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Primeiro
Parto - Nascimento do Nando - Cesárea
Eu e Guga,
"o Maridão", somos naturais de Porto Alegre, nos casamos
em Maio de 1993 depois de 8 anos de namoro. Após 2 anos de casamento,
sem fazer uso de nenhum tipo de contraceptivo, engravidamos do Nando.
Ele veio mesmo só quando quis... ou eu estava realmente pronta
para recebê-lo. Não desconfiamos da gravidez pois menstruei
normalmente e quando descobrimos estava com 2 meses e meio.
Desde
muito cedo descobri minha "vocação" para maternidade,
por conta dessa vontade aos 17 anos fui trabalhar em uma creche, anos
depois trabalhei como animadora de aniversário junto com uma
amiga e ainda depois com decoração de festa infantil.
A elegria
ao saber da gravidez foi IMENSA!
Foi uma gravidez relativamente tranqüila, tive anemia que me acompanhou
até o final da gravidez, tinha muita azia e enjôo, vomitava
quase tudo o que comia, aumentei 6 kg, minhas pernas inchavam muito
porque trabalhava sentada o dia todo, tive problemas com o maridão
que não entendia o porque de eu enjoar toda vez que ele chegava
perto. Eu simplesmente não "suportava" o cheiro dele...
(eu sempre ADOREI o cheiro dele, a gente vive se cheirando...) Mas enfim,
não aconteceu nada de incomum na gravidez.
A obstetra
pedia ecografia todo mês, com 7 meses deu para ver o sexo. Eu
achava que era um menino e não estava enganada. Resolvemos juntar
nossos nomes e de Luiz Gustavo e Fernanda saiu Luiz Fernando.
Antes
de completar 38 semanas acordei de madrugada sentindo uma leve agulhada,
me sentindo molhada e constatei um sangramento que não era grande,
o susto é que foi ENORME!! Acordei o Guga e fomos direto para
o hospital Divina Providência, a obstetra foi chamada mas "decidiu"
me atender por telefone, fui medicada e fiquei algumas horas em observação.
O diagnóstico foi descolamento de placenta! Em momento algum
desconfiamos pois durante toda gestação ela ( a médica
) se mostrou favorável ao parto natural e sabia que esse era
o nosso desejo. Nós não sabíamos que descolamento
de placenta é caso de cirurgia urgente. Sangramento controlado,
fui liberada. Minha cesárea ficou marcada para as 9h da manhã
seguinte. Voltei para casa me sentindo derrotada, incapaz de dar a mim
e ao meu bebê o parto que tanto desejara. Chorei muito até
cair no sono. O apoio do Guga foi total, fundamental... Acordamos cedo,
era sábado, estava chovendo, uma chuva fininha, o céu
era cinza como eu estava me sentindo... Fui chorando para o matadouro.
Chegando
lá, depois de toda aquela burocracia, me deram um sabonete e
indicaram um chuveiro, tentei argumentar que tinha acabado de tomar
banho em casa mas foi em vão, eu devia mesmo estar muito "suja"...
Após o banho me alcançaram uma camisola, daquelas que
para não ficar com a bunda de fora a gente tem que segurar o
tempo todo, rasparam os meus pêlos. A médica finalmente
chegou. Perguntei quando o Guga viria ficar comigo, coisa que havíamos
combinado previamente, ela me disse que eu teria que falar com o anestesista,
me deu um misto de raiva e desespero, estava frágil e comecei
a chorar outra vez, já estava na sala de cirurgia quando chegou
o anestesista, falei com ele que depois de me ignorar por alguns minutos
"resolveu" fazer a "gentileza" de "permitir"
a entrada do meu marido. Foi um imenso alivio ver o rosto do Guga, meus
braços foram presos, crucificada, fui anestesiada, peridural,
pedi para baixarem o pano pois queria ver meu bebê saindo da barriga
mas negaram. Foi rápido!
O
Nando nasceu muito bem, medindo 46cm e pesando 2.820kg, nasceu
às 9 horas e 26 minutos do dia 6 de maio de 1995.
Guga acompanhou todos os exames de rotina em uma sala à
parte enquanto a minha barriga era costurada. Nando veio um
tempo depois já todo vestido e enrolado, foi colocado
no meu peito, não pude tocá-lo porque ainda
estava "amarrada", ele me fitou com aqueles olhinhos
puxadinhos, eu conversei com ele... LINDO!!!! O pediatra pingou
nitrato de prata nos olhinhos dele, nos disse que era apenas
um colírio pra limpeza; esse "procedimento padrão"
causou uma inflamação que durou quase 3 meses,
tentamos o uso de alguns colírios recomendados pelo
próprio pediatra mas nada resolvia, por fim ele queria
introduzir caninhos nos canais lagrimais. Demos tchau e nunca
mais voltamos!!
Quem resolveu o nosso drama, dava a maior tristeza ver aqueles
lindos olhinhos grudados e inchados o tempo todo, foi um senhor
muito querido de 60 e alguns anos que foi pediatra do Guga,
nos disse que o melhor remédio era "lavar"
os olhinhos do Nando com leite do peito toda vez que fosse
amamentar. Em 3 dias não tinha nem vestígio
da inflamação.
Fui para
a sala de recuperação onde fiquei em observação
por mais ou menos 6h longe do meu bebê. Fui para o quarto e então
pude amamentá-lo. Que delícia!!! Que maravilha poder vê-lo
se alimentando de mim... Foi emocionante.
Tive alta na segunda-feira, dia 8, no início da tarde, eu me
sentia bem... Estava muito feliz por ter nos braços o bebê
que tanto desejamos e esperamos.
Um mês depois do parto e eu ainda tinha o ventre inchado, vários
dos pontos internos inflamaram, voltei várias vezes ao consultório
a fim de ser "espremida" pela médica.
Fiquei
um pouco deprimida depois do parto, chorava muito. Não tive problema
nenhum na amamentação o que contribuiu, e muito, na minha
recuperação. Ter bastante leite me fez sentir menos "incompetente"...
Tive dificuldade
para voltar a transar, sentia dor mesmo usando lubrificante. O sangramento
durou 35 dias. Demorei anos até compreender que não fui
incompetente, que meu corpo não era incapaz, que fomos, isto
sim, ludibriados pela médica em quem depositamos nossa confiança...
Foi muito revoltante!
Parte
2 - segundo parto - Com
fotos
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