| Venho contar o nascimento
do meu filho Miguel,em 12/07/2000. Meu nome é Ana Paula,tenho 33
anos e moro em Campinas. Sou neonatologista e trabalho justamente com humanização
de sala de parto,na maternidade da UNICAMP.
Como sou "engajada
na causa", não preciso nem dizer que sempre fiz questão de
ter um parto normal antes mesmo de engravidar... Por isso, quando fiquei
grávida, escolhi para minha parteira uma obstetra que pensasse como
eu, uma super amiga e colega de faculdade, e que também trabalha
com acupuntura e medicina alternativa, a Dra. Roxana Knobel. Queria que
meu filho viesse ao mundo nas mãos de uma pessoa não só
competente do ponto de vista técnico, mas amorosa e acolhedora.
A gravidez transcorreu
sem problemas, e com 41 semanas, na madrugada do dia 12 de julho, a bolsa
rompeu. As contrações começaram bem fracas,então
esperamos amanhecer, tomei um bom café da manhã, telefonei
para a obstetra e fomos para a maternidade.
Lá, fiquei
andando pelo corredor e as contrações aumentaram bastante.
A dor
era bem forte, mas
em nenhum momento, pareceu insuportável. Eu me concentrava na respiração,
nos exercícios que aprendi no curso de gestantes e que foram de
grande ajuda. Na verdade, eu me senti completamente dominada por uma força
poderosa ,transcedental até. Meu marido, Fernando, ficou o tempo
todo do meu lado, mas eu sentia que a coisa era um processo meu mesmo,
EU era parte da natureza, do planeta e ia parir uma criança!
Lá pelas tantas,comecei
a ter uma taquissistolia (as contrações vinham muito
fortes e sem intervalo)
e o bebê começou a dar sinais de sofrimento. Eu
estava com 6 cm
de dilatação e o bebê ainda bem alto. A Roxana sugeriu
analgesia com peridural,
para regularizar as contrações e eu concordei. Fomos para
a sala de parto, recebi a anestesia e, de fato, as contrações
normalizaram e também o coração do bebê.
Depois de mais ou menos 1 hora, ele começou a apresentar bradicardia,
que é uma diminuição importante dos batimentos cardíacos.
Minha médica me examinou novamente e eu estava ainda com 7 cm de
dilatação,o bebê bem alto... Não teve jeito
e ela indicou a cesariana, que foi feita rapidinho e mesmo assim o Miguel
nasceu meio molinho, com apgar de 6 no primeiro minuto.
Miguel com 1 aninho |
Fiquei chateada
com o que aconteceu, mas sempre esteve claro para mim que a cesárea
foi realmente necessária. Sem a intervenção, provavelmente
meu filho teria alguma seqüela grave. O pós operatório
foi bem desagradável, parecia que nunca mais eu iria andar normalmente.
O que eu mais pensava era naquelas mulheres que marcam a cesárea
para não sentir dor! Parece brincadeira...
Continuo uma entusiasta
do parto normal, e pretendo, daqui alguns anos, ter outro filho e tentar
de novo!
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