Mônica Cristina Bisson - São Paulo, SP
Cesárea que deixou marcas

 

Há uma ano atrás, após 10 anos de casamento tivemos nossa primeira filha. A gravidez correu sem intercorrências, mas na data para o nascimento, e eu tinha certeza da DUM pois estava fazendo tratamento e anotando todos os ciclos,não tive sinais de trabalho de parto, com 41 semanas o médico(adepto de cesarianas)começou a dizer que a bebê estava correndo risco se esperássemos mais, começei a me apavorar, mais ainda meu marido, e acabei concordando com a cesárea.

Foi uma experiência horrível, após tanta expectativa não vi e nem senti a minha filha nascer, tive um hematoma enorme na incisão cirúrgica, talvez tenha lesado mais nervos que o normal e tenho a área toda dormente até hoje. Ficava me lembrando da cirurgia, quando o médico chamou meu marido para ver ela nascer e eu pedi que abaixassem o pano e ele respondeu que eu não podia vê-la nascer.

Após o parto só o que eu conseguia fazer era chorar e me revoltar,até hoje estou a base de antidepressivos para conseguir est! udar e cuidar da minha filha. O médico me afirmou que ela teria entrado em sofrimento fetal se ele não intervisse pois ela estava com a cabeça fora da posição (distocia fetal)e com o cordão enrolado nos pés.

Minha revolta, portanto, é hora com minha má sorte ou minha covardia ou por não ter procurado outra assistência. Não sei o que pensar. Na minha família fui a última a nascer de parto normal (e já tenho 34 anos). É uma família que acha "chique" a cesariana pois implica(não foi o meu caso pois tudo foi pelo convênio)em pagar o médico pela cirurgia eletiva, mostrando um poder aquisitivo melhor.

Sou tida como ignorante e riem quando falo de mim, parece que minha frustação não vai passar nunca. Enfim, foi essa minha experiência e agradeço a oportunidade de poder falar no assunto.

Mônica cristina Bisson
mcbisson@terra.com.br
São Paulo, SP


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