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Capitulo
1
Como mamae e papai se conheceram
(Por mamae Dydy)
Conheci o Leo em janeiro de 96, onde eu morava em Angra dos
Reis. Jamais poderia imaginar que aquele rapaz (mui guapo,
por sinal) seria o homem da minha vida e o pai do meu filho...
Era um dia lindo de sol e passeamos de barco o dia inteiro.
Por muito tempo, nos vimos apenas aquele bendito dia. Só
voltariamos a nos encontrar uma vez em outubro do mesmo ano
e depois disso em abril de 1997, quando me mudei para Barra
Mansa para fazer a faculdade de enfermagem. Mas nunca deixamos
de nos falar por telefone. Primeiro, eu telefonava anonimamente,
depois ele descobriu!...
Ele sempre foi uma pessoa muito difente e especial para mim.
Nao foi a toa que sempre me senti muito atraida por ele. Aprendi
muito com este homem que chegou e mudou a minha vida para
sempre.
Fomos morar juntos imediatamente apos a conclusao do meu curso,
em janeiro de 2001 em Macaé. O Leo ja queria ter um
filho, mas eu queria trabalhar.pesquisar, estudar, viajar,
enfim, viver a vida, como se filho fosse impecilho para tudo
isto...
Capitulo 2
E eis que eu surjo!
Mas eu admito: facilitei. Nao evitei devidamente a gravidez
e ele veio. Me lembro ate de quando nos o fizemos. Foi na
casa de uma tia no feriadao de 12 de outubro de 2001!....
Meu ciclo menstrual nao era de atrasar, mas ela nunca que
chegava. Passou dia 2, dia 3, dia 4, 5, 6... Fiz um daqueles
testes de gravidez de farmacia e deu... Duvidosa! Ao inves
de apreceram duas linhas no exame, apareceu uma linha e outra
fraquinha... É como se eu estivesse no meio do caminho!
Nao teve jeito tive que fazer o Bhcg. Ja eram 10 dias de atraso.
Entao, voltando de um plantao, criei coragem e passei no laboratorio.
Imagine a minha cara.
Nao posso mentir; nao foi o melhor momento da minha vida.
Liguei para o Leo da rua mesmo do celular e disse com o tom
de quem da uma noticia de falecimento: "Voce vai ser
pai..." Ele nao acreditava em meio a risos. Estava quase
soltando fogos e eu chorando, desorientada pela rua afora.
Ainda briguei com ele por estar feliz.
Em seguida liguei para a minha mae de um orelhao. Achei que
ela nao fosse gostar muito, mas adorou. Em prantos, eu lhe
pedia para nao contar a ninguem ate que eu assislasse o fato.
Em vao, ne?!
Fui para casa descansar, dormir. O mais novo papai da praça
chegou na hora do almoço com um enorme ramalhete de
flores.
Capitulo 3
A escolha desse parto maluco!
Bola pra frente. Quem será o obstetra? Eu fazia questao
de que fosse uma Efermeira, como eu. Obstetra, claro, mas
enfermeira. Eu queria ser cuidada, acarinhada, como eu fazia
com as minhas pacientes quando trabalhava no programa saude
da familia. Mas nenhum plano para os quais liguei possuia
enfermeira obstetra realizando pre-natal, da para acreditar?
Nenhum. Entao parti para a luta. Liguei para a maternidade
leila Diniz, onde eu sabia que enfermeiras faziam partos e
perguntei para a Enfermeira obstetra de plantao quem poderia
fazer meu pre-natal.
Em dezembro de 2001, fui à minha 1ª consulta.
O nome dela era Dra Heloisa lessa: Helo. Aberta, calma, experiente,
inteligente, segura, firme, carinhosa, maternal. Amei.
Eu nao havia pensado em parto domiciliar, apesar de ja ter
ouvido falar nesta "maluquice", mas ela entao tocou
no assunto e começamos a pensar nele.
No mesmo mes, fui passar uns tempos com a minha mae em Angra.
Capitulo 4
Ele existe mesmo!
Na 1ª ou 2ª consulta eu ouvi o coraçaozinho
dele. É um sentimento indescritivel. Me lembro de quando
ele mexeu pela 1ª vez. Eu nao sabia direito se aquilo
era mesmo ele! Foi um pouco antes do carnaval de 2002. Nunca
mais parou!
Quando voltei para Macae, passei tanto mal, mas tanto mal...
Que achei que tinha vomitado algum órgao!
Passei mal alguns dias. Antes de 4 meses, nao havia engordado
um grama. Mas as coisas mudaram muito ate o 10º mes.
Quando engravidei, pesava 68,5Kg. Ja estava um pouquinho acima
do peso ideal para minha altura. (1,65m) Entre o 5º e
o 8º mes, eu engordei tanto...As vezes de um dia para
o outro, eu engordava 2 ou 3 Kg. E olha que eu vigiava todos
os dias ... Todos.
Meu aniversario foi dia 11/03. Achei lindo o Leo ter colocado
o relogio para despertar a meia noite do dia 10 para o dia
11 de março...Depois me deu um livro psicografado que
conta a historia de uma Enfermeira e que ate hoje nao li...
Com 7 meses, a Dra Helo pediu que eu fizesse hidroginastica
e eu fui fazer. Foi bem legal.
Passei muito tempo da gravidez na internet. Eu ficava mais
durante a madrugada. Acho que foi por isso que, quando ele
nasceu, nao trocava o dia pela noite como faz a maior parte
dos bebes que conheço! Me dei bem nessa!
O melhor da gravidez é que é sempre a gente
em 1º lugar. Cuidam da gente, nos passam na frente, paparicam...
Depois acaba tudo. Nao se iluda, futura mamae!
Com quase 4 meses, comecei a dar aula em cursos tecnicos e
auxiliares de enfermagem. Estava passando por uma dificuldade
financeira e, ja que ninguem da emprego para gravida nesse
país, apesar de eu ter tentado, tive que dar aula.
E ate que foi muito legal. Aprendi muito. Os alunos (90% eram
mais velhos do que eu), de maneira geral, me deram muito carinho.
Mais por causa da barriga do que por causa de mim, como sempre!
Em maio, logo no inicio do mes, logo no início,aconteceu
meu chá de bebê que foi em Angra.Fizeram de tudo
comigo. Me lembro que neste dia pesava 81kg. Havia passado
mal alguns dias antes e emagreci 1kg.A essas alturas, já
estava com 7meses de gestação.
Ainda em maio, participei como palestrante de um encontro
de Enfermagem num auditório lotado em Cabo Frio. Eu
e mais uma colega, a Lu. Nunca mais a vi. Meu trabalho era
o último trabalho, do último dia do envento.
Enquanto eu explicava os slides, me pegava sempre apoiando
nele com a mão na barriga. Eu tirava, mas ela voltava.
Eu já estava bem grande e muito, muito inchada. A Helô
já havia reparado minha pressão mas não
imaginei que fosse sério.
Capítulo 5
SexoX Nome
O sexo foi descoberto com 6 meses. Eu sempre quis e o Leo
sempre soube, apesar de todos acharem que era o sexo oposto...
"É um Menino!".Com o "sexo nas mãos"
era mais fácil escolher um nome. Procuramos na net
e listamos os preferidos. Nada de William (como eu queria
para a homenagear AXL Rose, meu ídolo na adolescência),
Renato(homenagem ao Renato Russo ou a um amigo meu que já
faleceu) ou Lamartine (como o Léo queria) e Kaléu
(coisa do Léo, era o nome do super-homem quando veio
para Cripton)... Então listamos. Para final ficaram
três: Ângelo, Thales e Klaus. Ainda tenho esse
papel! Decidimos por Klaus. Mais um "s", claro:
Klauss. "Kakau" para os mais íntimos. E,
para mim, apenas "Kau".
Capítulo 6
Os Cabelos nao eram mais os mesmos e a saúde...
Quanto a minha saúde... Essa não andava muito
bem. Minha pressão chegou a 16x11, inchaço absurdo
e proteína na urina: Dheg (doença hipertensiva
específica da gravidez) ou pré-eclâmpsia.
"Para Tudo"! Aula, hidroginastica, internet, rua,
nada! De molho ate 2ª ordem. Isso aconteceu no comecinho
de junho. Só levantava da cama para ir ao banheiro
e tomar banho e mesmo assim rapidinho. Mais nada. Foi necessária
a intervençao de um medico que ja trabalhava com a
Dra Helo.
Tive que tomar um anti-hipertensivo de gravidas (Hidralazina),
Passiflora (um calmante natural), cortar o sal e pernas para
cima. Bem pra cima, quase d ecabeçapra baixo. As consultas
passaram a ser em casa, pois ate aquele dia, eu estava indo
de Macae ao Rio para cada consulta. Foi aí que a Dra
Marilanda entrou na historia. Enfermetira obstetra, com uma
experiencia de 25 anos em parto institucional e essa experiencia
dela foi determinante no parto.
Tive uma candidíase poderosa na gravidez por volta
do 7º mes. É Uma DST (Doença sexualmente
transmissivel, mas nem tao Doença sexualmente transmissivel
assim). Foi quando eu descobri o significado da palavra "coceira".
Uma coisa que aconteceu comigo diferente das outras mulheres
foi que, a aprtir de seis meses, eú só ficava
bem em uma posiçao: deitada de barriga para cima. O
engraçado é que todas as outras so ficam confortaveis
de lado e eu nao podia ficar assim, pois sentia uma dor enorme
na parte interna da bacia. Acho que ja era inha bacia se alargando,
pois no parto a Dra Marilanda disse que eu tinha uma ótima
passagem. Que bom que este processo aconteceu devagar.
Capítulo 7
Um paradinha para um outro momento muito especial
A Dra Helo me liberou dia 21/06 para ir dar uma casadinha
rapidinho e voltar. Isso mesmo! Que cena! Eu lá, gravida
de 9 meses, inchada, ansiosa, gorda, enorme.
Minha mae, meu irmao e uma tia fora. Eu nao queria alarde.
Casei mais por causado parto ser domiciliar e por achar que
isso iria faciliar o registro e, absurdamente, isso ajudou
muito.
O casamento estava marcado para as 16:00h, mas só aconteceu
la para as 17:00. A juíza passou a mao na minha barriga
e acho que ate se arrependeu por ter me feito esperar tanto!
Meu irmã e minha tia foram os padrinhos. Depois fomos
a um restaurante chique de frente para o mar. Lá, o
Leo me deu flores para desculpar o susto que me deu ao sair
minutos antes do casamento para comprara alianças que
me servissem... Foi muito legal.
Capítulo 8
E ele chegou...
No começo de julho, eu sabia que ja estava perto da
40º semana. Mas.... Boas notícias: a pressao (a
muito custo) havia baixado e estabilizado; a protína
na urina foi completamente abolidados meus exames. So o inchaço
e a gordura nao regrediram, mas regrediriam logo depois do
parto. A Enfermeiras me elogiavam muito pela minha disciplina.
Eu fazia tudo o que elas pediam: tomava os remedios, repousava,
aferia minha pressao varias vezes ao dia e meu quadro havia
sido revertido. Eu ia poder ter meu bebê em casa e em
segurança.
Mas eu já estava muito ansiosa. Nao via a hora dele
nascer e ver aquela pessoa com quem eu havia estado, conversado
e compartilhado tantas coisas por quase 10 meses e que eu
esperei a vida toda...
Minha sogra tinha ido para lá para ajudar com a casa
e minha alimentaçao, mas ja estava ficando demais.
Ela simplesmente nao ia embora apesar dos apelos do meu marido.
Acho que ela pensava que eu a queria por la. Acho ate que
demorei a parir porque ela nao nos deixava. Tanto que minha
mae chegou numa segunda a noite, ela foi embora numa terça
a tarde e as dores começaram na quarta a noite (10/07).
Graças a Deus, que alívio!
As dores começaram por volta de 22:00h e eu sabia que
eram as contraçoes. Avisei ao Leo e ele ligou para
as Enfermeiras próximo à meia noite. Elas disseram
que viriam em seguida e eu danei a esperar. Elas estavam no
Rio e eu em Macaé. Eu nao dormi quase nada aquela noite,
mas deixei o leo e minha mae dormirem. Parece que eu ja imaginava
o que viria pela frente. As dores só iam aumentando
e elas nada de chegarem!
Amanheceu. Eu ate consegui tomar um banhinho. Ainda bem, porque
depois seria impossível. O Leo entao me contou que
as Enfermeiras ja estavam na cidade, mas dormiram num hotel.Por
volta de 8:30, eu disse ao Leo que as dores haviam apertado
e que ele deveria chama-las, como elas o haviam instruído.
Eu achava que a hora estava próxima.
Em seguida elas chegaram. Que alívio! Fizeram massagem,deita,
senta, levanta, anda, vira... E a dor continuava. Alias, aumentava.
A cada contraçao ela aumentava e permancia ate a proxima
contraçao.
A pscina ja estava a postos, so faltava encher, esquentar
a agua e mante-la aquecida, o que foi dificilimo. Mas tinhamos
o aquecedor de ambiente la, caso a temperatura da agua nao
fosse suficiente.
Passei a gestaçao toda planejando o registro do parto,
mas na hora eu fiquei extremamente irritada. O Leo pegava
a camera e eu perdia a paciencia. As vezes eu fazia uma força
e deixava que ele filmasse, pois sabia que me arrependeria
depois, apesar de naquela hora a gente nao ter muita noçao
do depois.
A gravidez melhorou muito a minha vida. Meu relacionamento
com todos se modificou. Amadureci, passei a ter mais paciencia,
calma, tolerancia, freios, carinho. Aprendi a silenciar e
cresci muito. Em troca disso, eu precisaria sentir aquela
dor absurda tanto na intensidade quanto na duraçao.
Simplesmente imensa, irritante,persistente, incontrolavel,
desesperadora, concentrada, bruta, grosseira, inesperada.
Eu sabia que doeria, mas tinha feito todos os exercícios
direititinho e nao pensei que fosse ser assim.
Elaa queriam que eu comesse, mas eu nao queria. Acabei cedendo
antes das 11:00h a um mingau de fubá que minha mae
fez e acabei vomitando-o inteiro assim que entrei na piscina
uma hora depois. Eu pedia muito para ir para a piscina e elas
terminaram por deixar. Eu achava que e a agua era minha unica
esperança da dor passar ou, pelo menos, aliviar. Mas
foi um erro ter insistido nisso, pois isso acabou retardando
minha dilataçao e, consequentemente, meu trabalho de
parto. Nao me dei conta de que a agua morna ajudava na dilataçao,
mas atrapalhava as contraçoes. Elas ja estavam boas
e regrediram. Foi nessa entrada na piscina que vomitei tudo.
A sorte foi que o Leo estava jogando água na minha
barriga com uma jarra de plástico e acabei vomitando
dentro da jarra. Ainda bem, porque ja pensou se eu sujo toda
a piscina que levamos horas para encher? Ninguem tem noçao
da trajédia que isso seria. ..
Fiquei na piscina por horas. Ate umas 14:30h. Elas "ordenaram"
que eu saísse da água, pois eu nao queria, já
que essa era a unica maneira de aliviar um pouco a minha dor.
A tarde chegou e eu ja estava muito cansada. Chorava de dor,
de desespero, de desesperança. Pedia a Deus para que
tudo passasse logo. A Helo cantava para mim uma cantiga antiga
das parteiras paras suas grávidas no momento do parto.
Perguntei qual era a Santa do parto para rezarmos para ela,
sem me lembrar que era a própria Nossa Senhora do parto...
E, principalmente, sem lembrar que nao sou católica!...
Eu nunca tive medo do parto, só estava ansiosa. A dor
que a gente sente no parto é profunda, silenciosa,
para dentro. Ela me pedia para entrar em mim, nao gritar.
Ela é forte, mas silenciosa e constante.Dói
mais "nos quartos", "nas cadeiras" do
que a própria barriga. Na hora eu achava insuportável,
mas agora nao acho tanto.
Eu planejei toda a gravidez registrar essemomento, filmando
e fotografando, me irritava quando o Leo tentava faze-lo.
Eu perdia a paciencia toda vez que ele tentava. Mas eu também
o queria comigo, segurando a minha mao e falando que tudo
ia dar certo, como ele sempre fazia.
Já bem à tardinha, comecei a delirar. Dormia
e acordava dizendo coisas que nao tinham nada a ver. Eu simplesmente
despertava falando frases inteiras que nao faziam sentido.
Ninguem entendia nada nem eu. A Helo tinha dito no pre-natal
a respeito do "neocortex" ou cérebro primitivo.
Acho que era isso.
As Enfermeiras queriam que eu andasse, mas eu nao conseguia.
Eu dizia que eu queria, mas simplesmente nao consegui me levantar.
Com muito insistencia, eu acabei me sentando no vaso do banheiro,
mais por elas do que por mim. Dessa forma seria mais fácil
o Kakau encaixar e descer.
Até entao minha bolsa nao havia se rompido.
Me lembro que depois das 18:00 eupensei que ele nao fosse
mais nascer. Achei que ia morrer e, pelo pimeira vez, pensei
em ir ao hospital. Mas eu sabia que lá seria cesárea
e isso para mim seria mais qque uma frustraçao, seria
um verdadeiro fracasso.
Minha dilataçao era de dois dedos apenas e elas disseram
que só fariam toque vaginal novamente quando achassem
apropriado, mesmo que eu pedisse. E eu implorava. E eu que
morria de medo do toque... Eu tinha esperança de estar
dilatada o suficiente em cada toque e nunca quis tanto uma
coisa quanto ouvir que estava com uma boa dilataçao.
Pedi algo para a dor e elas pareciam finalmente ter cedido.
Só o medicamento era exatamente para o contrario!...
Mas até que foi bom porque acelerou um pouco o trabalho
de parto.
Quando me tocaram novamente já passava de 8, 8:15.
E a resposta qe mais ansiava "8 pra 9", disse a
Dra Helo. Graças a Deus, quase chorei de alegria. Mas
a bolsa ainda nao estava rota e elas entao o fizeram. O instrumento
era tipo uma agulha de crochê. Aquele aguaceiro quente
escorreu pelas pernas. Estranho, engraçado, mas gostoso.Elas
entao permitiram que eu voltasse para a piscina e me disseram
que agora estava perto. Eu fiquei aliviada, mas nao acreditei
muito.
Faltavam poucos minutos para as 9 quando retornei à
agua.
Minha mae falava que eu podia gritar, só que a dor
é para dentro, nao para fora! A vontade de gritas só
veio depois do rompimento da bolsa, quando vinham as contraçoes.
Mesmo assim nao é um grito escandaloso: era um grito
de desabafo, de saída...
Só neste momento eu percebi que o trabalho de parto
estava acontecendo, evoluindo. Pelo menos, quando vinha cada
contraçao, eu sabia que estava adiantando. O que me
tirava do sério era a dor de antes que só aumentava,
mas nao progredia.
Já na piscina, eu fiquei sentada sozinha, do lado do
leo, meio de cócoras (pareia uma perereca, uma sapa
que só nao pulava por causa do peso, afinal eram 90Kg
de mulher) e no colo do Leo... Foi ali que à luz. Colocava
a máo na minha vagina e sentia a cabecinha dele, o
cabelinho... A cada contraçao, ele se aproximava e
eu o tocava melhor. Nao via a hora de ver seu rosto, tinha
esperado tanto por isto... Toda minha vida e agora estava
tao perto...
As dores entao se transformaram em dores de cólica
de fazer cocô (multiplicada por 1.000, é claro),
mas bem melhores do que as contraçoes paradonas e secas
anteriores. A cada contraçao, a cabecinha dele chegava
mais perto das minhas maoes, dos meus braços.
Quando a Helo disse que em menos de 5 contraçoes, ele
nasceria, eu nao acreditei. Mas para mim, tudo bem, porque
eu sabia que ele estava chegando. E minha situaçao
já era bem melhor.
O papizão me dava muita força. Me esqueço
de suas palavras, mas nao do tom de voz. Só me lembro
que que ele repetia várias vezes seguidamente algo
como: "Vai passar" ou "Vai dar tudo certo".
Minha mãe também tinha se superado. E eu nem
desconfiei que ela estava prestes a me levar para o hospital.
Depois de 3 contraçoes bem longas, fortes e doloridas,
o Klauss nasceu. Ele agora tinha um rosto. Do meu útero
direto para meus braços, como sempre sonhei...
Que sensaçao estranha... "Como aquilo podia sair
de mim", "Eu sou mae agora"...Nao é
amor, nem é paixao. Nao é ruim também.
É extase, alivio, magia. Alívio é a palavra
chave do pos-parto imediato.
O cordao foi cortado com ele nos meu braços. A 1ª
coisa que eu disse foi: "Ô meu coisinha, meu coisinha
de meu Deus!... Ô..."
Só depois, ele foi limpo. Eu achava que ele nao se
parecia com ninguem. Nariz chato, gordo, branquelo e lindo!
51cm, 3.950g. Cinco dedinhos em cada mao e em cada pé.
Todo perfeito, lindo...
Ele logo mamou. Mais tarde, depois de todos os cuidados e
do alívio, as Enfermeiras nos entregaram nosso bebê
e foram embora. Ficamos muito agradecidos. Somos todos muito
agradecidos a elas e nenhum dinheiro do mundo paga o carinho,
a seriedade, a firmeza, o profissionalismo, a harmonia e a
cumplicidade que tivemos naquele dia.
Agradeço a Deus todos os dias pelo presente que me
deu naquela noite, 11 de julho de 2002, às 21:22. A
dor foi grande, mas eu faria tudo de novo... E quantas vezes
fosse necessario.
Mamae Dielly M S Marchi
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Aguardo seu contato!
Obrigada por ler e fiquem com Deus
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