| "Quando
eu nasci"
Um breve histórico
Oi, meu nome é Tami e faz 25 dias que deixei de ser
aquela espécie de peixe espremido e virei gente que
respira.
Sou a quarta filha de meu pai e a terceira de minha mãe,
a temporona, a raspa do tacho como se dizia antigamente. Obviamente
não fui planejada, e, como na minha casa tudo é
de verdade, não vamos ficar com falsos moralismos:
ninguém me queria. Nem meu irmão de 11 anos,
nem a de 21 e muito menos a de 9. Papai engolia em seco e
a única palavra que disse foi: “encaramos”.
Mamãe, que das outras vezes em que ficou grávida
saiu correndo para contar a Deus e ao mundo, quando ficou
sabendo de minha existência entrou em perplexidade e
levou um tempão para fazer o exame. É que ela
tinha certeza de que estava grávida e sabia que o resultado
positivo mudaria sua vida para sempre, porque um filho muda
a vida de uma mulher para sempre e um outro filho muda tudo
de novo e assim sucessivamente. Nova vida chegando é
nova vida mesmo, principalmente para a mãe, e especialmente
para o tipo de mãe que eu tenho: amamenta um tempão,
mesmo depois que já sabemos andar, faz questão
de dar os banhos, trocar as fraldas e até se orgulha
de nunca ter contratado uma babá.
Narcísista a minha mãe. Mas tudo bem, antes
mãe narcísista do que mãe deprimida,
sem força, com preguiça de amamentar. E como
toda pessoa narcisista, mamãe é perfeccionista
e controladora.
E foi baseada em seu narcisismo e excesso de controle que
ela passou a gravidez planejando o dia do meu nascimento...
He he he…
Como os outros partos demoraram 18 e 17 horas, ela e papai
achavam que o meu demoraria pelo menos umas 12, talvez 8 horas.
Escolher o local onde eu nasceria foi um verdadeiro trabalho
de parto que consumiu horas e horas de pesquisas, entrevistas
e visitas às maternidades da cidade.
Meu irmão mais velho nasceu no esquema tradicional
de uma maternidade privada. Quando mamãe deu o primeiro
ai levou uma analgésia, quando deu o primeiro ui ganhou
uma peridural, sem contar com a ocitocina e com as horas e
horas em que ficou deitada numa maca de pernas para cima sendo
chamada de mãezinha. No final das contas meu irmão
nasceu, foi levado para o berçário depois de
um rápido olá para mamãe, ganhou nitrato
de prata nos olhos, injeção de kanakion, glicose
via oral, primeira dose de BCG e tudo o que o Ministério
da Saúde tornou obrigatório e que os pais, na
imensa maioria das vezes, sequer imaginam que acontece com
seus filhos recém-nascidos nas maternidades públicas
e privadas do Brasil. O mano acabou também pegando
uma bactéria tinhosa na tal maternidade. Mamãe
e papai sofreram muito mas meu irmão, que é
um forte, se salvou e hoje é um meninão que
se acha, bacana mesmo, inteligente, o bom nos esportes, um
cara legal e, por sorte, normal, afinal de contas septicemia
é coisa séria que poderia ter deixado seqüelas.
Bem, depois dessa, quando mamãe ficou grávida
de minha irmã, ela e papai procuraram logo as vias
alternativas e a mana nasceu com um médico experiente,
em casa. Tudo foi minuciosamente estudado e preparado, desde
a esterilização do quarto até providências
para uma emergência. Mamãe não tomou medicamentos
e o parto, apesar de demorado, ocorreu sem muitas dores ou
nervosismos. Foi uma verdadeira reparação ao
sofrimento vivido antes.
Tudo estava perfeito, fechado com chave de ouro: um menino,
uma menina, mais a irmã grande por parte de pai; não
faltava ninguém. Todos saudáveis, não
havia exatamente nenhum motivo para a minha vinda. Mas, como
muitas coisas nessa vida não têm explicação,
eu apareci e desde o princípio bastante decidida.
Foi difícil vencer os irmãozinhos espermatozóides
naquele 15 de novembro, único dia do ano em que papai
e mamãe vacilaram. Alguns eram realmente espertos e
muito velozes mas eu fui a melhor, dei tudo de mim, eu realmente
queria sair daquela vida em baixa temperatura, vida ao meio,
apertada entre tantos, quase igual a todos. Eu queria o lugar
almofadado e único, quente o bastante para me fazer
crescer.
E consegui, por pura competência, sem falsa modéstia.
Fui crescendo dentro da barriga da minha mãe, esse
ser humano legal, apesar de controlador e perfeccionista.
Bem, depois de tentarem de todas as formas que o obstetra
fizesse o parto em casa, por causa do pavor que papai e mamãe
ficaram da linha de montagem hospitalar, finalmente eles aceitaram
a sugestão do médico: clínica particular,
parto no apartamento sem touca verde, sem enfermeira, sem
intervenções na mãe ou na bebê,
euzinha.
Mamãe visitou a tal clínica várias vezes,
conversou com o pediatra, fez acordos para se livrar das regras
do Ministério da Sáude, as prevenções,
as medidas profiláticas da medicina moderna, que meus
pais chamam de medicina pré-invasiva. Ela revistou
os apartamentos, a cozinha, os banheiros...Procurou baratas,
sujeiras, antipatias. Não encontrou coisa alguma que
pudesse impedi-la de me dar à luz na tal clínica.
E então só faltava convencer papai. Os dois
visitaram a clínica juntos e saíram satisfeitos,
decididos a experimentar o tal parto humanizado com as vantagens
de ser em local seguro, com berçário, pediatras
e outras medidas de segurança, caso houvesse algum
imprevisto.
O pré-natal transcorreu quase normal, exceto pelo resultado
da ultrassonografia com doppler, no quinto mês, que
atestou peso fetal abaixo do normal para a idade gestacional,
além de levantar a suspeita de que mamãe poderia
apresentar eclâmpsia. Mamãe se alimentando bem,
sem nunca na vida ter tido problemas de pressão alta,
não sabia o que fazer e chorava, chorava. Papai duvidou,
ficou furioso e disse que era erro da máquina ou do
Dr Jumento que a pilotava. Mamãe foi aos livros e descobriu
que os fetos, como as crianças, têm picos de
crescimento e de engorda. Isso fazia sentido porque meu peso
era abaixo do mínimo esperado mas meu comprimento estava
no padrão máximo. Mesmo assim meus pais chegaram
ao consultório do obstetra bastante preocupados.
O Dr Marcos, obstetra escolhido a dedo por mamãe e
papai, experiente, humanista, disse que uma máquina
é apenas uma máquina e que tudo indicava que
mamãe e eu estávamos indo muito bem. Ele é
um cara legal, soube acalmar mamãe durante o pré-natal
inteiro. É que ela, além das características
que contei antes, é também meio neurinhas. Na
gravidez foi acometida de uma insegurança sem precedentes
para uma mãe de terceiro filho. Em um belo dia acordava
achando que seria vítima de um descolamento de placenta,
em outro tinha certeza de que eu -- euzinha vejam só
!-- tinha algum problema só por ser filha de um homem
de 55 anos e de uma mulher de 38.
Fora
a questão da pré-eclâmpsia, do meu suposto
baixo peso para a idade gestacional...Mas é claro que
ela também tinha lá suas certezas internas de
que eu era forte e que tudo estava bem comigo.
Mesmo neuras, tadinha, minha mãe segurou a onda no
peito e não me submeteu a altas espionagens na barriga,
tipo amniocentese e aqueles outros exames da medicina pré-invasiva.
O Dr Marcos deu um apoio substancial, sempre encorajando mamãe,
sempre afirmando que ela tinha tudo para ter um parto normal
e que com uma pressão tão boa e estável,
nada indicava pré-eclâmpsia.
Além do tempo dos trabalhos de parto, outra coisa que
mamãe insistiu durante a gravidez inteira em comparar-me
aos meus irmãos foi o tempo de gravidez. Meu irmão
mais velho nasceu com 36 semanas e minha outra irmã
com 37.
Quando cheguei a 37 semanas estava me sentindo ótima,
e ainda achava que deveria ficar dentro de mamãe. Ela
começou a ficar ansiosa, as pessoas não paravam
de ligar para a nossa casa, mamãe quase comendo a porta
da geladeira, os botões do fogão...E eu curtindo,
na minha. Com 38 semanas continuei achando que estava tudo
bem para mim, a despeito dos sentimentos de mamãe e
de uma certa insatisfação que ela já
sentia comigo lá dentro. Veio até com uns papos
de que queria me ver, me amamentar, que aqui fora eu ia ver
só como era melhor do que lá dentro. He he he,
ela é sedutora também, mas nem liguei, sou mais
eu, sempre fui.
Com 39 semanas completas me enchi daquilo tudo. Não
aguentava mais o mau humor de mamãe e a ansiedade do
papai, da vovó e de meus irmãos, mas o que eu
não estava mais gostando, de fato, era ficar entalada
de cabeça para baixo.
Mamãe nunca esperou que eu nascesse em um dia de chuva
porque meus dois irmãos – argh, detesto comparações
— nasceram em dias de céu azul claríssimo.
E todo o dia em que amanhecia um dia assim, límpido
de céu azul anil, a minha genitora achava que seria
o dia "D".
Foi
numa segunda-feira chuvosa, no dia em que o médico
defendia sua tese de mestrado, que eu resolvi que seria a
minha hora de nascer...He he he.
Mamãe acordou sentindo contrações leves,
só um pouco diferentes das de Braxton. Levantou, serviu
o café da manhã para meus irmãos e avisou
papai que estava parecendo ser o dia "D".
Ela não queria ir à maternidade deixando a despensa
vazia. Então arrumou as malas, colocou-as no carro
e resolveu ir com papai ao supermercado comprar coisas gostosas
para meus irmãos e para vovó que estava hospedada
em nossa casa.
Mesmo achando estranho eu dar sinal em um dia nublado, mamãe
estava especialmente feliz e papai também, eles sentiam
que eu estava me aproximando. No supermercado as contrações
ritmaram, passaram a vir de 15 em 15 minutos. Por volta das
11h mamãe ligou para o médico. Às 13h
ele a examinou em casa. As contrações estavam
de 12 em 12 minutos e às vezes voltavam a ser de 15
em 15min.
O médico deu o veredicto: “É para hoje,
não é para já, o nenê ainda está
alto, o colo já está fino mas só tem
dois centímetros de dilatação”.
Papai calculou que eu nasceria lá pelas 21h, mamãe
achou que era para o final da tarde, início da noite.
O médico, já amolecendo sobre a questão
“parto em casa”, ficou de ver mamãe às
17h, hora marcada para o final de sua defesa de tese, e quando
decidiriam em que lugar mamãe se sentiria mais tranqüila
para me ajudar a nascer.
Ninguém achou que eu nasceria antes disso. Papai e
mamãe, pelo menos, tinham certeza de que eu só
nasceria depois das 18h...Ra ra ra...
O trio da sabedoria adulta achou que era melhor ficar em casa
e só ir para a clínica caso as dores se intensificassem
e entrassem em ritmo mais freqüente pois, desde o início
da gravidez, o acordo era passar o trabalho de parto em casa.
Para mim isso estava perfeito!
Mamãe, the controller woman, havia planejado uma série
de exercícios de bioenergética -- e também
conseguiu uma bola emprestada com um fisioterapeuta –
para trabalho de parto, a fim facilitar a minha descida e
me manter oxigenada, quando as dores aumentassem. He he he...
Assim que o médico saiu, mamãe sentou-se à
mesa para almoçar. Ela estava sentindo-se ótima
e faminta, mas vovó aconselhou-a a só tomar
um caldinho da sopa. Meio a contragosto ela acatou o conselho
e tomou só o caldo, bebeu um suco, não resistiu
a uma colherada de doce de abóbora, e foi deitar-se.
As malas já estavam no carro, tudo parecia muito tranqüilo,
a chuva caindo...Os planos eram descansar até por volta
das 16h, tomar um banho e encontrar com o médico na
clínica em vez de esperá-lo em casa.
No dia "D" quem queria ir para a clínica
era mamãe. No final da gravidez ela foi tomada de uma
animação e virou a dondoca da maternidade; comprou
até bolsa bacana e pijama de seda, sem contar com a
fantasia máxima da perua parturiente: imaginar o marido
entrando com ramalhete de flores porta a dentro da clínica
com a boca nas orelhas. Tudo estava programado, sob controle,
como mamãe adora.
Papai continuava contando as contrações de mamãe
e elas continuavam vindo de 10 em 10 minutos até por
volta de 15h. Mas começaram a ficar mais intensas e
mamãe levantou assustada. Eu lá, fazendo a maior
força, girando devagar, empurrando com minha cabeça,
impulsionando com as pernas. Assim que levantou ela falou
para o papai que as dores estavam apertando e que ela já
não conseguiria mais dormir. Resolveu ir ao banheiro
e sentiu uma contração na porta, outra quando
estava fazendo pipi e logo mais uma quando encarou papai,
que também já havia levantado da cama. Papai
olhou para ela e perguntou: “Você não disse
que quando as contrações ficam de um em um minuto
é porque já está muito perto de nascer?”
Mamãe não teve tempo de responder. Veio outra,
outra e mais outra. Ela sentiu que eu estava vindo mas não
conseguia raciocinar mais, a dor era de uma ignorância
profunda. Os dois ficaram alguns segundos ali sem conseguir
acreditar no que estava acontecendo. Papai avisou mamãe
que não dava mais tempo de ir à clínica
mas seria viável ir ao Hospital Universitário,
que fica a cinco minutos de nossa casa. Mamãe imaginava-se
em qualquer posição, menos sentada e para ir
ao HU seria necessário sentar no banco do carro. Mas
o que mais a assustava, além de imaginar-se sentada
em cima de minha cabeça, era a cena mais do que temida
de sua chegada no hospital durante uma chuvarada, com a carteira
de identidade na mão direita e a minha cabeça
na esquerda. E era exatamente isso o que ela imaginava. E
isso parecia pior do que chamar os bombeiros. De qualquer
maneira não estava dando tempo nem de chamar o médico!
E eu ali, a única que sabia muito bem o que estava
fazendo, plena de meu córtex mais do que sensorial,
única em meu momento maior desde o dia que deixei os
irmaozinhos espermatozóides para trás.
Em meio a essas estranhas imagens, que passavam rapidamente
pela cabeça descorticalizada de mamãe, explodiu
no céu uma trovoada e mamãe teve uma contração
fortíssima. Já não dava tempo de coisa
alguma. Num último esforço ela tentou ir até
a porta e sair do quarto, buscar socorro. A bolsa rompeu antes
que ela alcançasse a maçaneta. As dores aliviaram
e ela pediu ao papai que andasse rápido com uma calça
limpa e seca para saírem. Mamãe só repetia
para si mesma que não era índia, que não
acreditava naquela cena Almodóvar, que era preciso
ser socorrida porque a nenê poderia precisar de ajuda.
Mas após o rompimento da bolsa veio uma contração
desembestada, “totalmente ignorante”, como classificou
mamãe.
Papai sentiu a pua e foi logo perguntando o que ele deveria
fazer. Mamãe lembrou de vovó e deu um grito:
“Chama a minha mãe!”
Em alguns segundos vovó chegou, olhou para mamãe
e pediu para que esperasse ela lavar as mãos. Mamãe
falou para ela andar logo. Papai afastou meu berço,
trouxe lençóis limpos, ajeitou-os no chão,
sentou-se na poltrona e segurou firmemente mamãe pelas
axilas, dizendo que ela soltasse o corpo que ele a sustentaria.
Mamãe estava morrendo de medo, ela tinha muito medo
de matar e de morrer, ainda teve tempo de perguntar para a
vovó se ela não me deixaria cair no chão.
Vovó, que é fazendeira, uma pessoa dessas de
queixo quadrado, cheia de determinação, ordenou
que minha mãe relaxasse a pelve e deixasse de bobagem
que ela não deixaria eu cair no chão de jeito
algum. Senti firmeza na vovó e mamãe –
ufa!-- finalmente perdeu o controle e me deixou passar.
Quando vovó avisou que minha cabecinha estava aparecendo,
mamãe foi mais do que rápida, ela tinha muito
medo de me prender e então soltou-se, deixou minha
cabeça passar e logo depois meu corpo também
saiu e os três perceberam, no exato segundo em que nasci,
às 15h40m, que eu era saudável, rosada, grande
e estava viva, muito viva.
Não havia mais nada a temer...
Vovó me entregou logo para mamãe, que me aconchegou.
Papai colocou uns paninhos de pelúcia por cima de mim
e de mamãe. A tesoura já fervia fazia dez minutos;
papai foi buscar. Mamãe sabia onde estava um fio dental
novinho, que ainda não havia sido aberto; vovó
foi buscar. Eles amarraram o cordão, papai cortou.
Eu, livre da placenta, não tive aquele negócio
de petiscar seio, narizinho que precisa do dedo da mãe
para ajeitar...Nada disso. Achei o bico do seio quase sozinha
e abocanhei com força, de primeira. Mamãe mal
podia acreditar na minha força e só então
chorou abraçada em mim, que só queria mesmo
era continuar puxando o duro colostro. Vovó preocupou-se
com a placenta mas ela saiu fácil enquanto eu mamava.
Meus irmãos, que brincavam nos computadores, não
haviam percebido o tumulto mas vieram correndo me ver quando
papai avisou que eu já havia nascido. Para eles, como
para mim, tudo isso foi muito normal, fisiológico,
do jeito que tinha que ser.
Ah, finalmente papai teve tempo de ligar para o médico.
Ele veio ver mamãe. Estava tudo ok com ela. O pediatra
também veio me ver. Tudo ok comigo. Nasci com 3.900
e 53 cm, sou uma meninona e aos 22 dias já peso 4.300.
Papai e o doutor tinham toda a razão quanto ao exame
de ultrassonografia dos cinco meses, afinal não sou
mesmo o que se pode chamar de bebê de baixo peso. Mamãe,
coitada, chorou por nada e esteve sempre muito longe da tal
de eclâmpsia.
Sou Tami, sou decidida, forte e muito eu mesma.
Mas se estão pensando que sou uma espécie de
superbebê resistente a tudo, estão enganados.
Sou também muito mimosa. Ainda não me acostumei
com o berço quando a escuridão da noite chega
e é por isso que meu primeiro sono da madrugada só
sossego no aconchego dos braços de mamãe. Só
na segunda mamada eu vou ao berço sem protestar. Quando
mamo muito tenho cólicas, as luzes chamam muito minha
atenção e acordo sobressaltada quando os barulhos
são em torno de 75 decibéis.
Papai está se achando por ser pai de uma pessoa como
eu, ele tem certeza que essa determinação toda
eu herdei dele. Passa um tempão me olhando e está
completamente apaixonado por mim inteira mas especialmente
por minhas mãos. Também se orgulha de ter passado
a gravidez de mamãe afirmando que eu seria moreninha.
E sou mesmo, ele acertou.
Meu irmão me chama de princesa cor-de-rosa e descobriu
que cantando greens leaves eu fico contente e não choro.
Minha irmã de 9 anos, a que mais teve ciúme
durante o tempo em que eu era apenas a barriga de nossa mãe,
não cabe em si de contentamento: escolhe minhas roupinhas,
ajuda no banho, calça meus sapatinhos de um jeito tão
delicado que eu nem choro. E até já me fez dormir!
A irmã grande mora longe mas sempre que liga pergunta
por mim e logo logo vem me ver. Minha avó já
voltou para a cidade dela, sempre liga, mas sua diversão
máxima agora é encontrar amigos para contar
a façanha de ter me aparado. Minha mãe, ah,
dessa eu nem preciso falar...Dizem que terceiro filho as mães
já nem ligam...Mentira, ela tem mais paciência
agora que é mais velha, anda se divertindo com o repertório
de cantigas antigas e conseguiu desenterrar até canções
do Roberto Carlos. Ela ri de si mesma e lembra que no tempo
dos meus irmãos tinha vergonha de ser romântica
e só ia de Titãs, no máximo Caetano.
Agora soltou a franga, canta o que vem na telha, vai fazendo
as coisas todas no fluxo dos sentimentos...Sou amada, muito
amada, e fiz por merecer, dei conta deles todos. Agora, eles
que dêem conta de mim.
Abraço a todos,
Tami"
Claudia
Rodrigues
E-mail-
Claudiar@gol.com.br
E-mail- claudiar@th.com.br
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