Kátia Suzuki

O parto dela foi no Japão, normal e sem anestesia


 

Sobre o meu parto no Japão, tenho uma porção de boas lembranças.

Sou muito grata a Deus pela oportunidade que tive, não só de poder conhecer a terra de meus avós, de buscar minhas raízes, como conhecer outra realidade, emoções diferentes. Sem duvida uma das mais marcantes foi ter minha primeira filha lá.

Como fomos como bolsistas, não tínhamos remuneração, e um amigo coreano nos indicou o serviço social da prefeitura. Um assistente social nos entrevistou em casa, e fomos aprovados. Cobriram não só o parto, como os 5 dias de internação e um tratamento dentário que necessitei, além de todos os exames pré-natal (exames de sangue, ultra,etc...)!

A primeira coisa que ganhei no hospital foi uma caderneta para anotar todas as coisas: exames, peso, consultas. E contem todas as informações do bebê. Essa caderneta é usada na escola da criança (Anamnese).

Eram interessantes as consultas: eu mesma media a pressão arterial (havia uma maquina computadorizada) , o peso, e coletava urina para o exame imediato. Só depois desses procedimentos é que conversava com o médico e era examinada. Era o mesmo procedimento em TODOS os exames, que como aqui, eram mensais, quinzenais e semanais no decorrer da gravidez. Também era obrigatória a participação nas palestras que eram a respeito de nutrição, como fazer ginástica, sobre o parto (uma curiosidade, lá não se mostra fotos, usa-se desenhos e bonecos). Uma vez estava folheando uma revista brasileira - Pais & Filhos -, e a mulher ao meu lado se espantou com a maneira como nós, os brasileiros, tratamos do assunto.

As mulheres lá realmente encaram o parto com naturalidade, e a grande maioria já é educada a encarar o parto normal, e a cesárea somente como ultimo recurso mesmo. Naquele período estava passando uma novela na TV que retratava uma clinica de partos, e achei muito interessante que as japonesas preferiam ter seus filhos em clinicas assim, a terem num hospital. Essas clinicas são casas, com um ambiente menos agressivo que um hospital, e são parteiras que conduzem todo o processo. Existem os médicos e as enfermeiras, mas o grosso do trabalho ficam para elas. Inclusive mesmo no hospital, quem estava a frente da equipe médica no meu parto era uma enfermeira obstetra. A médica só atuou porque foi meio demorado, e para a sutura mesmo. Outro detalhe, lá não se usa anestesia, a não ser a local para a sutura... Como eu não entendia muito bem os termos técnicos em japonês, e por ser a minha primeira vez, não achei nada de anormal... E como consegui agüentar a dor, os outros 2 partos também encarei sem anestesia mesmo.

Depois do parto fui orientada a cuidar dos pontos com água quente todas as vezes que ia ao banheiro, e a usar um bidê especial, com jato de ar quente, para secar bem os pontos. Vi num vídeo francês essa mesma orientação, usando um secador de cabelos! Creio ser um pequeno e eficiente truque contra possíveis infecções. Outro "truque" de que gostei foi um banquinho com um furo no meio, para não incomodar as mães por causa dos pontos, que usávamos na hora de amamentar.

Como ficamos 5 dias no hospital - tiram-se os pontos e recebe-se alta (talvez porque muitas não podem contar com empregadas ou mães que possam ajudar em casa) - recebemos instruções preciosas de como amamentar corretamente, como dar banho, como vestir os bebes, etc. Principalmente para principiantes como eu, foram noções de cuidados que me proporcionaram muita segurança no dia-a-dia com o bebe em casa.

No parto em si, a única coisa que foi ruim , foi o fato do meu marido não ter podido entrar comigo. Mesmo alegando precisar de um interprete, não permitiram. Mesmo lá, onde a participação do marido é restrita, parece estar havendo uma abertura para uma mudança nesse aspecto.  

 


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