Imprensa - Jornal Folha de São Paulo - 09/03/2002

São Paulo abre maior "casa de parto" do país

AURELIANO BIANCARELLI
DA REPORTAGEM LOCAL

A cidade de São Paulo acaba de abrir a maior "casa de parto" do país: com oito quartos e uma sala ampla, poderá fazer 200 partos por mês, com direito a banheira de hidromassagem e fonte no jardim. Tudo pelo SUS.

As casas de parto são locais onde as mulheres dão à luz acompanhadas da família, sem a presença de médicos, e em espaços que em nada lembram maternidades.

A Casa de Maria, como a nova casa de parto é chamada, tem outro diferencial: foi construída em um prédio anexo a um hospital geral, o Santa Marcelina do Itaim Paulista, na zona leste da cidade, que já faz 450 partos por mês. Se algo ocorrer durante o parto, a mulher estará no centro cirúrgico em menos de três minutos.

"Isso derruba o questionamento que a classe médica faz em relação à segurança nas casas de parto", diz Marcos Ymayo, coordenador de saúde da mulher do Hospital Geral Santa Marcelina.
As entidades médicas afirmam que o parto é um ato médico de risco e que requer uma infra-estrutura hospitalar para o atendimento de emergência.

O modelo adotado pelo Santa Marcelina, que contempla parto humanizado e segurança do hospital vizinho, recebeu aval oficial: ontem, na inauguração, estavam o secretário de Estado da Saúde, José da Silva Guedes, e o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

A primeira casa de parto de São Paulo funcionou por quase dez anos na favela Monte Azul, na zona sul. Seu modelo foi seguido pela casa de Sapopemba (zona leste), aberta em 1998 no meio de uma região com mais de 100 mil habitantes e quase nenhum leito de maternidade. A casa está integrada ao Projeto Qualis, em parceria com o governo do Estado.

Muitas das práticas de parto humanizado já são adotadas na maternidade do Santa Marcelina. As mulheres contam com acompanhante e a companhia de uma "doula", voluntária treinada que passa todo o tempo com ela.

Na casa de parto, as mulheres terão massagens numa banheira e, além da "doula", poderão estar acompanhadas da família. O parto é feito no quarto, onde há poltronas e almofadas.

A mulher escolhe a posição. Além de um banquinho especial, e de almofadas no chão, a cama permite o parto de várias formas. Segundo Ymayo, o bebê é colocado sobre o peito ainda com o cordão umbilical, que só é cortado quando parar de pulsar.

O médico diz que a casa não deve ser vista como "forma de sanar carências", mas como "alternativa de qualidade". "A mulher pode escolher como quer seu parto."


Artigo original: http://www.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0903200223.htm

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