Taina de Andrade - Americana, SP
Parto de Cócoras em Campinas

 

Meu nome é Taina de Andrade, advogada, tenho 27 anos, casada com José Geraldo de Andrade, cirurgião-dentista. Sempre tive o desejo de ter um bebê. Só que eu pensava: e o parto? Falam que dói....será que eu aguento?

Desde o começo da gravidez, desejava uma parto normal. Comecei a fazer o pré-natal, realizando os exames básicos e fundamentais para uma boa gestação e saúde do bebê. Busquei uma alimentação saudável e equilibrada, ingerindo muito líquido (água e sucos). Também, comecei a me preparar psicologicamente para o parto. Li o livro "Parto Ativo" de Janet Balaskas, que foi a minha cartilha nas horas de dúvida e medo em relação ao parto natural. Quando dava aquela dúvida, a resposta estava ali.

Só que eu imaginava um parto normal tradicional, aquele com anestesia e espisiotomia (corte), mas fui convidada por uma amiga a conhecer o parto ativo, ou seja, um parto natural, sem anestesia ou episiotomia. Na hora falei:- Eu, nem pensar, deve doer muito! Mas, ela me falou: tive meu filho de cócoras, foi emocionante e nem doeu muito. Depois comi arroz, feijão e frango assado! (E riu para mim) Ele nasceu na segunda contração, com 3,600 Kg, apgar 10.

A partir daí, também tive o desejo de ter um parto de cócoras. Falei com o meu marido: - Você me ajuda? Neste parto o pai pode cortar o cordão umbilical. Ele respondeu: -Claro, pode contar comigo!

Fui até a Unicamp, onde há uma equipe médica que oferece este tipo de parto. O "Grupo de Parto Alternativo". Lá conversei com o Docente responsável, Dr. Hugo Sabatino. Em poucos minutos ele me convenceu que o parto pode ser fácil, seguro, saudável e bonito, tanto para a mãe quanto para o bebê.

Fui então, convidada a participar da preparação para o parto, em Campinas, onde há um preparo com fisioterapeuta, nutricionista, enfermeira, etc, profissionais que humanizam este momento importante da vida da mulher, e do homem também, nos preparando não só para o parto, mas também para a amamentação e os primeiros cuidados com o bebê. Como moro em Americana, participei uma só vez, e fazia os exercícios em casa. Lá, no grupo, pude ter contato com casais que também optaram por um parto humanizado, e nos momentos finais, por telefone, me ajudavam e me confortavam, pois era meu primeiro parto.

Nas semanas finais, estava muito calor, e eu já vinha tendo contrações fortes durante o dia e a noite, tendo que ficar "de quatro" para o bebê desencostar a cabeçinha do colo uterino. Já estava com dois centímetros, o que mostrava que o momento do parto estava próximo.

Ficava receosa, mas com o desejo ardente de conseguir vivenciar o parto de cócoras.

Na última semana, faltavam ainda sete dias para o parto, já estava com 5 cm de dilatação, e havia perdido o tampão uterino, e como moro em Americana tinha medo de não dar tempo de chegar até o CAISM (Centro de atenção integral à saúde da mulher), mas o Dr. Hugo me passou a confiança de que daria tempo sim. Isso eu admirei nele, sempre atencioso, nunca menosprezando meus medos, ou dúvidas. Incentivando-me a não desistir de esperar a hora certa. Ele me dizia: - A hora do nascimento quem escolhe é o bebê! Não se preocupe, está tudo bem!

E com isso, fui cada vez mais confiando nele, e me sentindo segura em relação ao parto.

Chegou o dia! Era terça de carnaval. Quando levantei vi que meu pijama estava molhado. Percebi que a bolsa havia rompido parcialmente. Fui até o CAISM, realizei todos os exames necessários, e constataram que eu estava com seis centímetros de dilatação, sem dor alguma ou nervosismo. Estava tão calma que eles me liberaram para ficar hospedada na casa de um amigo próximo da Unicamp. Já estava em trabalho de parto, passei na padaria, fomos até a casa desse amigo e lá pude lanchar.

Comecei então a ter sono. Fui dormir, já eram 17:00. Acordei às 18:20 com a bolsa rompendo por completo. Tomei banho e fui para o hospital. Já estava com sete centímetros para oito. Fui para o quarto do pré-parto acompanhada de meu marido onde realizamos algumas técnicas para suportar as dores das contrações. Foi neste momento que pude realmente sentir a dor do parto que tanto falavam, que para mim foram doloridas, mas suportáveis. Além disso, contei com a ajuda de um gostoso chuveiro, com água bem quentinha, que aliviavam as dores.

Estava chegando então o tão esperado momento! Fui até a sala do parto de cócoras onde sentei em uma cadeira projetada especialmente para este tipo de parto. Havia música e pouca luz, e uma equipe médica que me deu todo o apoio e segurança de que diante de qualquer imprevisto eu estaria em boas mãos.

Só que as dores começaram a ficar mais fortes e neste momento a ajuda de meu marido foi fundamental, ele colocava a mão em minhas costas e dizia palavras positivas como, "falta pouco", "ela tá vindo", "respire", "agora descanse". E uma coisa engraçada é que eu escutei dizer que tem enfermeiras que não gostam que a parturiente grite, elas acham feio, tem preconceito etc. Eu, instintivamente pude gritar nas contrações finais sem medo algum, ou receio.

Dei meus gritos, e quando gritava a dor diminuia, até que quando minha filha estava quase saindo, não senti mais dor, apenas uma sensação gostosa com ela mexendo lá dentro. Depois de várias contrações, ela nasceu, saiu tão rápido que a médica que ia pegá-la assustou com a facilidade da saída da cabecinha, ombro e corpinho. Tamiê, logo chorou, não foi aspirada, teve apgar 10 e foi colocada em meu peito para mamar. Meu marido, Andrade, pode cortar o cordão umbilical. Foi maravilhoso, inesquecível!

Foi um momento mágico, onde eu e meu marido naquele momento nos tornamos uma família. Da minha entrada no hospital às 19:20 até às 21:05 pude vivenciar o momento mais marcante de minha vida.

Eu não necessitei de episiotomia, ou tomei qualquer tipo de analgesia. Após o parto fui ao quarto, tomei um delicioso e relaxante banho, e meu marido me levou uma bela macarronada com guaraná à uma e meia da manhã. Sem contar ainda que a recuperação foi muito tranquila.

Depois fiquei olhando para a Tamiê, meio sem acreditar que aquele bebezinho lindo era minha filha.

Posso dizer que graças ao parto de cócoras tornei-me mulher. E meu útero cumpriu a missão dele naturalmente.

No dia seguinte pedi até desculpas ao Dr. Hugo por ter gritado tanto, mas ele disse: - Este é o grito do tenista onde a cada contração é como que você estivesse dando uma raquetada. Está certo! Parabéns!

Ele hoje é mais que um médico para mim, é um amigo, com certeza os próximos partos realizarei no CAISM. E quanto ao meu marido, sem a tranquilidade e a força dele talvez não conseguisse enfrentar o parto.

Tamiê é um bebê saudável, que nem cólica tem. É super tranquila, esperta, dorme bem à noite, quase não chora. E mama muito no peito, pretendo amamentar o máximo possível.

Recomendo à todas as mulheres a experimentar este tipo de parto, onde você respeita não só a natureza de seu corpo, mas seu filho também. Num parto natural (natural mesmo), sem anestesia, você se realiza como mulher em todos os sentidos. O palco da vida como chamam a cadeira do parto de cócoras, mudou a minha existência. Tanto que agora eu tentarei o quanto puder divulgar este parto, pois está na hora da mulher voltar a conhecer seu próprio corpo como antigamente, não tão longe assim, época de minha avó que teve seis filhos naturalmente. Como disse Mkhel Odent: "Para mudar a vida é preciso primeiro mudar a forma de nascer". Mergulhe nessa vivência. Ouse experimentar...e Boa sorte!

Taina de Andrade
E-mail: cepresb@horizon.com.br
Americana, SP

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