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Minha
filha tem hoje 1 ano e seis meses, Marcella é seu nome,
e nos próximos meses pretendo estar encomendando um
irmão ou irmã pra ela, mas diferentemente do
primeiro parto, no qual passei por uma cesarea quero fazer
acontecer e ter um parto normal.
Quando
fiquei grávida estava então com 23 anos, e sempre
sonhei em ter filhos, sempre foram meus planos e do meu marido.
E nunca passou pela minha cabeça ter uma cesarea, a
não ser que fosse necessário.
Meu
sogro é obstetra e por sinal excelente e muito ético
já me dizia que parto normal na minha idade era mais
que indicado, contava com ele pra tudo até pra indicar
um obstetra amigo dele, na epoca tinha um plano de saúde,
e realmente me encaixei perfeitamente com este médico,
ele pregava o parto normal, no entanto no quarto mês
de gestação mudei de plano e consequentemente
troquei de médico, também indicado pelo meu
sogro, claro que me lamentei de perder o primeiro, mas fazer
o quê? Tinha plano de saúde.
Esse
segundo médico operava com meu sogro no hospital maternidade
mais procurado aqui em São Paulo e apesar de ele nunca
ter me examinado ginecologicamente durante os 5 meses restantes
da gestação, resolvi confiar nele.
Chegava
nas consultas louca pra conversar e ele, me parecia, não
gostava de conversar muito, foi criado uma barreira, nossas
consultas pareciam muito formais, me angustiava, mas se tinha
alguma dúvida, corria pro meu sogro e ele como um pai
me auxiliava, ficava tranquila.
Mas
me sentia pouco a vontade com o segundo médico, ele
me via engordar, e jamais me alertou pros riscos que corria,
embora sempre corresse atrás de informação
e eu sabia dos riscos que corria continuei engordando e cheguei
a "ganhar" 31 kgs. na gestação, tive
problemas de asma muito sérios, que me levavam ao pronto
socorro quase toda a semana para tomar medicação
na veia e abrir os brônquios, acho que foi nessa época
com uns 7 meses de gestação que o médico
resolveu na cabeça dele que faria cesarea, como sou
alta, toda consulta que eu ia ele dizia que ia nascer um bebezão,
é claro que me envaidecia, quem não quer um
bebezão? A gente quer ver nosso filho sadio e forte,
mesmo porque, baixo peso dá internação
e queria sair com minha filha nos braços e não
deixa-la no hospital como vi acontecer com amigas minhas.
Bom,
com tantas crises de asma até o médico começou
a se preocupar e me encaminhou pra um pneumologista que me
receitou remédios pra aliviar o desconforto e me pediu
pra tomar o minimo de água possível, pois eu
estava super inchada, dali pra frente me sentia mais pronta,
sonhava com o parto normal, lia revistas e procurava me informar,
mas era muito ingênua pra sacar que meu médico
já tinha determinado meu parto, sem meu conhecimento,
só duas semanas antes que entendi o que ele queria,
mas como estava insegura acreditei nele, pois ele é
o médico amigo do meu sogro.
A
partir da 36 semana de gestação o médico
começou a dizer que o meu bebezão não
tinha encaixado ainda, apesar da minha filha já estar
em posição, a cabeça não tinha
encaixado. Nessa mesma semana fiz o último ultrasom,
cheguei pra ultrassonografista e falei com toda certeza que
era um bebezão, ela tirou as medidas e me disse que
num era nada absurdo que minha filha talvez nascesse gordinha
e não grande em centímetros.
Comecei
a desconfiar do médico, mas continuava travada em discutir
o assunto, principalmente depois que um dia meu sogro encontrou
uma forma de me dizer que meu médico e ele tinham se
encontrado num congresso e que meu médico disse que
eu era forte candidata a cesarea porque o nenê não
se encaixava, fiquei quieta ao escutar aquilo e meu sogro
ainda complementou que aquilo tinha que ser explicado a mim
e não a ele, porque ele que era o meu obstetra...fiquei
chateada, pois parecia que meu sogro não queria se
envolver - acho que é por causa da ética, mesmo
sabendo que eu buscava pelo parto normal.
A
última consulta foi exatamente quando completei 38
semanas, e foi quando me deu o ultimato, "o bebê
não se encaixou e na próxima semana se continuar
assim vamos marcar a cesarea", lembro que aquilo me gelou,
mas gelou de forma que fiquei contrariada e engoli aquilo
sem questionar, no fundo tinha medo de fazer mal ao bebê,
que ele tivesse razão e eu estivesse bancando a teimosa,
de ficar ali insistindo e depois dar errado alguma coisa eu
ia me sentir culpada. O que me deixou mais contrariada que
ele logo foi pegando a agenda e vendo os dias que tinha livre,
foi horrível, mas me convenci da proposta.
Fui
pra casa rezando pra que ela encaixasse e desse sinal de que
ia contrariar o que o médico disse. A última
consulta foi na sexta, quando foi domingo lá pelas
8 da noite comecei a sentir desconforto, achava que não
era parto, achava que estava com vontade de ir ao banheiro,
ia de cinco em cinco minutos e nada acontecia, comecei a sentir
e ter certeza que eram contrações lá
pela uma da manhã de segunda feira, chamei minha irmã
que também é médica e ela constatou que
eram contrações sim, e vinham no intervalo de
dez em dez minutos, mas eu não achava que era hora
ainda, mas que estava se aproximando, sabia que ia demorar,
mas meu marido e minha irmã me falaram pra ligar pro
médico e eu dizia não, estava super tranquila
e não queria acorda-lo as 2 da manhã, mas tanta
insistencia, liguei, ele atendeu com aquela voz de sono e
me mandou tomar buscopan, porque ele achava que era cólica,
tomei o remédio, mesmo duvidando que fosse surtir efeito,
liguei pra ele uma hora depois, me mandou ir pro hospital,
tomei uma ducha e fui, lembro que no carro, embora super tranquila,
sentia dores, não insuportaveis, mas iam amadurecendo.
Chegamos
no hospital umas 3;30, meu sogro e minha irmã chegaram
logo em seguida, ficamos preechendo papelada na entrada da
maternidade, fui pra triagem, as enfermeiras me examinaram
e eu tinha 2 cm de dilatação, pouquinho, mas
continuava tranquila, elas ligaram pro meu médico e
passaram minha avaliação pelo telefone, eu já
esperava que dali ia pro parto mesmo, perguntaram pro meu
médico se era pra me depilar os pelos pubianos todos
ou só a parte de cima, é claro que usaram termos
técnicos, mas não me lembro quais eram, mas
entendi, vi que a enfermeira insistiu, mas acatou o que ele
falou, veio e me depilou só a parte de cima dos pelos.
Subi
pra pré parto direto, lá encontrei minha irmã
e sogro que tinham acesso aquela area por serem médicos
e por meu sogro ser muito conhecido por lá, posso lhes
dizer como foi maravilhoso te-los ali comigo e vendo meu atendimento
que foi maravilhoso.
Acho
que já passava das 5 da manhã e nada do meu
médico chegar, escutei meu sogro ligar pra ele e chamar,
perguntou se ele estava a caminho, acho que depois dessa ele
resolveu sair da cama e apareceu.
Foi
a primeira vez que ele realizou um exame ginecologico em mim,
disse que eu estava com 1 cm apenas, sendo que na triagem
a enfermeira me disse 2 cm, devo ter regredido, continuou
me dizendo que minha pressão tinha subido um pouco,
que a cabeça da minha filha não desceu e que
ia pra cesarea, Gente a falta de intimidade neste momento
foi um desatre, queria sair correndo dali e começar
tudo de novo. Ele saiu de perto de mim e logo foi dizendo
pro meu sogro que ia ser cesarea e tal.
Fui
pra cirurgia sem saber o que pensar, não tinha intimidade
com ele pra me aprofundar e questionar, fora que não
queria que pensassem que tava fugindo da raia, e outra coisa
achava que meu protetor (meu sogro) não me apoiaria
mais, até por questões eticas.
Fui
quieta pra cirurgia, mas calma, me elogiavam pela calma, minha
irmã e meu sogro entraram pra ver o parto juntamente
com meu marido, deixei que participassem desse momento comigo
e não me arrependo, são médicos e me
deixaram mais confortavel.
Fui
colocada no centro cirurgico, anestesiada, aliás, meu
anestesista foi um anjo de pessoa, acho que conversou comigo
mais que meu médico em meses de consultas, meu anjo
que me salvou das dores que me prometeram após a cesarea.
Me
colocaram deitada, pois não sentia mais nada da cintura
pra baixo, me colocaram na posição de Jesus
Cristo na cruz, onde colocam espadrapos nos seus braços
te impedindo de mexe- los, colocarm tipo de uma pequena tenda
entre minha barriga e meus olhos de forma que não visse
o procedimento e eu louca pra olhar tudo, mas nem isso eu
podia, ficamos passíveis de tudo e deixamos que o médico
e não a natureza faça o trabalho tão
bonito.
A
Marcella nasceu as 6;21 da manhã de uma segunda feira,
olhei meu sogro e minha irmã chorando, meu marido se
segurando e eu tentava enxergar, escutar qualquer sinal de
que ela tava bem, pra mim, embora tivessem sinalizado que
ela tinha nascido, queria um sinal visual, auditivo, alguma
impressão, vivi segundos de ansiedade, vi colocarem
alguma coisa no bercinho que tinha no começo da sala,
vi dois pezinhos com dedinhos bem abertos levantados e eu
comecei a chorar muito, uma emoçao tão forte,
a união do céu e da terra pra mim quando ela
finalmente chorou chorava alto assim: " Mé, mé
, me", tão lindo, graças a influencia do
meu sogro, colocaram ela bem pertinho de mim pra que nos sentissemos,
a hora mais emocionante foi quando quase estavam levando a
Marcella embora, perguntei pro meu marido se ele não
queria pegar também, entregaram a pequena pra ele,
ele colocou no colo e abaixou o rosto sobre ela, de forma
que ninguém mais podia enxergar, ela sumiu no colo
dele, e podíamos ouvir ele sussurando pra ela, foi
quando seu pai chamou sua atençao que o centro cirurgico
era frio, por causa do ar condicionado, e que teriam de leva-la,
quando meu marido levanto o rosto pra entrega-la lá
estavam os dois banhados em lágrimas, foi a hora mais
emocionante de todas pra mim, gosto de ter aquele momento
na minha memória sempre, cada detalhe bem gravado pra
nunca esquecer, foi o primeiro contato real de pai e filha,
porque nós que carregamos temos uma dimensão,
agora os homens que estão tendo o primeiro filho não
sabem como é gostoso carregar aquele serzinho.
Quando
me costuraram , minha irmã, meu sogro saíram
da sala, logo depois meu marido e todos acabaram indo, fiquei
alguns minutos no centro cirurgico sozinha, me senti a criatura
mais solitaria.
Mais
um pouco me levaram pra recuperção, tinha que
voltar a sentir meus pés e ter um pouco dos movimentos
de volta, acho que a única coisa que pensava era na
minha filha que queria ela perto de mim, queria cuidar dela,
mas me sentia incapaz, presa.
Fui
pro quarto umas 9 da manhã e perguntava pra todas as
enfermeiras da minha princesa, acho que de tanto perguntar
trouxeram minha flor pra mim, lá pelas 11 da manhã
começaram a me ensinar a dar o peito, tinha tanta sintonia
entre nós duas que foi de primeira, logo pegou o peito
e tentou mamar, pelo menos ficou lá sugando, fiquei
empolgada, e recebemos elogios, pois é raro logo de
primeira dar certo e deu.
Me
sentia tão bem, claro que com limitações,
não conseguia descer da cama sozinha ainda, mas também
não senti um pingo de dor, foi engraçado porque
quando meu sogro voltou de tarde perguntei pra ele quando
as dores iriam começar, ele riu e me disse que se tinham
que começar já estariam acontecendo.
Foi
ótimo, sei que o anestesista combinou a peridural com
morfina, contribuiu bastante pra que meu pós opertorio
fosse de ouro. Agradeço a ele até hoje.
Minha
cirurgia deu certo, e de certa forma não questiono
muito o que meu médico fez, minha filha nasceu gordinha
com 3.580 e 47 cm, no final não era o bebezão
que ele disse, mas talvez meu parto não evoluisse pro
normal e eu tivesse sofrido pra depois ainda ter que encarar
a cesarea, quem sabe? Gosto até de pensar assim pra
me absolver da culpa de não ter lutado, contestado,
corrido atrás.
Mas
sei que meu sonho continua, ter um parto normal. E com a base
que esse site me deu, tenho certeza que vou atrás de
um médico que me ajude a conquistar esse sonho, que
me dê ao menos a chance de tentar realizar.
Mudei
de plano novamente e procurei aquele primeiro ginecologista,
falei da cesarea, mas não me queixei de seu colega
de profissão, disse que quero um segundo filho e quero
parto normal, mas ele foi logo me dizendo que eu corria riscos
de ruptura de útero, porque ou ele me estimularia ou
me daria analgesicos, porque os dois poderiam comprometer
meu útero, fiquei perdida, porque há um tempo
atrás conversando com meu sogro ele me disse que eu
poderia perfeitamente tentar parto normal que o risco é
muito pequeno. Por isso fiquei chateada mais uma vez e desiludida
com os obstetras, pena que meu sogro não pode ser meu
obstetra.
Mas
agora tenho muita certeza que posso, após ler os depoimentos
aqui de mulheres que após uma cesarea viverm a alegria
de um parto normal, tenho base pra argumentar, pra procurar
um médico que esteja de acordo comigo e com minha vontade
sem comprometer minha vida ou de meu futuro bebê. Acho
importante procurar um médico que te explique tudo,
que esteja atento a sua vontade e que seja um bom parteiro
além de cirurgião.
Quero
deixar claro, que apesar de ter engordado 31 kgs. , minha
saúde estava boa, asma não é motivo que
impeça ninguém de dar a luz naturalmete, não
sofri de diabetes e nenhum disturbio, minha pressão
subiu um pouquinho , mas só antes do parto, me disseram
que foi o "medrometro" subindo.
Soraia
Duduss
sduduss@uol.com.br
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