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Eu
sou um grande entusiasta do parto de cócoras e meus dois
filhos nasceram por esse caminho. O mais velho nasceu
na casa de saúde S. Jose em Duque de Caxias-RJ (era o
único que fazia o parto de cócoras gratuitamente em 1987).
O segundo nasceu em uma clínica homeopática em
uma cadeira específica que eu mesmo fiz.
Lembrei-me
da primeira cadeira para parto de cócoras que o Dr. Moyses
Parcionik de Curitiba fez e como não tinha dinheiro para
pagar um hospital especializado, acabei por eu mesmo fazer
a cadeira.. Eu tratei com uma homeopata o parto e a acomodação
na clínica, etc..etc..
Faltando
dois dias para a data prevista a obstetra me explica como
faria o parto: a obstetra usava uma daquelas escadinhas
para a parturiente se segurar e agachar. Colocava o campo
hospitalar no chão esterilizado (ou coisa parecida) e
pronto!! Embora eu soubesse da boa ficha da obstetra fiquei
revoltado e disse que meu filho não nasceria daquela forma.
Saí da consulta e cheguei em casa p... da vida comigo
mesmo por ter colocado minha mulher e filhos naquela situação.
Era
tarde para mudar de médica e eu não tinha recurso algum
(pra variar). Saí de casa para dar uma volta e vagueei
pelas ruas. Cheguei defronte a uma espécie de serralheria
ou depósito e comecei a conversar com um homem perguntei-lhe
se ele tinha uma cadeira assim... assim... pois bem...
aquele senhor não entendeu nada direito... ele estava
um pouco alto, digamos. Ai ele disse ...
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Olha moço não entendi o que tem a ver uma cadeira com
o parto do seu filho mas tudo bem, tô vendo que você é
gente fina mesmo, então sobe no depósito e vê se encontra
o que você quer.
Subi,
remexi em um monte de ferro torcido e cadeiras. Era o
depósito de cadeira de uma escola. Achei uma daquelas
cadeiras conjugadas com a mesa e então a mostrei para
o homem e pedi-lhe que me ajudasse a adaptá-la. Já estava
escuro quando começamos o trabalho.
Torce
daqui, mexe dali e depois de 3 horas fui pegar minha mulher
para "testar" a cadeira. Eu a fiz subir e repassar todo
o parto conforme havíamos feito 3 anos antes. Ela foi
para casa e tanto eu quanto o homem ficamos dando "acertos"
na cadeira. Como estava frio eu havia comprado uma pinguinha
para aquecer e entusiasmar tanto o homem quanto a mim
ehehehe
Levei
a cadeira no braço para minha casa e fiquei pintando-a
o resto da noite, deixando ventiladores ligados para secá-la.
Logo a seguir levei a cadeira para a clínica. Minha esposa
fazia habitualmente exercícios de agachamento (20/30 a
cada hora) de modo que seu períneo estava em excelente
estado. (Eu ligava o tempo todo mandando ela "pagar" 10)...
Minha
esposa teve o bebê as 9:10 da manhã do dia seguinte, 4
horas depois estava em casa e já no dia seguinte andava
normalmente. Graças aos exercícios intensos sua musculatura
perineal estava perfeita e conseguimos uma excelente dilatação.
O parto foi feito em meio ao silêncio e a penumbra de
modo a não ferir os sentidos do bebê. Depois que a obstetra
ajudou no parto, eu pude cortar o cordão umbilical (ainda
hoje me recordo a sensação ai)
Sabe
amigos, cócoras é a posição natural e fisiológica do ser
humano. Não é a posição sentado ou deitado a natural para
descanso ou expulsão de quaisquer tipos de coisas do organismo.
Vocês
podem me corrigir se eu estiver falando besteira mas o
parto chamado normal (deitado ou meio inclinado) surgiu
ou ganhou força, há 300 anos quando as damas da corte
tinham por parâmetro de beleza a gordura e era difícil
para o médico da época ajudar no parto com alguém "meio
obeso" e de cócoras. Foi um médico da corte de Luiz XV
o idealizador disso, colocar a mulher deitada para facilitar
o seu próprio trabalho, era moda na corte e passou a ser
o parâmetro de todos os outros médicos.
Vejam
o que ocorre no Brasil. Enquanto as "civilizadas" ficam
passando mal, sem a dilatação necessária etc..etc... as
nossas índias têm o filho e logo a seguir vão para o trabalho
...qual a diferença?? Elas fazem tudo agachadas, fortalecendo
seu períneo. Foi isso que constatou o Dr. Moyses Parcionik
de Curitiba. Como regalo aos amigos e futuros pais, indico
o parto de cócoras (devidamente acompanhado de seu medico,
é claro)...
L.C.
Filardi
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