Carol, o pai e o bebê Felipe, 
minutos após o nascimento.
Ana Carolina

O nascimento do Felipe, de parto natural em clínica particular 2 anos depois do nascimento do Victor por cesárea


 
Meu primeiro filho, Víctor, nasceu de cesárea há dois anos. Já na minha primeira gravidez, queria que o parto fosse o mais natural possível. 

Li mais coisas e vi um documentário na GNT que mostrava partos em casa de parto, achei lindo. Fiz meu marido ler tudo que eu lia. Ele também mudou a forma de ver o parto, e tentamos expor nossas idéias ao meu médico. Ele ouviu, mas não foi muito receptivo, apesar de ser a favor de partos normais, os faz daquela forma bem hospitalar, sem liberdade de posições, separando logo o bebê da mãe, etc. 

Com 38 semanas, minha bolsa rompeu e eu não tive trabalho de parto. Era de manhã cedo e já fui internada para esperar um eventual desencadeamento do trabalho de parto. Até o fim da tarde nem sinal, o médico me examinou, não havia dilatação, nem contração, o bebê estava alto e disse " Mesmo se induzirmos suas chances são mínimas, estando, nestas condições a bolsa rota, indico uma cesárea, mas não tiro a decisão de vocês". 

Bem, com tudo isto, eu não contrariei a indicação dele e fui para a cesárea. Minha luta deu algumas vitórias, conseguimos pelo menos abraçar o bebê depois da cesárea (desligaram o ar condicionado por um momento), e ele praticamente não ficou em observação no berçário, já veio para mim logo que saí da sala de cirurgia, em torno de uma hora depois.

Minha recuperação foi muito boa considerando que havia tido uma cirurgia, não senti tantas dores e consegui amamentar bastante, mas fiquei pensando se não deveria ter ao menos tentado induzir para ter um parto normal... 

18 meses depois fiquei grávida de novo e já pensei: dessa vez vai ser normal. Comecei meu pré-natal com o mesmo obstetra, e acreditava que tinha chances, pois em hospital universitário não costumam se opor a partos normais depois de cesáreas. 

Mas no quarto mês de gestação meu marido fez um curso de parto humanizado, onde trabalhava, e lá, além de toda informação que ele teve sobre parto humanizado, conheceu o Dr. Adailton Salvatore Meira, e gostou muito. 

Marcamos uma consulta e logo senti a diferença, ele fazia tudo como eu acreditava que devia ser, não haveria aquela dificuldade que tivemos anteriormente de todos não acreditarem nas vantagens de um parto humanizado. 

Continuei o pré-natal com ele, fomos às reuniões de casais, nos preparamos, e eu cada vez mais acreditei que poderia ter parto normal, apesar de achar que individualmente não estava me preparando o suficiente. Visitamos hospitais e vimos que nas opções que tínhamos seria muito difícil conseguirmos que o bebê não se separasse de mim por 4 horas, então consideramos ter o parto na clínica, principalmente depois que testei a cama de parto que deixa a gente em posição quase de cócoras mas com conforto. 
 
 
O PARTO
Um dia antes de completar 38 semanas, a meia-noite, comecei a ter contrações, não tão fortes no início, mas fui evoluindo. Fiquei em casa, sabia que teria ainda um longo caminho, meu marido estava de plantão e, depois de uma 20 ligações minhas ele teve certeza que estava mesmo em trabalho de parto, e chegou em casa uma 3:30 da manhã.
Felipe e Victor
 

Uma quatro da manhã já estava com intervalos de três a cinco minutos, ligamos então pro Dr. Adailton, combinamos de ir à clínica logo cedo para que ele me examinasse. Em casa eu caminhava, ficava no chuveiro de tempos em tempos, mas não consegui ficar em nenhuma posição de cócoras, aumentava a dor, tinha que ficar sempre "esticada", ou em pé, ou deitada de lado. 

Cheguei na clínica e fui examinada umas 8 da manhã e recebi uma ótima notícia: já estava com 8 cm de dilatação, o bebê viria logo. Até aqui tinha sentido muito dor, lógico, mas perfeitamente suportável. Logo chegou a doula, que me ajudou muito, me ajudava a respirar, e falava palavras de conforto, que só que já teve um parto sabe dizer. 

O mais difícil foi o último centímetro de dilatação, tinha muita dor, não havia mais como tomar anestesia, gritava e estava muito cansada pois havia passado a noite em claro, mas o consolo é que não demorou muito, e logo dilatei total e pude ajudar, e isso me tranqüilizou, exatamente com a doula falava que iria acontecer. 

Logo o bebê, Felipe, nasceu as 10 da manhã e veio diretamente para mim. Meu marido, que estava do meu lado, chorou. Foi muito emocionante, ele ficou comigo uns quinze minutos e depois saiu um pouco para os exames do pediatra e logo voltou. Depois que levei os pontos, já demos banho no Felipe, que teve perfeita saúde e quase não chorou, realmente senti que sofreu muito pouco comparado com o choro estridente do Víctor na sala de cirurgia e no berçário. 

Fui pra casa no fim do dia e me recuperei muito bem, só senti um pouco de dor nos pontos nos primeiros dias. Fiquei realmente muito realizada. Todo esse ambiente, conhecido, com pessoas conhecidas, foi muito favorável, pois penso o quanto é difícil, num momento que estamos tão sensíveis, nos depararmos com pessoas estranhas e insensíveis ao nosso momento. 

E penso que tudo só foi possível devido ao apoio do médico e também ao vínculo de confiança que estabeleci com ele, sabia que só teria cesárea se fosse necessário, que só teria fora do hospital se não houvesse risco, só tomaria os medicamentos que fossem necessários. 

Meu marido também teve um papel muito importante, nos dois parto, sempre esteve do meu lado, segurando minha mão, me apoiando, compartilhando tudo que eu sentia. Meu bebê já está com um mês e nesse meio tempo já fiz vários discursos para as pessoas em defesa do parto normal e humanizado, e agora tenho convicção no que falo, pois com orgulho tive um parto normal depois de uma cesárea, e digo que mesmo com toda a dor prefiro o parto normal.
 

Ana Carolina S. Fortes
acfortes@yahoo.com.br


página principal          menu de depoimentos


Direitos Autorais