Felicitas Kemmsies

Um parto tipicamente sueco

"Tá bom, vai, passamos no super perto de casa. Olhando no relógio o Martin conseguiu comprar uma sacola enorme de comida em cravados 5 minutos. E eu consegui ter três escandalosas contrações no carro, morrendo de vergonha e tentando me esconder pra não pensarem que eu era louca."


 

Bom, eu tava prontinha da silva pra parir, muito feliz de enfim poder ver cara a cara esse ser que quase me quebrava as costelas de tantos chutes e que fazia com que eu me sentisse uma doida, falando e cantando pra alguém que eu nunca tinha visto, de quem eu nem sabia o sexo, mas que estava mais perto de mim do que qualquer outra pessoa deste mundo.

Vocês também têm nomes de guerra pros bebês de vocês antes de nascerem? Talvez não seja tão comum aí que todo mundo sabe qual o sexo do bebê e já escolhe o nome. Mas a gente tinha um nome muito antes de eu engravidar, até antes de a gente se casar!

Foi o Martin que inventou que queria um Nufinho. Sabe quando o bebê mama no peito? Não sei se vocês já pensaram a respeito, mas os bebês conseguem beber e respirar ao mesmo tempo, capacidade que eles perdem à medida que vão crescendo. Então, o barulhinho que eles fazem quando mamam parece "nuf, nuf", segundo o Martin. O que ele mais queria portanto era um Nufo, um Nufinho. Ou uma nufinha, claro.

Pois estava eu como agora sentada ao computador lendo os meus mails na penúltima semana de gravidez. Faltavam 11 dias para o dia P e casualmente era o meu 25o aniversário. Recebi telefonemas dos meus pais e depois de uma amiga, e claro, o assunto principal era a barriga, que mais? Comentei com ela que estava com dor nas costas e que ía tomar um banho de banheira em seguida pra relaxar. Deveria haver uma lei que garante uma banheira a todas as grávidas do mundo - essencial pra quem tem dor nas costas!

Até aí, nada de mais, passei grande parte da gravidez com dor nas costas, às vezes tinha que implorar ao Martin que fizesse massagem bem forte em mim. Mas a tal da dorzinha não passou, ao contrário, ficou mais intensa. Um alarmezinho lááá no fundo comecou a tocar dizendo: pode ser hoje. Ao mesmo tempo meu consciente dizia: até parece, que ridículo, no seu aniversário!

Por via das dúvidas liguei pro Martin, que por sorte trabalhava a 5 min a pé do nosso apê. Tinha passado as semanas anteriores chamando ele de tudo quanto era palavrão quando ele não atendia imediatamente, apesar de andar com telefone celular no bolso. É que ele insistia em enfiar o telefone no bolso da calca e volta e meia a bateria soltava e ele ficava incomunicável. Bem, nesse dia ele atendeu logo e logo ficou histérico com a notícia. Isso foi lá pelas 10 da manhã. Pedi que ele mantivesse a calma mas que por favor ficasse alerta.

Dito e feito, liguei duas horas depois, agora já sentia as contrações indo e vindo claramente. Não tinha sentido nenhuma contracão desse tipo durante toda a gestacão. Quando ele finalmente chegou em casa já era uma hora da tarde, e as contrações estavam ficando violentas. Violenta estava eu, me sentia um bicho. Corria pro sofá da sala, me jogava de quatro e dava socos nas almofadas até a contração passar. Corria pro quarto, me jogava na cama e repetia o mesmo procedimento com os travesseiros, que também levaram umas belas mordidas. Fiquei correndo de lá pra cá algumas vezes até que o estrado da cama quebrou com um estrondo e eu caí na gargalhada.

Pedi que o Martin ligasse pra maternidade pra saber se a gente podia ir (eles sempre pedem que os pais liguem antes de saírem de casa, assim podem se preparar também). O Martin tentou explicar a situação de um jeito meio atrapalhado, e a parteira, certamente já tendo ouvido centenas de explicações semelhantes, pediu pra falar comigo. Disse que as contracões estavam vindo de três em três minutos, e ela nem se alterou muito, disse que estávamos bem-vindos.

Já no carro o Martin lembrou de nossa visita à maternidade. Na época a parteira explicou que o hospital oferecia comida à mulher, mas que não tinha pros pais, e que por isso, caso o trabalho de parto fosse muito demorado, os pais tratassem de levar um lanchinho. Tá bom, vai, passamos no super perto de casa. Olhando no relógio o Martin conseguiu comprar uma sacola enorme de comida em cravados 5 minutos. E eu consegui ter três escandalosas contrações no carro, morrendo de vergonha e tentando me esconder pra não pensarem que eu era louca.

Tadinho do Martin, deve ser terrível pros pais assistir a mulher se contorcendo e não sabendo quanto dói e como ajudar. Pra vocês futuras mamães que estão lendo este relato, não se assustem, dói menos do que parece! É mais uma sensacão de aflição misturada à alegria de saber que a cada contração que passa, você está uma contração mais perto de encontrar o seu filho pela primeira vez! É como uma montanha que você tem que escalar para poder se deliciar com a vista. Pensem nisso! E tem uma vantagem em relação ao alpinismo: entre uma contração e outra você não sente absolutamente nada, o teu corpo te dá um tempo pra descansar, eu até me sentia um pouco ridícula de ter feito tamanho escândalo segundos antes…

Em todo caso, chegamos à maternidade lá pelas três da tarde, tocamos a campainha e a parteira veio abrir com toda a calma do mundo. Parece que me contagiou, porque de repente o intervalo entre as contrações aumentou e eu me acalmei um pouco. Ela me fez trocar de roupa, me sentou numa poltrona confortável com as tais das almofadas cheias de trigo aquecidas e colocou um aparelho para medir os batimentos cardíacos do bebê. É uma caixinha preta presa à uma cinta de elástico que fica sobre a barriga. A caixinha fica conectada a um aparelho que amplia o som dos batimentos e também os registra numa tira de papel como num eletrocardiograma.

De repente ela veio com um intrumento muito estranho pra cima da minha barriga e eu indaguei que raios era aquilo. Parecia um isqueiro elétrico de fogão. E fazia um barulho parecido! Mas era simplesmente um aparelhinho que serviu para acordar o meu bebê, que inacreditavelmente continuava dormindo apesar da revolução que estava acontecendo em volta dele!

A parteira, que na verdade era a auxiliar da parteira, me ofereceu um clister, que eu aceitei porque esse tinha sido o meu maior grilo durante as últimas semanas. Mas de repente veio a parteira mesmo, um amor de pessoa, que já comecou me elogiando não sei por quê e ficava falando: ótimo, Felicitas, muito bem, Felicitas, o tempo todo. Pensei: tá bom, quero ser bem tratada, mas assim já é demais, vou acabar ficando diabética com tanta docura assim! Achei meio exagerado o jeito dela, eu tava me sentindo super bem, não precisava de apoio moral.

Me perguntaram se eu tinha alguma idéia de que tipo de analgesia gostaria de usar, e disse: o mínimo necessário, pra não afetar o bebê, mas banheira, acupuntura e gás hilariante parecem recursos interessantes. Pois bem, ela aplicou as agulhas, algumas no couro cabeludo, algumas na parte de cima das mãos. E disse que estava na hora de ir pro quarto, se eu ainda quisesse tomar um banho de banheira. Já? Deu um friozinho na barriga, a coisa estava ficando séria de verdade…

Entramos nós quatro: a parteira e a auxiliar, o Martin e eu num quarto que parecia mais um quarto de hotel, com cortina, poltrona, toca-fitas pra gente ouvir a música preferida e quadro na parede; não fosse pela aparelhagem na cabeceira da cama. Mas eu não me lembro de muitos detalhes, estava ocupada com outras coisas. Estava mais é interessada na banheira, que eu tinha sonhado me deixaria suuuuper relaxada, prontinha pra fazer o bebê escorregar pra fora de tão relaxada. Grande desilusão. Fiquei irritada porque a banheira era muito rasa e não cobria a barriga inteira, que ficou passando frio. E quando veio a contracão seguinte voou agulha de acupuntura pra tudo que é lado. Portanto não posso dizer qual o efeito das ditas cujas…

As agulhas voaram porque eu fiquei me debatendo, mas eu não tava nem aí com o que os outros estavam pensando. Como eu não gostei da banheira elas me pediram que eu saísse e procurasse outra posicão mais agradável. Tentei ficar de quatro na cama, achei que essa seria a "minha" posicão ideal, mas não gostei também, por isso acabei sentando na cama com o encosto um pouco reclinado, e assim fiquei até o final. A partir daí lembro de tudo envolto em uma névoa. Era como se estivesse em dois mundos paralelos. Quando vinha a contracão tudo ficava preto e logo que passava o pico da dor o gás fazia com que eu comecasse a sonhar e ouvir as pessoas no quarto falando comigo lááá longe. Depois ficava lúcida, interessada no que as duas estavam aprontando lá embaixo. Queria memorizar tudo pra poder contar depois e ficava olhando pro relógio pra não perder a noção do tempo. Mas perdi assim mesmo…

Entre um mundo e outro senti um chuá lá embaixo e choraminguei: o que é que vocês tão fazendo comiiiigo? Elas haviam estourado a bolsa com uma agulha pra poderem colocar um eletrodo na cabeca da crianca e que também serve para acompanhar os batimentos cardíacos dela. Achei que isso ía me incomodar muito, mas acabei não sentindo nada. Quanto à crianca, não sei se ela se sente incomodada pelo eletrodo, mas a agulha é extremamente fina, dá pra enfiar no dedo sem sentir.

E foi esse barulhinho, o tum-tum do coracãozinho dele, que preencheu o quarto nos intervalos em que eu não estava gritando e urrando. O Martin foi o verdadeiro herói nessa fase. Sentou-se ao meu lado e ficou me dando força. Eu não escutava o que elas me diziam, apesar de ouví-las, pra me fazer reagir só o Martin repetindo pra mim. A tarefa dele era a de cuidar para que eu não inalasse gás entre as contrações, de me confortar, de me deixar massacrar os braços dele com unhadas desumanas, de me amar mesmo assim e me elogiar ainda por cima. Não é tarefa pra qualquer um! Eu não consigo imaginar como teria sido passar por essa experiência sozinha. É inconcebível pra mim!

Mas como eu já disse antes, nos intervalos em que não estava urrando e arranhando feito onça, o restinho do efeito do gás me deixava extremamente bem-humorada. Fiz muitas piadinhas, eu que sou péssima pra isso, mas estava realmente inspirada!

Não posso esquecer de falar das parteiras! Lembra que eu disse que elas eram doces demais? Pois lá na hora do vamo ver cada palavra de carinho e elogio agiam como um bálsamo na minha alma, me sentia a mulher mais corajosa e batalhadora do mundo, quase que pedi pra elas falarem mais coisas bonitas pra mim! Nesse momento tão especial você não só está exposta fisicamente, mas também psicologicamente. Sua alma está aberta como nunca, e ser mal-tratada num momento como este deve deixar marcas profundas e doloridas. No meu caso as marcas foram muito agradáveis, felizmente!

Perdi a noção do tempo. Martin me convenceu de beber um copo de suco de laranja, a parteira perguntou se eu não queria uma anestesia local. Disse que sim, de bobeira, mas por sorte não deu tempo, entrei na fase de expulsão antes. Que mais, ah, ela perguntou se eu autorizava que umas/uns estudantes de medicina entrassem pra olharem um pouquinho. Eu mandei todo mundo entrar, faz favor, olhem à vontade, eu tô em outro mundo mesmo, nem me importei. Sei lá se diria a mesma coisa hoje em dia… Devo ter vomitado uma hora dessas também, nem me lembro direito. E o clister também teria caído bem, mas eu estava tão à vontade com as minhas parteiras que nem fiquei tão encabulada…

E de repente tava na hora de empurrar mesmo. E o que fez o Martin? Não, ele não desmaiou. Ele foi buscar a câmera de vídeo pra filmar a hora H. Colocou a câmera numa mesa e foi me amparar de novo. Esse último trecho nós temos gravado, por isso eu sei o que aconteceu objetivamente. A parteira ficou segurando a cabeca do bebê com uma toalha úmida e quente para que ele não saísse rápido demais e resgasse tudo lá embaixo, ao mesmo tempo que o calor fez com que toda essa parte do corpo se relaxasse e se abrisse para a impaciente cabecinha. Fiquei falando: tá doendo, tá doendo, em sueco, e dessa dor eu me lembro, era uma dor que queimava e cortava ao mesmo tempo, provavelmente quando os tecidos se romperam.

Então de repente ela disse, Felicitas, você pode ajudá-lo a sair? A cabeça já havia saído e no mesmo instante eu pensei: como é que ela sabe que é um menino? Me sentei direito, olhei pra baixo com cara de pateta, uma mistura de susto e surpresa e peguei aquele bebê que escorregou pra fora suavemente. No meio de todo aquele trabalhão eu simplesmente havia esquecido que era pro bebê sair que eu estava lá. Ah, tem recompensa depois de todo esse sufoco. Ahhhhn. Demorou uns segundos pra cair a ficha. Dá pra acreditar? Isso foi às 18:39.

Mas o bebê estava bem, olhei pra ver se tinha 5 dedinhos em cada mão e vi que ele era que nem um macaquinho, de tão cabeludo e peludo. Ficamos o Martin e eu curtindo o nosso pimpolho enquanto a gente esperava o cordão parar de pulsar. A honra de cortar o cordão coube ao Martin, que ficou surpreso com a sua rigidez. Depois de sair a placenta a parteira mostrou-a para nós e a colocou num saco plástico que depois levamos para casa - já conto pra quê. Costurou-me um pouco, mas eu não senti nada, estava muito ocupada namorando o meu filhote. Fiquei esperando que ele pegasse o peito, mas que nada, não queria nem saber.

A placenta é uma parte do corpo de grande valor simbólico, afinal é ela que alimenta o feto indiretamente durante os meses de gestacão. Atribui-se a ela toda sorte de poderes em diversas culturas. Li por exemplo que na Alemanha, onde há muitas parteiras que fazem partos domiciliares, que às vezes a parteira, ao final do parto, leva a placenta e prepara um saboroso prato com ela, que todos os presentes comem. Já aqui, quem guarda a placenta costuma enterrá-la embaixo de uma árvore, também essa símbolo de fertilidade, continuidade e vida. Foi o que nós fizemos.

As parteiras nos deixaram a sós uma boa meia hora para não invadirem a nossa privacidade. Depois entraram com uma bandeja com sanduíches, suco de laranja e uma bandeirinha da Suécia - isso é tradicão aqui, todos os pais recém-nascidos ganham.

Fui ao banheiro tomar um chuveiro enquanto a parteira media (48 cm) e pesava (3,5 kg) o Ulf e explicava o que estava fazendo pro Martin. Vestiu o bebê com uma roupinha do hospital, fez um pacotinho dele com um cobertor e quando saí do banho lá estava o meu filhotinho nos bracos do pai e feliz da vida. Tentarei colocar uma foto no site da lista pra vocês acompanharem esse momento em cores também. "Ulf" significa "lobo" em sueco e é um nome muito antigo, da época dos vikings.

Despedimo-nos das nossas queridas parteiras e fomos para o outro extremo do hospital - as salas de parto ficam no térreo perto do estacionamento por questões óbvias e as salas de recuperação ficam em outro setor no oitavo andar. Tivemos muitas sorte, porque não havia muitos quartos ocupados e pudemos entrar num só para nós, com uma cama pra mim e uma pro Martin. O Ulf tinha um bercinho só pra si, que ficou vazio quase o tempo todo…

Fomos comer algo na cozinha do setor onde cada um podia preparar sua comida ou então pegar biscoitos, iogurte, suco e chá à vontade. O hospital também servia refeições, mas chegamos tarde demais e o meu papai-herói estava faminto… Por sorte tinha comprado aquele monte de comida! Depois disso foi dormir e roncou como se tivesse corrido uma maratona. Eu não. Fiquei gastando as toneladas de adrenalina que o meu corpo produziu e passei a noite inteirinha em claro com o meu nenê deitado no peito, sentindo aquele cheiro enebriante de bebê recém-nascido do qual o Martin já falou. Alguém duvida que esse foi o melhor presente de aniversário que eu jamais recebi?



Passamos ao todo três dias naquele quarto. O Martin teve que voltar pra casa e fazer uma faxina geral, já que a minha mãe estava pra chegar do Brasil e o parto adiantado embananou os nossos planos.

Não desgrudei um minuto do Ulf, esperando ansiosamente o momento em que ele fosse pegar o peito. E nada. No terceiro dia virei a Gina Lolobrígida, pensei que os meus peitos íam estourar a qualquer instante, e nada dele mamar. Descobrimos que o reflexo de sugar dele estava bem no fundo da boca, só enfiando o dedo é que ele chupava.

Esse problema se agravou porque apesar de eu dar-lhe o colostro de colherzinha, ele acabou não se alimentando o suficiente e desenvolvendo icterícia. Tivemos que voltar ao hospital e ficar lá mais alguns dias, eu bombeando leite e ele tomando mamadeira pra completar a refeição.

Estava super deprê, porque esse foi o único problema que eu achei que não ía ter, nem tinha comprado mamadeira pra ele. Teve um dia que o leite acabou de vez, de tão estressada, triste e desapontada que eu estava. Mas por sorte o pessoal do hospital e a enfermeira que me atendeu depois me deram muitas dicas e muito apoio e finalmente, depois de um mês bombeando, ele entendeu o barato do peito e começou a mamar que nem bezerrinho. E ficou assim até os 13 meses, quando o leite acabou e eu cansei de noites mal-dormidas. Mas como curti. Quem dá mamadeira por comodismo não sabe o que está perdendo!

No terceiro dia o Ulf foi examinado por um médico, o primeiro desde o seu nascimento. Recebemos a visita de uma enfermeira, que nos perguntou como tinha sido o nosso parto, se estávamos satisfeitos com o atendimento, se tudo tinha correspondido às nossas expectativas etc. Fui também a um mini-curso de meia hora lá no setor mesmo que ensinava às mulheres como exercitarem o músculo da bacia para evitar incontinência urinária no futuro e outros efeitos colaterais.

Por fim acabamos descobrindo como é que a parteira sabia que era um menino antes mesmo de ver seu sexo: pura sorte! Escrevemos um cartão de agradecimento e aproveitamos para perguntar sobre esse incrível dom que ela parecia ter. E ela respondeu dizendo que sempre diz "ele", nesse caso deu sorte de ser um menino. E eu já achando que ela tinha poderes sobre-naturais…

Bom, gente, cansei. Vocês também devem estar vesgos de lerem seis intermináveis páginas de relato. Espero que não tenha decepcionado vocês que esperavam tão ansiosamente, se vocês tiverem perguntas, à vontade.

Felicitas Kemmsies


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