mundo com minhas próprias forças e sentir-me orgulhosa por isto.
 
 

Cláudia Cristina Pereira da Silva
ccpsilva@zipmail.com.br


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