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Quando
fiquei grávida pela 1a vez, me preparei para ter um parto de
cócoras, o que não ocorreu porque meu filho Juan estava
sentado. Estourou a bolsa e ele continuou sentado. Depois de algumas
horas de contração, cesárea. Isto foi em 8 de Junho
de 97 quando nasceu o Juan Guilherme com o Dr. Bira na Santa Casa de
Atibaia.
Quando
voltei para o quarto passei a noite com muita medicação
que não amenizava as dores e sem meu filho. Diziam que eu não
podia levantar a cabeça por causa da anestesia, por isso ele
não estava comigo.
Na manhã seguinte me trouxeram meu bebê. Lindo, forte,
mas às vezes pintava uma falta de vínculo. Cheguei a me
questionar se aquele bebê era meu mesmo e como amá-lo com
tantas dores e desilusões. Afinal ele nem tinha me trazido flores
ou me convidado para um jantar...
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Conversei
com Dr. Edison Swain (faço um trabalho com ele há 7
anos) e ele me disse: "Pegue seu filho sozinha e ponha no peito,
só faça isso, todos os dias. Não se cobre nem
se culpe, dê o peito até que ele possa andar sozinho
é só disso que ele precisa".
Assim foi que eu desenvolvi o vínculo com meu filho e depois
de 4 meses meu peito já não doía e eu não
chorava mais para amamentar. Nesta altura as minhas alergias às
medicações haviam passado. Quando ele fez 6 meses eu
já estava adorando dar o peito e posso dizer que já
o amava. Esta relação de amamentação prolongamos
até um ano e 8 meses. Hoje ele tem 4 anos e eu o amo loucamente. |
Em 2001
fiquei grávida novamente, conforme meu marido e eu planejamos.
Encontrei a Lucía Caldeyro, uma doula e resolvi começar
o trabalho de preparação para o parto com ela. Fomos a
sessões para o casal sozinho e em pouco tempo toda a frustração,
o medo e a impotência resultantes do meu 1º parto afloraram
novamente e da mesma forma. Tive as mesmas alergias decorrentes do meu
1º parto.
Nosso
trabalho foi se mostrando sério e profundo a ponto de transformar
e melhorar a minha relação comigo mesma e com o meu marido.
Aprendemos suportar a dor e dissipá-la. Descobrimos como aliviar
a dor do outro, o tipo de toque e a região que podem ser trabalhadas
num momento crítico. Comecei a agachar de cócoras quando
precisava fazer algo e fazer exercícios que enrijecem o assoalho
pélvico, melhorando assim minha performance sexual.
Aprendemos a cuidar um do outro...etc,etc,etc. Percebi claramente que
em minha 1a. gestação não estava nada preparada.
Inclusive porque quando estivemos com o Dr. Bira eu disse para ele claramente
como queria o meu parto e ele concordou com tudo. Inclusive notei que
o meu filho Juan não tinha estado comigo após a cesárea
porque eu não tinha pedido e programado.
Agora
estávamos maduros e conscientes, bem calmos e preparados... Minha
bolsa estourou às 20:30 hs e até meia-noite estive em
casa dentro da banheira quente e no maior bom astral. Sentindo as contrações
e com um super controle emocional. Cheguei ao ponto de me tocar durante
duas contrações para sentir onde deveria abrir e sentindo
a região me concentrei nela mentalmente.
Chegamos na clínica do Dr. Bira em Atibaia a uma da madrugada,
meu marido, Lucía e eu. Nesta altura as contrações
estavam doloridas. Fiquei no chuveiro um bom tempo, a Lucía fazia
massagens, manobras e falava comigo. Me apavorei um pouco com a sensação
de "pirar" na hora das dores. Achei que ia ficar louca, que
ia morrer. Foi quando ouvi: "Cláudia, se deixe pirar, é
assim mesmo. Solte-se e se deixe abrir como uma flor, solte seus conceitos
e idéias que estão te fechando, abra-se". Foi um
momento decisivo para mim, porque me interessei em me abrir e soltar
antigas mazelas e me conhecer melhor, achei uma oportunidade. Me tranqüilizou
saber que era assim mesmo.
Por volta
das 3 da madrugada pensei em desistir, achei que não suportaria
mais a dor e que não iria conseguir. Foi então que ela
me disse: "Você já conseguiu, faltam poucos minutos
e você estará com sua filha em seus braços".
Neste
momento fui pra cadeira de cócoras, o Dr. Bira fez a episiotomia
e em alguns minutos minha filha estava em meus braços, às
3:20 da madrugada.
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Fiquei
em êxtase por 2 dias inteiros. Não tomei nenhuma medicação,
nem anestesia e neste sentido não me arrependo em nada. Minha
auto-estima foi para as alturas, me sinto muito mais forte, saudável
e com possibilidade de enfrentar qualquer coisa na vida. Confio em
mim, é isso. |
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Depois
disso não desgrudei mais da minha Priscila. Ficamos com um
vínculo diferente, forte e natural. Nos olhamos por duas horas
seguidas e conversamos. Já nos amávamos. Ela tentava
mexer a boquinha e me fitava calmamente. Tivemos nosso momento sublime
e juntas!!! |
Claudia
Renata de Toledo Simões
E-mail: ativa-a2@uol.com.br
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