Fernanda grávida da Duda, segundo Nando
Fernanda Zimmermann

Segundo parto: Um trabalho de parto de quase 4 dias, uma conquista memorável da família e da equipe de atendimento


 

Nascimento da Duda - Parto natural de cócoras

Resolvemos, eu e Guga, que na segunda gravidez nos cercaríamos de todos os cuidados a fim de não cairmos na mesma armadilha.

Tivemos a oportunidade de, através do curso para gestantes Flávia Koeche, assistirmos a uma palestra do Dr. Ricardo Jones, ficamos encantados com a proposta de humanização do parto, de parto domiciliar. Decidimos que era exatamente o que queríamos, parir na nossa casa, com as nossas coisas e nosso cheiro... Ainda não estávamos grávidos, isso foi uns 4 meses antes.

Fiz um exame de sangue e confirmei a gravidez aos dois meses e meio, estávamos desconfiados mas muito tranquilos, dessa vez a menstruação não veio.


Roupinhas lavadas e passadas, o que era do Nando agora vestirá sua irmãzinha que vai chegar.

Assim que soube o resultado do exame liguei para o paizão, que com certeza teria distribuido charutos caso fumasse, combinamos de contar juntos para o Nando. Fui buscá-lo na escolinha e fiquei esperando (com a língua coçando) , quando Guga chegou estávamos deitados na cama assistindo desenho animado, nos sentamos os 3( 4 ) e eu disse que tínhamos uma surpresa que ia demorar algum tempo pra chegar, Nando achou estranho e ficou curioso, apontei para a barriga e falei que tinha um bebezinho ali dentro, ele se emocionou e chorou muito (nós também), me abraçou e disse que fazia muito tempo que esperava por essa notícia.

 

Consultei com o Jones a primeira vez estava no quarto mês da gestação. Me sentia ÓTIMA!! Decidimos por não saber o sexo do bebê antes dele nascer. Isso foi uma experiência muito legal, a curiosidade dos primeiros tempos dá lugar a um sentimento muito doce de querer conhecer e estar apaixonado pela pessoinha independente da preferência que se possa ter.

A gravidez foi toda muito gostosa, fiz alongamento em casa (que aprendi nas aulas de arte marcial) e caminhava diariamente pelo menos 40 minutos, não tive enjoo, azia, inchaço nem anemia.


Tudo pronto para a chegada da Duda, até o enfeite na porta
Achei a segunda gravidez mais tranqüila, sem aquela expectativa toda de como me sairia como mãe e Guga como pai; éramos bem jovens quando Nando nasceu, eu com 22 e Guga com 21 anos, acho que nos saímos muito bem, ele é uma "figuraça"!!

 

No Domingo, dia 27/01/2002, comecei a ter contrações perto do meio dia, eram irregulares e não muito intensas. Avisamos o Jones e a Neuza, sua esposa e parteira, passei a tarde assim e entrei noite adentro. Na madrugada a Cristina que é Doula veio me massagear...Que MARAVILHA!!


Ao longo do trabalho de parto o uso da água é essencial para relaxar e eliviar as sensações da contração do útero

Perto das 5hs as contrações se intensificaram, passei mal do estômago e vomitei, a Cristina ligou para o Jones e a Neuza que vieram em seguida. Chuveiro, chá de canela, muita caminhada, massagem... As contrações continuavam regulares mas já não tão intensas, dilatação de 3 cm.

 

As 13hs de segunda-feira, dia 28/01/2002, depois de uma "reunião de família", o Jones, literalmente, me mandou passear. Disse que eu precisava (e sei que realmente precisava) me distrair um pouco, dar uma volta pelo Parque da Redenção, pôr os pés descalços na grama, relaxar porque ainda não estava na hora do meu bebê nascer. Eu que adoro a Redenção de paixão achei a idéia perfeita!! Estava um dia muito quente e resolvi deitar um pouquinho antes de sair, mais para o final da tarde saímos e demos uma boa caminhada, na volta passamos pela Beira-rio e paramos para assistir a um lindo pôr do sol no Guaíba. O pôr do sol fez efeito e transamos, parece estranho pensar em sexo nesse momento... a mim parecia pelo menos. Passei a noite na mesma, estava bem tranqüila.

Na terça-feira, dia 29/01/2002, acordei por volta do meio dia molhada, molhei calcinha, lençol e cama, cheirinho de água sanitária, minha bolsa tinha rompido... Acordei o Guga e liguei pro Jones avisando. Havíamos mandado pintar o berço do bebê, um berço da família do Guga, ele usou e o Nando também, era para ser entregue e não ficou pronto. Eu fiz dois bonequinhos, um azul e outro rosa, não sabíamos o sexo do bebê... lavei com sabão de côco para ficarem bem cheirosos e não secaram. Andando pela casa entre as contrações eu olhava para eles pendurados no varal e me dava a maior tristeza... mandamos pintar os quartos e não deu tempo de recolocarmos as prateleiras na parede do quarto do Nando onde ficam os bichos de pelúcia e nem a cortina do nosso quarto. Acho que eu estava trancando a passagem do meu bebê.


A parteira (ao fundo) e a doula se revezam com o obstetra e o marido nos cuidados com a parturiente

Minhas contrações nesse dia foram completamente irregulares e fracas, já sabíamos que teríamos um certo tempo para que o bebê nascesse por causa da bolsa rompida. Demos uma volta por perto na tarde, eu precisava arejar a cabeça. Na madrugada, devia ser por volta das 4hs, tive uma crise de choro por causa da situação que não progredia, pela primeira vez tive medo de não conseguir, Guga ligou para a Cristina que chegou logo, me abracei nela, me acalmou, fez cromoterapia e acabei dormindo até amanhecer. Durante todo o tempo a Neuza e o Jones também estiveram comigo, se revezando para medir minha pressão e ouvir o coraçãozinho do nosso bebê. Todo esse carinho e atenção fazem toda a diferença nessa hora de tanta sensibilidade. Do meu maridão então não tenho nem o que dizer, ele foi 10, 100, 1000...

 

Na manhã de quarta-feira, dia 30/01/2002, as contrações ainda eram bem irregulares, eu estava bem e Guga saiu rapidamente para buscar o berço que estava pronto.


Finalmente o berço estava pintado, seco e arrumado para a chegada da Duda!

Que alívio, ia ter o ninhozinho do meu bebê!! Foi ele chegar, montar o berço e eu começar a pôr o protetor, o mosquiteiro, lençolzinho, travesseirinho, os bonequinhos que fiz com tanto carinho na caminha que as contrações não só regularizaram como se intensificaram. Saímos para dar uma caminhada. Na volta tomamos uma chuveirada e fomos para a cama descançar um pouco, Guga fez uma massagem muito gostosa e acabamos transando, o mais legal de fazer amor nesse momento é que além de relaxar me fez sentir muito amada, foi muito legal...

 

CONTINUAÇÃO


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