As Mulheres Brasileiras Optam pela Cesárea de Livre e Espontânea Vontade?

 

Mais de 36% dos partos no Brasil são cesáreas, sendo que a taxa em muitos hospitais particulares varia de 80 a 90%. Por que?
É comum ouvirmos dos médicos que as mulheres preferem a cesárea e optam por ela.
Será verdade?
O que é que realmente acontece dentro da sala de parto?
A socióloga americana Kristine Hopkins decidiu investigar a situação. Ela entrevistou 321 mulheres que haviam acabado de dar à luz em quatro hospitais brasileiros: um particular e outro público tanto em Porto Alegre quanto em Natal. Ela acompanhou 14 trabalhos de parto e partos nos hospitais privados e 15 nos hospitais públicos.

Ela descobriu que ao contrário do que é alegado pelos médicos, a maioria (de 75 a 80%) das mulheres submetidas à cesariana, tanto nos hospitais públicos quanto nos privados, preferia inicialmente o parto normal. Como se explica então as altas taxas de cesárea?

Ela observou, na sala de parto, que muitas vezes os médicos nos hospitais particulares respondiam aos eventuais gritos das mulheres ("não aguento mais; faça alguma coisa") sugerindo uma cesariana. Alegavam não aguentar a "pressão psicológica". Hopkins ressalta no entanto que um grito de dor não é um pedido de cesárea! Muitos médicos também não esperavam que o trabalho de parto se iniciasse naturalmente e aí diziam para suas pacientes que uma cesárea era necessária porque o trabalho de parto não estava evoluindo.

A conclusão é que ao contrário do que sugere a percepção pública, as mulheres brasileiras não preferem a cesárea ao parto normal. Kristine sugere que os médicos teriam uma participação muito ativa na construção desta cultura da cesárea no Brasil.

Leia o estudo em inglês aqui (em pdf)

Amigas do Parto

 

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