Claudia Rodrigues

"Eu estava com pressa de nascer"


 

"Quando eu nasci"

Um breve histórico

Oi, meu nome é Tami e faz 25 dias que deixei de ser aquela espécie de peixe espremido e virei gente que respira.

Sou a quarta filha de meu pai e a terceira de minha mãe, a temporona, a raspa do tacho como se dizia antigamente. Obviamente não fui planejada, e, como na minha casa tudo é de verdade, não vamos ficar com falsos moralismos: ninguém me queria. Nem meu irmão de 11 anos, nem a de 21 e muito menos a de 9. Papai engolia em seco e a única palavra que disse foi: “encaramos”.

Mamãe, que das outras vezes em que ficou grávida saiu correndo para contar a Deus e ao mundo, quando ficou sabendo de minha existência entrou em perplexidade e levou um tempão para fazer o exame. É que ela tinha certeza de que estava grávida e sabia que o resultado positivo mudaria sua vida para sempre, porque um filho muda a vida de uma mulher para sempre e um outro filho muda tudo de novo e assim sucessivamente. Nova vida chegando é nova vida mesmo, principalmente para a mãe, e especialmente para o tipo de mãe que eu tenho: amamenta um tempão, mesmo depois que já sabemos andar, faz questão de dar os banhos, trocar as fraldas e até se orgulha de nunca ter contratado uma babá.

Narcísista a minha mãe. Mas tudo bem, antes mãe narcísista do que mãe deprimida, sem força, com preguiça de amamentar. E como toda pessoa narcisista, mamãe é perfeccionista e controladora.
E foi baseada em seu narcisismo e excesso de controle que ela passou a gravidez planejando o dia do meu nascimento... He he he…

Como os outros partos demoraram 18 e 17 horas, ela e papai achavam que o meu demoraria pelo menos umas 12, talvez 8 horas. Escolher o local onde eu nasceria foi um verdadeiro trabalho de parto que consumiu horas e horas de pesquisas, entrevistas e visitas às maternidades da cidade.

Meu irmão mais velho nasceu no esquema tradicional de uma maternidade privada. Quando mamãe deu o primeiro ai levou uma analgésia, quando deu o primeiro ui ganhou uma peridural, sem contar com a ocitocina e com as horas e horas em que ficou deitada numa maca de pernas para cima sendo chamada de mãezinha. No final das contas meu irmão nasceu, foi levado para o berçário depois de um rápido olá para mamãe, ganhou nitrato de prata nos olhos, injeção de kanakion, glicose via oral, primeira dose de BCG e tudo o que o Ministério da Saúde tornou obrigatório e que os pais, na imensa maioria das vezes, sequer imaginam que acontece com seus filhos recém-nascidos nas maternidades públicas e privadas do Brasil. O mano acabou também pegando uma bactéria tinhosa na tal maternidade. Mamãe e papai sofreram muito mas meu irmão, que é um forte, se salvou e hoje é um meninão que se acha, bacana mesmo, inteligente, o bom nos esportes, um cara legal e, por sorte, normal, afinal de contas septicemia é coisa séria que poderia ter deixado seqüelas.

Bem, depois dessa, quando mamãe ficou grávida de minha irmã, ela e papai procuraram logo as vias alternativas e a mana nasceu com um médico experiente, em casa. Tudo foi minuciosamente estudado e preparado, desde a esterilização do quarto até providências para uma emergência. Mamãe não tomou medicamentos e o parto, apesar de demorado, ocorreu sem muitas dores ou nervosismos. Foi uma verdadeira reparação ao sofrimento vivido antes.

Tudo estava perfeito, fechado com chave de ouro: um menino, uma menina, mais a irmã grande por parte de pai; não faltava ninguém. Todos saudáveis, não havia exatamente nenhum motivo para a minha vinda. Mas, como muitas coisas nessa vida não têm explicação, eu apareci e desde o princípio bastante decidida.

Foi difícil vencer os irmãozinhos espermatozóides naquele 15 de novembro, único dia do ano em que papai e mamãe vacilaram. Alguns eram realmente espertos e muito velozes mas eu fui a melhor, dei tudo de mim, eu realmente queria sair daquela vida em baixa temperatura, vida ao meio, apertada entre tantos, quase igual a todos. Eu queria o lugar almofadado e único, quente o bastante para me fazer crescer.
E consegui, por pura competência, sem falsa modéstia. Fui crescendo dentro da barriga da minha mãe, esse ser humano legal, apesar de controlador e perfeccionista.

Bem, depois de tentarem de todas as formas que o obstetra fizesse o parto em casa, por causa do pavor que papai e mamãe ficaram da linha de montagem hospitalar, finalmente eles aceitaram a sugestão do médico: clínica particular, parto no apartamento sem touca verde, sem enfermeira, sem intervenções na mãe ou na bebê, euzinha.

Mamãe visitou a tal clínica várias vezes, conversou com o pediatra, fez acordos para se livrar das regras do Ministério da Sáude, as prevenções, as medidas profiláticas da medicina moderna, que meus pais chamam de medicina pré-invasiva. Ela revistou os apartamentos, a cozinha, os banheiros...Procurou baratas, sujeiras, antipatias. Não encontrou coisa alguma que pudesse impedi-la de me dar à luz na tal clínica. E então só faltava convencer papai. Os dois visitaram a clínica juntos e saíram satisfeitos, decididos a experimentar o tal parto humanizado com as vantagens de ser em local seguro, com berçário, pediatras e outras medidas de segurança, caso houvesse algum imprevisto.

O pré-natal transcorreu quase normal, exceto pelo resultado da ultrassonografia com doppler, no quinto mês, que atestou peso fetal abaixo do normal para a idade gestacional, além de levantar a suspeita de que mamãe poderia apresentar eclâmpsia. Mamãe se alimentando bem, sem nunca na vida ter tido problemas de pressão alta, não sabia o que fazer e chorava, chorava. Papai duvidou, ficou furioso e disse que era erro da máquina ou do Dr Jumento que a pilotava. Mamãe foi aos livros e descobriu que os fetos, como as crianças, têm picos de crescimento e de engorda. Isso fazia sentido porque meu peso era abaixo do mínimo esperado mas meu comprimento estava no padrão máximo. Mesmo assim meus pais chegaram ao consultório do obstetra bastante preocupados.

O Dr Marcos, obstetra escolhido a dedo por mamãe e papai, experiente, humanista, disse que uma máquina é apenas uma máquina e que tudo indicava que mamãe e eu estávamos indo muito bem. Ele é um cara legal, soube acalmar mamãe durante o pré-natal inteiro. É que ela, além das características que contei antes, é também meio neurinhas. Na gravidez foi acometida de uma insegurança sem precedentes para uma mãe de terceiro filho. Em um belo dia acordava achando que seria vítima de um descolamento de placenta, em outro tinha certeza de que eu -- euzinha vejam só !-- tinha algum problema só por ser filha de um homem de 55 anos e de uma mulher de 38.

Fora a questão da pré-eclâmpsia, do meu suposto baixo peso para a idade gestacional...Mas é claro que ela também tinha lá suas certezas internas de que eu era forte e que tudo estava bem comigo.

Mesmo neuras, tadinha, minha mãe segurou a onda no peito e não me submeteu a altas espionagens na barriga, tipo amniocentese e aqueles outros exames da medicina pré-invasiva.

O Dr Marcos deu um apoio substancial, sempre encorajando mamãe, sempre afirmando que ela tinha tudo para ter um parto normal e que com uma pressão tão boa e estável, nada indicava pré-eclâmpsia.

Além do tempo dos trabalhos de parto, outra coisa que mamãe insistiu durante a gravidez inteira em comparar-me aos meus irmãos foi o tempo de gravidez. Meu irmão mais velho nasceu com 36 semanas e minha outra irmã com 37.

Quando cheguei a 37 semanas estava me sentindo ótima, e ainda achava que deveria ficar dentro de mamãe. Ela começou a ficar ansiosa, as pessoas não paravam de ligar para a nossa casa, mamãe quase comendo a porta da geladeira, os botões do fogão...E eu curtindo, na minha. Com 38 semanas continuei achando que estava tudo bem para mim, a despeito dos sentimentos de mamãe e de uma certa insatisfação que ela já sentia comigo lá dentro. Veio até com uns papos de que queria me ver, me amamentar, que aqui fora eu ia ver só como era melhor do que lá dentro. He he he, ela é sedutora também, mas nem liguei, sou mais eu, sempre fui.

Com 39 semanas completas me enchi daquilo tudo. Não aguentava mais o mau humor de mamãe e a ansiedade do papai, da vovó e de meus irmãos, mas o que eu não estava mais gostando, de fato, era ficar entalada de cabeça para baixo.

Mamãe nunca esperou que eu nascesse em um dia de chuva porque meus dois irmãos – argh, detesto comparações — nasceram em dias de céu azul claríssimo. E todo o dia em que amanhecia um dia assim, límpido de céu azul anil, a minha genitora achava que seria o dia "D".

Foi numa segunda-feira chuvosa, no dia em que o médico defendia sua tese de mestrado, que eu resolvi que seria a minha hora de nascer...He he he.

Mamãe acordou sentindo contrações leves, só um pouco diferentes das de Braxton. Levantou, serviu o café da manhã para meus irmãos e avisou papai que estava parecendo ser o dia "D".

Ela não queria ir à maternidade deixando a despensa vazia. Então arrumou as malas, colocou-as no carro e resolveu ir com papai ao supermercado comprar coisas gostosas para meus irmãos e para vovó que estava hospedada em nossa casa.

Mesmo achando estranho eu dar sinal em um dia nublado, mamãe estava especialmente feliz e papai também, eles sentiam que eu estava me aproximando. No supermercado as contrações ritmaram, passaram a vir de 15 em 15 minutos. Por volta das 11h mamãe ligou para o médico. Às 13h ele a examinou em casa. As contrações estavam de 12 em 12 minutos e às vezes voltavam a ser de 15 em 15min.

O médico deu o veredicto: “É para hoje, não é para já, o nenê ainda está alto, o colo já está fino mas só tem dois centímetros de dilatação”. Papai calculou que eu nasceria lá pelas 21h, mamãe achou que era para o final da tarde, início da noite. O médico, já amolecendo sobre a questão “parto em casa”, ficou de ver mamãe às 17h, hora marcada para o final de sua defesa de tese, e quando decidiriam em que lugar mamãe se sentiria mais tranqüila para me ajudar a nascer.

Ninguém achou que eu nasceria antes disso. Papai e mamãe, pelo menos, tinham certeza de que eu só nasceria depois das 18h...Ra ra ra...

O trio da sabedoria adulta achou que era melhor ficar em casa e só ir para a clínica caso as dores se intensificassem e entrassem em ritmo mais freqüente pois, desde o início da gravidez, o acordo era passar o trabalho de parto em casa. Para mim isso estava perfeito!

Mamãe, the controller woman, havia planejado uma série de exercícios de bioenergética -- e também conseguiu uma bola emprestada com um fisioterapeuta – para trabalho de parto, a fim facilitar a minha descida e me manter oxigenada, quando as dores aumentassem. He he he...

Assim que o médico saiu, mamãe sentou-se à mesa para almoçar. Ela estava sentindo-se ótima e faminta, mas vovó aconselhou-a a só tomar um caldinho da sopa. Meio a contragosto ela acatou o conselho e tomou só o caldo, bebeu um suco, não resistiu a uma colherada de doce de abóbora, e foi deitar-se. As malas já estavam no carro, tudo parecia muito tranqüilo, a chuva caindo...Os planos eram descansar até por volta das 16h, tomar um banho e encontrar com o médico na clínica em vez de esperá-lo em casa.

No dia "D" quem queria ir para a clínica era mamãe. No final da gravidez ela foi tomada de uma animação e virou a dondoca da maternidade; comprou até bolsa bacana e pijama de seda, sem contar com a fantasia máxima da perua parturiente: imaginar o marido entrando com ramalhete de flores porta a dentro da clínica com a boca nas orelhas. Tudo estava programado, sob controle, como mamãe adora.

Papai continuava contando as contrações de mamãe e elas continuavam vindo de 10 em 10 minutos até por volta de 15h. Mas começaram a ficar mais intensas e mamãe levantou assustada. Eu lá, fazendo a maior força, girando devagar, empurrando com minha cabeça, impulsionando com as pernas. Assim que levantou ela falou para o papai que as dores estavam apertando e que ela já não conseguiria mais dormir. Resolveu ir ao banheiro e sentiu uma contração na porta, outra quando estava fazendo pipi e logo mais uma quando encarou papai, que também já havia levantado da cama. Papai olhou para ela e perguntou: “Você não disse que quando as contrações ficam de um em um minuto é porque já está muito perto de nascer?”

Mamãe não teve tempo de responder. Veio outra, outra e mais outra. Ela sentiu que eu estava vindo mas não conseguia raciocinar mais, a dor era de uma ignorância profunda. Os dois ficaram alguns segundos ali sem conseguir acreditar no que estava acontecendo. Papai avisou mamãe que não dava mais tempo de ir à clínica mas seria viável ir ao Hospital Universitário, que fica a cinco minutos de nossa casa. Mamãe imaginava-se em qualquer posição, menos sentada e para ir ao HU seria necessário sentar no banco do carro. Mas o que mais a assustava, além de imaginar-se sentada em cima de minha cabeça, era a cena mais do que temida de sua chegada no hospital durante uma chuvarada, com a carteira de identidade na mão direita e a minha cabeça na esquerda. E era exatamente isso o que ela imaginava. E isso parecia pior do que chamar os bombeiros. De qualquer maneira não estava dando tempo nem de chamar o médico!

E eu ali, a única que sabia muito bem o que estava fazendo, plena de meu córtex mais do que sensorial, única em meu momento maior desde o dia que deixei os irmaozinhos espermatozóides para trás.

Em meio a essas estranhas imagens, que passavam rapidamente pela cabeça descorticalizada de mamãe, explodiu no céu uma trovoada e mamãe teve uma contração fortíssima. Já não dava tempo de coisa alguma. Num último esforço ela tentou ir até a porta e sair do quarto, buscar socorro. A bolsa rompeu antes que ela alcançasse a maçaneta. As dores aliviaram e ela pediu ao papai que andasse rápido com uma calça limpa e seca para saírem. Mamãe só repetia para si mesma que não era índia, que não acreditava naquela cena Almodóvar, que era preciso ser socorrida porque a nenê poderia precisar de ajuda. Mas após o rompimento da bolsa veio uma contração desembestada, “totalmente ignorante”, como classificou mamãe.

Papai sentiu a pua e foi logo perguntando o que ele deveria fazer. Mamãe lembrou de vovó e deu um grito: “Chama a minha mãe!”
Em alguns segundos vovó chegou, olhou para mamãe e pediu para que esperasse ela lavar as mãos. Mamãe falou para ela andar logo. Papai afastou meu berço, trouxe lençóis limpos, ajeitou-os no chão, sentou-se na poltrona e segurou firmemente mamãe pelas axilas, dizendo que ela soltasse o corpo que ele a sustentaria. Mamãe estava morrendo de medo, ela tinha muito medo de matar e de morrer, ainda teve tempo de perguntar para a vovó se ela não me deixaria cair no chão.

Vovó, que é fazendeira, uma pessoa dessas de queixo quadrado, cheia de determinação, ordenou que minha mãe relaxasse a pelve e deixasse de bobagem que ela não deixaria eu cair no chão de jeito algum. Senti firmeza na vovó e mamãe – ufa!-- finalmente perdeu o controle e me deixou passar.

Quando vovó avisou que minha cabecinha estava aparecendo, mamãe foi mais do que rápida, ela tinha muito medo de me prender e então soltou-se, deixou minha cabeça passar e logo depois meu corpo também saiu e os três perceberam, no exato segundo em que nasci, às 15h40m, que eu era saudável, rosada, grande e estava viva, muito viva.

Não havia mais nada a temer...

Vovó me entregou logo para mamãe, que me aconchegou. Papai colocou uns paninhos de pelúcia por cima de mim e de mamãe. A tesoura já fervia fazia dez minutos; papai foi buscar. Mamãe sabia onde estava um fio dental novinho, que ainda não havia sido aberto; vovó foi buscar. Eles amarraram o cordão, papai cortou. Eu, livre da placenta, não tive aquele negócio de petiscar seio, narizinho que precisa do dedo da mãe para ajeitar...Nada disso. Achei o bico do seio quase sozinha e abocanhei com força, de primeira. Mamãe mal podia acreditar na minha força e só então chorou abraçada em mim, que só queria mesmo era continuar puxando o duro colostro. Vovó preocupou-se com a placenta mas ela saiu fácil enquanto eu mamava.

Meus irmãos, que brincavam nos computadores, não haviam percebido o tumulto mas vieram correndo me ver quando papai avisou que eu já havia nascido. Para eles, como para mim, tudo isso foi muito normal, fisiológico, do jeito que tinha que ser.

Ah, finalmente papai teve tempo de ligar para o médico. Ele veio ver mamãe. Estava tudo ok com ela. O pediatra também veio me ver. Tudo ok comigo. Nasci com 3.900 e 53 cm, sou uma meninona e aos 22 dias já peso 4.300.

Papai e o doutor tinham toda a razão quanto ao exame de ultrassonografia dos cinco meses, afinal não sou mesmo o que se pode chamar de bebê de baixo peso. Mamãe, coitada, chorou por nada e esteve sempre muito longe da tal de eclâmpsia.

Sou Tami, sou decidida, forte e muito eu mesma.

Mas se estão pensando que sou uma espécie de superbebê resistente a tudo, estão enganados. Sou também muito mimosa. Ainda não me acostumei com o berço quando a escuridão da noite chega e é por isso que meu primeiro sono da madrugada só sossego no aconchego dos braços de mamãe. Só na segunda mamada eu vou ao berço sem protestar. Quando mamo muito tenho cólicas, as luzes chamam muito minha atenção e acordo sobressaltada quando os barulhos são em torno de 75 decibéis.

Papai está se achando por ser pai de uma pessoa como eu, ele tem certeza que essa determinação toda eu herdei dele. Passa um tempão me olhando e está completamente apaixonado por mim inteira mas especialmente por minhas mãos. Também se orgulha de ter passado a gravidez de mamãe afirmando que eu seria moreninha. E sou mesmo, ele acertou.

Meu irmão me chama de princesa cor-de-rosa e descobriu que cantando greens leaves eu fico contente e não choro. Minha irmã de 9 anos, a que mais teve ciúme durante o tempo em que eu era apenas a barriga de nossa mãe, não cabe em si de contentamento: escolhe minhas roupinhas, ajuda no banho, calça meus sapatinhos de um jeito tão delicado que eu nem choro. E até já me fez dormir!

A irmã grande mora longe mas sempre que liga pergunta por mim e logo logo vem me ver. Minha avó já voltou para a cidade dela, sempre liga, mas sua diversão máxima agora é encontrar amigos para contar a façanha de ter me aparado. Minha mãe, ah, dessa eu nem preciso falar...Dizem que terceiro filho as mães já nem ligam...Mentira, ela tem mais paciência agora que é mais velha, anda se divertindo com o repertório de cantigas antigas e conseguiu desenterrar até canções do Roberto Carlos. Ela ri de si mesma e lembra que no tempo dos meus irmãos tinha vergonha de ser romântica e só ia de Titãs, no máximo Caetano. Agora soltou a franga, canta o que vem na telha, vai fazendo as coisas todas no fluxo dos sentimentos...Sou amada, muito amada, e fiz por merecer, dei conta deles todos. Agora, eles que dêem conta de mim.
Abraço a todos,
Tami"

Claudia Rodrigues

E-mail- Claudiar@gol.com.br
E-mail- claudiar@th.com.br

página principal          menu de depoimentos


Direitos Autorais