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RIO
DE JANEIRO - Big nem era minha, era de um cunhado. Naquele tempo
eu ainda não gostava de cachorros, pagando por isso um preço
que até hoje me maltrata. Mas, como ia dizendo, Big não
era minha, mas estava para ter ninhada, e meu cunhado viajara.
De repente,
Big procurou um canto e entrou naquilo que os entendidos chamam de ""trabalho
de parto". Alertado pela cozinheira, que entendia mais do assunto,
telefonei para o veterinário que era amigo do cunhado. Não
o encontrei. Tive de apelar para uma emergência, expliquei a situação,
15 minutos depois veio um veterinário. Examinou Big, achou tudo
bem, pediu um tapete.
Providenciei
um, que já estava desativado, tivera alguma nobreza, agora estava
puído e desbotado. O veterinário deitou Big em cima, pediu
uma cadeira e um café. Duas horas se passaram, Big teve nove
filhotes e o veterinário me cobrou 90 mil cruzeiros, eram cruzeiros
naquela época, e dez mil por filhote. Valiam mais -tive de admitir.
No dia
seguinte, com a volta do cunhado, chamou-se o veterinário oficial.
Quis informações sobre o colega que me atendera. Contei
que ele se limitara a pedir um tapete e pusera Big em cima. Depois pedira
um café e uma cadeira, cobrando-me 90 mil cruzeiros pelo trabalho.
O veterinário
limitou-se a comentar: ""Ótimo! Você teve sorte,
chamou um bom profissional!". Como? A ciência que cuida do
parto dos animais se limita a colocar um tapete em baixo?
""Exatamente. Se tivesse me encontrado, eu faria o mesmo e
cobraria mais caro, moro longe."
Nem sei
por que estou contando isso. Acho que tem alguma coisa a ver com a sucessão
presidencial. Muitas especulações, um parto complicado,
que requer veterinários e curiosos. Todos darão palpites,
todos se esbofarão para colocar o tapete providencial que receberá
o candidato ungido, que nascerá por circunstâncias que
ninguém domina.
E todos cobrarão caro.
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