| Meu primeiro
filho, Víctor, nasceu de cesárea há dois anos. Já
na minha primeira gravidez, queria que o parto fosse o mais natural possível.
Li mais coisas
e vi um documentário na GNT que mostrava partos em casa de parto,
achei lindo. Fiz meu marido ler tudo que eu lia. Ele também mudou
a forma de ver o parto, e tentamos expor nossas idéias ao meu médico.
Ele ouviu, mas não foi muito receptivo, apesar de ser a favor de
partos normais, os faz daquela forma bem hospitalar, sem liberdade de posições,
separando logo o bebê da mãe, etc.
Com 38 semanas,
minha bolsa rompeu e eu não tive trabalho de parto. Era de manhã
cedo e já fui internada para esperar um eventual desencadeamento
do trabalho de parto. Até o fim da tarde nem sinal, o médico
me examinou, não havia dilatação, nem contração,
o bebê estava alto e disse " Mesmo se induzirmos suas chances são
mínimas, estando, nestas condições a bolsa rota, indico
uma cesárea, mas não tiro a decisão de vocês".
Bem, com tudo
isto, eu não contrariei a indicação dele e fui para
a cesárea. Minha luta deu algumas vitórias, conseguimos pelo
menos abraçar o bebê depois da cesárea (desligaram
o ar condicionado por um momento), e ele praticamente não ficou
em observação no berçário, já veio para
mim logo que saí da sala de cirurgia, em torno de uma hora depois.
Minha recuperação
foi muito boa considerando que havia tido uma cirurgia, não senti
tantas dores e consegui amamentar bastante, mas fiquei pensando se não
deveria ter ao menos tentado induzir para ter um parto normal...
18 meses depois
fiquei grávida de novo e já pensei: dessa vez vai ser normal.
Comecei meu pré-natal com o mesmo obstetra, e acreditava que tinha
chances, pois em hospital universitário não costumam se opor
a partos normais depois de cesáreas.
Mas no quarto
mês de gestação meu marido fez um curso de parto humanizado,
onde trabalhava, e lá, além de toda informação
que ele teve sobre parto humanizado, conheceu o Dr. Adailton Salvatore
Meira, e gostou muito.
Marcamos uma
consulta e logo senti a diferença, ele fazia tudo como eu acreditava
que devia ser, não haveria aquela dificuldade que tivemos anteriormente
de todos não acreditarem nas vantagens de um parto humanizado.
Continuei o
pré-natal com ele, fomos às reuniões de casais, nos
preparamos, e eu cada vez mais acreditei que poderia ter parto normal,
apesar de achar que individualmente não estava me preparando o suficiente.
Visitamos hospitais e vimos que nas opções que tínhamos
seria muito difícil conseguirmos que o bebê não se
separasse de mim por 4 horas, então consideramos ter o parto na
clínica, principalmente depois que testei a cama de parto que deixa
a gente em posição quase de cócoras mas com conforto.
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O PARTO
Um dia antes de
completar 38 semanas, a meia-noite, comecei a ter contrações,
não tão fortes no início, mas fui evoluindo. Fiquei
em casa, sabia que teria ainda um longo caminho, meu marido estava de plantão
e, depois de uma 20 ligações minhas ele teve certeza que
estava mesmo em trabalho de parto, e chegou em casa uma 3:30 da manhã. |
Felipe e Victor
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Uma quatro
da manhã já estava com intervalos de três a cinco minutos,
ligamos então pro Dr. Adailton, combinamos de ir à clínica
logo cedo para que ele me examinasse. Em casa eu caminhava, ficava no chuveiro
de tempos em tempos, mas não consegui ficar em nenhuma posição
de cócoras, aumentava a dor, tinha que ficar sempre "esticada",
ou em pé, ou deitada de lado.
Cheguei na
clínica e fui examinada umas 8 da manhã e recebi uma ótima
notícia: já estava com 8 cm de dilatação, o
bebê viria logo. Até aqui tinha sentido muito dor, lógico,
mas perfeitamente suportável. Logo chegou a doula, que me ajudou
muito, me ajudava a respirar, e falava palavras de conforto, que só
que já teve um parto sabe dizer.
O mais difícil
foi o último centímetro de dilatação, tinha
muita dor, não havia mais como tomar anestesia, gritava e estava
muito cansada pois havia passado a noite em claro, mas o consolo é
que não demorou muito, e logo dilatei total e pude ajudar, e isso
me tranqüilizou, exatamente com a doula falava que iria acontecer.
Logo o bebê,
Felipe, nasceu as 10 da manhã e veio diretamente para mim. Meu marido,
que estava do meu lado, chorou. Foi muito emocionante, ele ficou comigo
uns quinze minutos e depois saiu um pouco para os exames do pediatra e
logo voltou. Depois que levei os pontos, já demos banho no Felipe,
que teve perfeita saúde e quase não chorou, realmente senti
que sofreu muito pouco comparado com o choro estridente do Víctor
na sala de cirurgia e no berçário.
Fui pra casa
no fim do dia e me recuperei muito bem, só senti um pouco de dor
nos pontos nos primeiros dias. Fiquei realmente muito realizada. Todo esse
ambiente, conhecido, com pessoas conhecidas, foi muito favorável,
pois penso o quanto é difícil, num momento que estamos tão
sensíveis, nos depararmos com pessoas estranhas e insensíveis
ao nosso momento.
E penso que
tudo só foi possível devido ao apoio do médico e também
ao vínculo de confiança que estabeleci com ele, sabia que
só teria cesárea se fosse necessário, que só
teria fora do hospital se não houvesse risco, só tomaria
os medicamentos que fossem necessários.
Meu marido
também teve um papel muito importante, nos dois parto, sempre esteve
do meu lado, segurando minha mão, me apoiando, compartilhando tudo
que eu sentia. Meu bebê já está com um mês e
nesse meio tempo já fiz vários discursos para as pessoas
em defesa do parto normal e humanizado, e agora tenho convicção
no que falo, pois com orgulho tive um parto normal depois de uma cesárea,
e digo que mesmo com toda a dor prefiro o parto normal.
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