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Era
tempo de reproduzir.
Depois
de 4 anos de casamento, tudo à nossa volta "pedia"
para que fôssemos pais. Meu ser inteiro estava gritando
por um filho. Então, com todo apoio e estímulo
de meu marido e família, fomos ao médico para
os exames de rotina. Tudo bem comigo, com ele, indicação
para tomar vacina contra rubéola e não engravidar
durante os 3 próximos meses. Mas que meses tão
longos!
Em
Janeiro de 2000, parei com o anticoncepcional. Que expectativa!
Mas, começava mês e terminava mês, eu menstruava
novamente. A cada mês, uma decepção. Acho
que essa ansiedade fez com que eu demorasse mais pra engravidar.
Mas,
finalmente, dia 8 de agosto de 2000, minha menstruação
não veio. Nem dia 9 ou 10! Dia 11 comprei um teste
de farmácia, mas já sabia, de antemão,
que estava grávida, pois meu ciclo sempre foi muito
regular. Não deu outra, foi positivo. Dia 14, marquei
consulta no ginecologista e ele foi logo dizendo: "mas
que apressada, isso nem é considerado atraso."
Mas eu já sabia! Tinha certeza! Ele, meio a contragosto,
me deu a requisição pro exame de sangue e não
deu outra, estava grávida mesmo!!! Meu Deus, que felicidade!
Um sonho que se realizou!
Durante
os 9 meses, parecia até que nem estava grávida,
pois não senti nenhum dos sintomas comuns (náuseas,
enjôos, vômitos, azia, nada...), tanto que só
fui acreditar mesmo na gravidez quando fiz a 1ª ecografia
e vi meu filhote ali, inteirinho naquela tela (estava com
13 semanas). Até exclamei: "meu Deus, é
verdade mesmo!". Meu marido e o médico da eco
riram da minha cara pasma!
Em
momento algum imaginei fazer uma cesariana. Pra mim, um parto
normal é conseqüência natural da gravidez.
Minha irmã ainda me falou: "mas dói muito".
Eu disse que sabia disso, mas Deus sabe que nunca tive medo
de dor. O que tiver que encarar, eu encaro!
Durante
os exames de pré-natal, tive os primeiros indícios
de que meu médico não era muito adepto do parto
normal. Infelizmente, fui muito ingênua para contestar
um médico que já me acompanhava há anos.
Pra mim, ele estava com toda a razão do mundo, apesar
de eu não gostar do que estava ouvindo. O primeiro
empecilho foi minha idade, 32 anos, "muito velha pra
ter o 1º filho", disse ele. Depois foi a obesidade
que, na opinião dele, gera gravidez de risco, apesar
de, durante toda a gravidez, eu ter engordado somente 5 kg.
Fazia pilhas de exames todos os meses, principalmente glicose,
pois ele insistia que eu teria algum problema. E, todos os
meses, meus exames contrariavam a expectativa dele. Tudo bem
comigo, durante a gravidez inteira. Pra completar, na última
ecografia (aquela que diz o peso estimado do bebê),
a Ruby já estava com 3,750 kg (bebê muito grande,
não vai passar ou vai ter problemas, disse o médico).
E eu ainda estava com 37 semanas. Por ele, já tinha
feito a cesaria naquele dia mesmo! Ele disse que o bebê
já estava bem grande e pronto pra nascer, portanto
poderíamos "tirar". Aí eu reclamei!
Disse que, de jeito algum, eu faria uma cesaria antes das
40 semanas. Ele não gostou muito e marcou a próxima
consulta para o dia que completava as 40 semanas. Já
todo animado, queria marcar a data do parto. Mas eu não
sentia nada. Contração, dilatação
ou qualquer outro sintoma que anunciasse o parto. Perguntei
até quando poderia esperar e ele ficou furioso, falando
que minha filha teria problemas por causa da minha insistência
num parto normal. Eu disse que ela poderia até nem
nascer de parto normal, mas iria nascer no tempo dela.
Bom,
chegou o final das 42 semanas e nada de sinal da Dona Ruby!
Aí eu realmente comecei a ficar com medo dela ter algum
problema por causa da minha teimosia e, finalmente, cedi à
pressão do médico. Vocês não podem
imaginar (ou até podem), o sentimento de frustração
que me invadiu naquele momento. Cesariana marcada, nenhum
sinal de parto. Rezei tanto para que naquela noite minha filha
resolvesse "aparecer"! Mas ela não estava
com qualquer pressa!
Fui
para o hospital como vaca para o matadouro (já ouvi
isso em algum lugar). Me senti impotente, incapaz e terrívelmente
triste. Antes da anestesia, cheguei a sugerir para meu médico
uma indução de parto normal, no que ele prontamente
discordou e disse que, se eu quisesse isso, que procurasse
outro médico, pois não assumiria os riscos.
Me deitei naquela cama me sentindo a última das criaturas.
Pra
completar, passei mal pra caramba por causa da anestesia.
Minha pressão baixou muito por causa do peso da barriga.
Fiquei anestesiada não só da cintura pra baixo,
mas também com formigamento nos dedos e nos lábios,
mal conseguia falar, não percebia muito o que se passava
à minha volta. De uma certa maneira, meu cérebro
foi anestesiado também, talvez pra não sentir
toda a frustração de um momento como aquele.
Minha filha foi tirada de mim e o máximo que consegui
ter de "humanização" do parto, foi
quando o anestesista tirou o campo cirúrgico pra eu
ver minha filha sendo tirada da minha barriga. Depois disso
o pediatra já a embrulhou todinha e deu pra meu marido
vir me "apresentar" minha filha. Eu mal consegui
vê-la, pois ainda estava passando mal da anestesia.
Eram 19h30min.
Depois
disso, me "apagaram", costuraram e levaram pra sala
de recuperação, onde eu só fui acordar
a meia-noite. Queria ir para o quarto, ver minha filha, mas
a enfermeira disse que só sairia dali quando conseguisse
levantar o quadril, sinal que o efeito da anestesia já
teria passado. Me esforcei ao máximo, mas se passou
quase 1 hora até eu conseguir. E ainda tinha todos
aqueles fios pendurados em mim. Parecia um ser autômato
precisando de reabastecimento.
Fui
para o quarto e nada da minha filha. Perguntava por ela a
toda hora e me diziam que já estava vindo. Às
4 da manhã, depois de muito eu gritar pela minha filha,
me trouxeram meu pacotinho, dizendo, como desculpa pelo atraso,
que não havia berço disponível e que
tiveram de esperar que vagasse um.
Difícil de acreditar num hospital com a categoria daquele.
Durante
os 3 dias que ficamos no hospital, furaram minha filha 3 vezes,
na orelha e nos pés, pra ver se ela tinha diabetes,
pois diziam que um bebê com 4,3 kg não é
normal. Depois de toda frustração que passei,
ainda tive que ouvir que minha filha era "anormal".
Meu leite levou 2 dias pra descer e era pouco. Já no
hospital ela foi alimentada com Nan, "pra não
ficar chorando de fome", diziam eles.
Levei
meu pacotinho pra casa e parecia que não tínhamos
qualquer intimidade. Ela chorava o dia inteiro e eu também.
Tive que continuar a alimentá-la com Nan, além
do peito. A depressão pós-parto bateu forte
e eu queria me matar. Não fosse minha mãe ter
ido passar os primeiros 3 meses comigo, acho que teria me
matado mesmo, pois meu marido, apesar de ajudar e muito, tinha
que trabalhar também.
Começamos
a nos entender aos poucos, quando comecei a me dar conta de
que aquele serzinho era mesmo minha filha. Graças à
Deus ela é saudável, perfeita, esperta e muito
linda. Somente por ela é que valeu a pena tudo que
passei, mas a frustração vai ficar pra sempre.
Fui
mais um número na planilha do hospital...
E-mail:Jeane
F
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