Andrea Fangel - Indaiatuba, SP
Duas cesárea, muitas cicatrizes

 

O meu primeiro parto foi dolorido assim como a gestação. Eu tinha apenas dezessete anos e fui para a sala de parto com a cesárea marcada, sem ter a menor idéia do que ocorreria. O convênio cobria um bom hospital na minha cidade, porém não tive qualquer orientação ou atendimento especial por isso...

Já na gravidez da minha menina li tudo o que pude, pesquisei e procurei conversar com meu médico a respeito do meu enorme desejo de ter um parto normal e amamentar o bebe. Muito embora eu tenha desejado e discutido por isso inúmeras vezes (a partir de 38 semanas meu médico começou a sugerir que marcássemos a cesárea), não consegui e me culpo por isso.

Com 39 semanas de uma gestação tranquila, saudável e feliz, acordei num domingo de manhã com um pequeno rompimento na bolsa. Liguei para o hospital e me orientaram que eu fosse imediatamente para lá. Ainda tomei café da manhã e banho e então fui para a maternidade. Meu primeiro exame foi as 10:00h e o plantonista me disse não ter localizado meu médico, mas ele proprio faria a cirurgia. Perguntei, então, se não podíamos esperar um pouco mais, tentando ganhar tempo, pois afinal eu não tinha nem um centímetro de dilatação. O médico sorriu com o canto dos lábios e disse que seria como eu preferisse.

As dores começaram a se intensificar e as enfermeiras me orientaram que me deitasse de lado e não levantasse por nada, meu marido ajudava o que podia, ora fazendo massagens nas minhas costas, ora conversando para me acalmar. As 15:00 com minha cunhada e meu marido ajudando comecei a cronometrar a frequencia e a duração das contrações (por pura curiosidade pois as enfermeiras so apareciam no quarto para perguntar se estava faltando alguma coisa e me dar broncas caso eu tivesse levantado), e as contrações aconteciam a cada 2 minutos e duravam quase 40 segundos. As 17:00, completamente alucinada de dor e confusa o medico veio novamente me examinar e disse que a dilatação era de apenas dois dedos e que meu médico já tinha sido localizado e estava vindo para o hospital...

Depois disso só sei que comecei a ficar desesperada pois não estava no soro, as contrações eram de minuto em minuto e duravam 40, 45 segundos e as enfermeira perguntavam: "ué está doendo? Mas voce não queria parto normal???"

As 19:00 meu médico finalmente apareceu e me disse: vamos pro centro cirúrgico? E eu disse que sim.

A cesárea durou pouco, mas a anestesia custou a pegar (quem disse que as contrações permitiam que eu prestasse atenção nas instruções dos médicos?) E a minha filhinha nasceu com 3750g e 52 cm. Não obstante o "dia maravilhoso" que eu passei a pequena tinha a glicemia baixa e os médicos comentavam entre si que não era possível alguem com aquele tamanho de bebe querer parto normal!

Até hoje, meses depois, me pergunto: o atendimento do hospital e dos médicos foi correto? Eu estava no cominho do parto normal e não aguentei esperar? Se eu tiver outro bebe (pretendo engravidar novamente em breve)será que devo marcar a cesárea de uma vez?

Chorei ao ler os depoimentos das mães que conseguiram. O meu consolo é que a minha filha foi amamentada no peito por longos 5 meses exclusivamente e só desmamou com a entrada de outros alimentos.

Andrea Fangel
andreafm@cosmo.com.br
Indaiatuba, SP

Obs: Depois desses dois partos, Andrea teve mais uma cesariana depois de 24 horas de trabalho de parto, e por fim o tão sonhado parto normal, em casa, de uma forma tão rápida que a equipe só chegou quando o bebê já estava nascendo.


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