Angelina e Mariana
Angelina

Nascimento da Mariana por cesárea, com complicação

 
 

"Mariana foi desentubada aos 10 dias de vida, quando pude pegá-la no colo pela 1a. vez. A equipe da UTI foi maravilhosa. Foi lá que ouvi pela primeira vez o be-a-bá sobre humanização de atendimento."


 
Tecnicamente meu parto durou 50 minutos: 10 para abrir e tirar o bebê e mais 40 minutos para costurar... Mas, na minha vivência durou 25 dias, desde o momento que entrei com contrações no hospital até o dia 10/02/99 quando pude levar minha filha para casa.

Tive uma gravidez ótima, super tranquila tirando os enjôos que foram muitos. Tinha marcado minha data de menstruação e sabia que a data prevista para o parto era 18/01/99. No dia 16, sábado trabalhei até o meio-dia. Na volta para casa começei a sentir dores. À noite fui até o hospital para ver se estava tudo ok. Estava. Voltamos para casa. O domingo foi um suplício. Às 11:00 estava novamente no hospital. Por acaso minha médica estava lá de plantão. Ela me examinou, fez o exame do líquido amniótico e disse que como eu não estava com dilatação nenhuma, faríamos uma cesariana na 2a. feira 10:00 da manhã. Voltei para casa. A uma da manhã estava com meu marido em casa, absolutamente "doidona" de dor. Ele achou que era perigoso ficar em casa e eu também estava com medo. Assim, voltamos ao hospital, que aceitou me internar. Nessas horas entre a internação e a cesária perdi a conta de quantas vezes uma infinidade de pessoas veio me examinar, me fazer responder a questionários, etc. 

A cesariana começou até antes do horário porque uma sala ficou disponível. . Quando ela nasceu, ouvi seu choro e estranhei. Perguntei: ela está engasgada? Minha filha tinha eliminado mecônio (cocô). Me falaram que ela estava bem e que ia ser aspirada. Que ela era linda, me mostraram meio de longe (vi um vulto pois tenho 7 graus de miopia em cada olho e estava sem óculos). Fui vê-la novamente 24 horas depois na UTI. Apesar de ter tido 8 e 9 no Apgar, começou a chorar muito e ter problemas respiratórios logo depois do nascimento e não chegaram a levá-la para o meu quarto. Foi do berçário para a UTI. 
 
 

À noite, informaram que ela estava com Síndrome de Aspiração de Mecônio e que tinha desenvolvido uma pneumonia dupla fortíssima. Que nós precisávamos ser fortes porque ela poderia realmente morrer. Estava entubada, com todas aquelas outras sondas, inclusive aquela que entra no pescoço e vai para o coração. Eu tomei calmante por 3 dias. Mas o que ajudou mais foi o grupo diário com outros pais com bebês na UTI (na maioria absoluta prematuros).
Primeira foto de Mariana, aos 21 dias, ainda na UTI

Mariana foi desentubada aos 10 dias de vida, quando pude pegá-la no colo pela 1a. vez. A equipe da UTI foi maravilhosa. Foi lá que ouvi pela primeira vez o be-a-bá sobre humanização de atendimento. 
 
 

Mariana em casa com 30 dias de vida Meu leite secou apesar de ter tomado plasil por 2 semanas e todos os outros alimentos e bebidas recomendados (canjica, cerveja preta, etc). Por falta de uso e por falta de condições mentais de produção, eu acho. Ela teve que receber transfusão de sangue por causa de anemia, trocou de antibióticos várias vezes e acabou saindo relativamente bem aos 24 dias de vida. Saiu do hospital com 3.150kg sendo que nasceu com 3.500kg. Ou seja, em 24 dias não ganhou peso nenhum, só perdeu.

Hoje minha princesa tem um desenvolvimento quase normal. Não teve problemas cerebrais, nem sequelas pulmonares ou na visão. O maior problema é com comida. Esteve sempre abaixo do peso mas com altura normal. Teve também muito refluxo e vômitos. Hoje em dia, quem não soubesse da história diria que ela é problemática p/comer. Só come alguns tipos de alimentos que ela "confia" e raramente experimenta alguma coisa diferente. 
 
 

Eu pesquisei muito sobre o que aconteceu e pelo que eu li, muitos acham que não daria para prevenir. Os médicos disseram que o estresse e a eliminação de mecônio podem ter acontecido durante os 10 minutos da anestesia já que a textura do mecônio estava bem líquida e esverdeada. Nesse momento descobri que uma cesariana não era tão segura... Mariana hoje, aos 2 anos

Outros dizem (acompanhando o juri popular das mães, vós, tias, etc) que o bebê "passou do tempo" . Que eu não poderia ficado tanto tempo com as contrações. Que eu nunca ia ter dilatação mesmo por ser o primeiro filho depois dos 30. Que a cesariana deveria ter sido feita no domingo, até. 

Não cheguei a uma conclusão de porque deu errado. Só consegui entender que "não" passou do tempo. E também que o meu trabalho de parto poderia ter sido muito melhor se na época eu tivesse mais informação sobre os processos naturais. Vejo hoje que eu briguei com as contrações da mesma forma que tentava controlar minhas cólicas menstruais. Ou seja, não consegui ajudar o meu próprio corpo. Minhas duas irmãs também não tiveram dilatação nos seus partos. Acho que isso me influenciou psicologicamente. Assim como a postura da minha mãe que teve 6 filhos de parto normal mas sempre disse que foi péssimo, que teve que operar o períneo porque ficou arrebentada... Tem muitos ingredientes nesse bolo. Estou ainda tentando identificá-los para poder fazer um parto melhor da próxima vez.
 
 
 

Angelina Pita
Santos/SP
angelinapita@uol.com.br


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