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"Em uma das minhas consultas ele chegou a dizer que a mulher atual não tinha condições de ter um parto normal, pois a maioria era muito sedentária etc.."


 

Há quatro anos e meio eu morava em Vitória/ES e estava esperando a minha primeira filha. Como eu não tinha muitos conhecidos na cidade, procurei o meu ginecologista obstreta no livro de conveniados da Unimed e marquei a minha primeira consulta. Enquanto eu esperava para ser Atendida fui perguntando sobre o médico para as pacientes que estavam aguardando e todas elas falavam muito bem dele. Fiz a consulta e decidi que iria fazer o pré-natal com ele.

O tempo foi passando, a barriga foi crescendo e foi crescendo também a minha curiosidade em relação ao parto. Comprei muitos livros sobre gestação/parto e cada vez mais eu me empolgava em ter um parto normal, em parir literalmente. Me convenci que eu era mulher o suficiente para colocar a minha filha no mundo da maneira mais natural possível e como sempre fui uma mulher muito corajosa eu sabia que não ia ter problemas.

Nas minhas consultas eu sempre dizia ao tal médico que eu queria o parto normal, o mais natural possível. No entanto, ele sempre me alertava que não era eu quem iria escolher o parto, que isso ia depender das minhas condições, do tamanho do bebê, da dilatação... ele sempre me preparava para um eventual imprevisto que me impossibilitaria de ter um parto normal. Em uma das minhas consultas ele chegou a dizer que a mulher atual não tinha condições de ter um parto normal, pois a maioria era muito sedentária etc.

 

Aos poucos eu fui percebendo que eu não ia poder realizar o meu sonho, tudo que eu queria era parir como qualquer fêmea, mas algo me dizia que na última hora eu ia ser avisada que o meu nenêm estava em sofrimento, que eu não tinha dilatação e eu ia acabar sendo anestesiada, amarrada em uma cama e ter a minha filha arrancada de dentro do meu útero. Eu não queria aquilo, estava decidida a ter um parto natural, onde eu e minha Izabella trabalharíamos juntas para que ela chegasse a esse mundo.

Na minha consulta de 8 meses eu tive uma idéia. Enquanto eu aguardava a chegada do médico, a minha consulta era a primeira da tarde, eu comecei a puxar assunto com a secretária dele e perguntei há quanto tempo ela trabalhava com ele e se ele fazia muitos partos normais. Disse à ela que desde o primeiro mês eu havia dito ao médico que queria um parto normal mas na verdade eu estava com muito medo e havia mudado de idéia e então perguntei se ela achava que ele realmente faria um parto normal em mim. A secretária me tranqüilizou bastante e me disse que já trabalhava com ele há uns cinco anos e que se ele tivesse feito uns cinco partos normais (um por ano!) era porque a mãe tinha chegado na maternidade em cima da hora e não tinha jeito de "empurrar o bebê pra dentro".

Enquanto ela me tranqüilizava dizendo que o meu parto não seria normal e que bastava eu correr pro hospital na primeira contração, eu ia tendo a certeza de que nunca mais voltaria ali e que aquela seria a minha última consulta. Já dentro do consultório eu disse ao médico que estava pensando em ir ter o bebê em Brasília perto da minha mãe e que muito provavelmente aquela seria a nossa última consulta. Eu não tive coragem de dizer a ele que tinha descoberto que ele não me respeitaria e que me submeteria a uma cesariana, que era mais conveniente para ele. Tive vontade de falar muitas coisas, mas me calei. O meu marido foi me pegar e já no carro disse que não voltaria mais àquele consultório.

  O Fernando (meu marido) super compreensivo e carinhoso disse que me apoiaria em minhas decisões e que nós devíamos nos informar sobre algum médico do Espírito Santo que fosse a favor do parto normal. Acabou que o Fernando teve um problema sério de saúde e ficou alguns dias de licença em casa, só repousando e assinstindo TV. Foi então, que em uma das diversas vezes em que ele mudava a TV de canal apareceu uma entrevista com o Dr. Paulo Batistuta Novaes, um médico partidário do parto normal.  


Eu estava no cursinho e quando eu cheguei em casa ele estava todo sorridente e me dizendo que já havia encontrado o médico certo para mim, só restava saber se ele tinha convênio com a Unimed. Eu corri para pegar o livrinho dos médicos associados e lá estava o nome dele. Liguei imediatamente e pedi para marcar uma consulta urgente pois eu já estava com 36 semanas de gestação e queria ter o meu bebê com o Dr. Paulo. A consulta foi marcada para o mesmo dia e foi incrível.

A primeira consulta com o Dr. Paulo valeu por todas as outras que eu tive com o outro médico, ele me tratou com um carinho e me deu tanto apoio que eu tive a absoluta certeza que eu teria um parto maravilhoso. Lembro-me das palavras dele dizendo que o nascimento de uma criança era como o amanhecer tinha o momento exato e não precisava da interferência de ninguém.

Sobre a dor do parto ele me disse que era comparada a dor de um atleta após correr quilômetros e vencer a olimpíada, depois de pegar a medalha o atleta esquece de tudo. Depois da primeira consulta marcamos uma consulta por semana até o dia do parto e cada vez eu me identificava mais com O Dr. Paulo e ficava mais segura de que tudo ia correr bem. Com ele eu tinha a certeza que só ia fazer uma cesariana se fosse necessário.

No dia 30 de junho de 1997 comecei a sentir as primeiras contrações as seis horas da manhã, liguei para o Dr. Paulo e ele me mandou ir para a Maternidade Santa Rita. Fomos para a maternidade e a Izabella nasceu às 12:58. O parto foi o momento mais lindo da minha vida e tudo que o Dr. Paulo me disse era verdade.

 

Foi como o nascer do sol, um espetáculo da natureza. A Izabella nasceu como uma grande estrela, iluminando a minha vida e imortalizando o meu amor pelo pai dela. O Fernando para minha surpresa apareceu na sala de parto e ficou o tempo todo me fazendo carinho e me apoiando. A dor do parto eu não me lembro, a Izabella foi a minha primeira medalha, eu me senti uma verdadeira campeã depois que dei à luz.

 

Depois de quatro anos tive a Isadora, que também nasceu de parto normal, mas aqui em Brasília, onde moro atualmente. Aqui em Brasília, tive a Isadora com o Dr. Antônio Werlon, que também foi muito legal comigo. Resolvi escrever a minha história para que outras mulheres também possam tomar a coragem de mudar de médico, mesmo que seja no último mês, se perceberem que serão submetidas a uma cesariana sem necessidade. Devemos resgatar a beleza do parto, a nossa importância como mulheres. O parto é um momento único e devemos lutar para que seja o mais natural possível.

T.B.S.
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