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Há uma ano atrás, após 10 anos de casamento
tivemos nossa primeira filha. A gravidez correu sem intercorrências,
mas na data para o nascimento, e eu tinha certeza da DUM pois
estava fazendo tratamento e anotando todos os ciclos,não
tive sinais de trabalho de parto, com 41 semanas o médico(adepto
de cesarianas)começou a dizer que a bebê estava
correndo risco se esperássemos mais, começei
a me apavorar, mais ainda meu marido, e acabei concordando
com a cesárea.
Foi
uma experiência horrível, após tanta expectativa
não vi e nem senti a minha filha nascer, tive um hematoma
enorme na incisão cirúrgica, talvez tenha lesado
mais nervos que o normal e tenho a área toda dormente
até hoje. Ficava me lembrando da cirurgia, quando o
médico chamou meu marido para ver ela nascer e eu pedi
que abaixassem o pano e ele respondeu que eu não podia
vê-la nascer.
Após
o parto só o que eu conseguia fazer era chorar e me
revoltar,até hoje estou a base de antidepressivos para
conseguir est! udar e cuidar da minha filha. O médico
me afirmou que ela teria entrado em sofrimento fetal se ele
não intervisse pois ela estava com a cabeça
fora da posição (distocia fetal)e com o cordão
enrolado nos pés.
Minha
revolta, portanto, é hora com minha má sorte
ou minha covardia ou por não ter procurado outra assistência.
Não sei o que pensar. Na minha família fui a
última a nascer de parto normal (e já tenho
34 anos). É uma família que acha "chique"
a cesariana pois implica(não foi o meu caso pois tudo
foi pelo convênio)em pagar o médico pela cirurgia
eletiva, mostrando um poder aquisitivo melhor.
Sou
tida como ignorante e riem quando falo de mim, parece que
minha frustação não vai passar nunca.
Enfim, foi essa minha experiência e agradeço
a oportunidade de poder falar no assunto.
Mônica
cristina Bisson
mcbisson@terra.com.br
São Paulo, SP
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