A RESPEITO DA CESÁREA
 

Dr. Marcos R. Ymayo

Este texto tem a finalidade de esclarecer as dúvidas das mulheres sobre a cesárea.


 

O que é?

O termo "cesárea" origina-se do latim "caedere" e significa cortar. É uma cirurgia que necessita de anestesia, é realizada através de corte na barriga atravessando várias camadas, da pele ao útero. Quando por fim o útero é cortado, o bebê é retirado de dentro do ventre da mulher.

Quando deve ser feita?

A cesárea deve ser feita nas seguintes situações:

  • por causa do bebê: o bebê precisa nascer muito rápido ou não pode nascer por baixo e em urgências, tais como quando o cordão umbilical sai antes do bebê, impedindo a circulação do sangue.
  • por causa da mãe e do bebê: o trabalho de parto tem problemas que impedem o parto vaginal e em urgências, por exemplo, quando a placenta se descola da parede do útero sem o bebê ter nascido, o que compromete o suprimento de sangue para o bebê.
  • por causa da mulher (mãe): quando existe alguma contra-indicação ao parto vaginal (por exemplo no caso de pré-eclâmpsia) ou se a mulher já sofreu muitas cesáreas.

Em qualquer situações está muito claro que a primeira opção é o parto vaginal. O parto cesáreo sempre deve ser encarado como uma solução quando o vaginal não é possível.

Existem complicações da cesárea?

Sim, existem muitas complicações possíveis. Vamos expor de forma simples algumas delas. Está claro que as complicações citadas não ocorrem na grande maioria dos partos, porém apesar de raras podem acontecer e com certeza já aconteceram com alguma mulher. Por menor que possa parecer uma estatística, devemos considerar que para as pessoas afetadas esse problema foi significativo e teve muita importância.

Como toda cirurgia de médio a grande porte, a cesárea tem a chance de apresentar complicações durante e após a mesma. O corpo humano não é uma máquina, é impossível dar-se a garantia que não ocorrerá uma complicação. Por isso, a cesárea deve ser feita somente após rigorosa avaliação e com indicação precisa.

As complicações de uma cesárea podem ocorrer durante a operação, na anestesia e após a cirurgia.

Complicações durante a operação e anestesia que geralmente não dependem das ações médicas, mas do acaso e da própria natureza dessa cirurgia:

  • grandes sangramentos podem ocorrer quando o útero fica muito mole, ou seja, não contrai normalmente
  • o útero pode rasgar quando o bebê sai, aumentando o corte e necessitando de mais pontos para ser reparado
  • agressões aos órgãos urinários e intestinais
  • complicações relacionadas com a anestesia, tais como parada respiratória, parada cardíaca, queda da pressão e dor de cabeça muito forte (entre outros)

Complicações que ocorrem depois da cesárea e que mais uma vez não dependem necessariamente das habilidades do médico, podendo ocorrer aleatoriamente:

  • infecções, havendo a necessidade de uso de antibióticos. Algumas vezes a infecção pode aumentar havendo a necessidade de internação e novas operações. Existem casos em que as infecções deixam seqüelas e podem levar à morte.
  • formação de coágulos que impedem o sangue de circular, provocando a trombose, que por sua vez podem provocar desde edemas até a morte
  • abertura espontânea do corte do útero ou rompimento do útero na gestação seguinte, é rara mas pode acontecer.
  • na gravidez seguinte a placenta pode grudar no útero mais profundamente, principalmente em mulheres que sofreram muitas cesáreas. Esta é uma situação grave que pode levar a perda do útero, grandes sangramentos e risco de óbito para a mulher.
  • na gestação seguinte, a mulher que sofreu uma cesárea já é considerada uma paciente de alto risco obstétrico, já que pode ocorrer qualquer uma das complicações acima citadas.

O parto cesáreo quando bem indicado é a solução que salva a vida do bebê e/ou da mulher. Nessa situação, os riscos das complicações são minimizados pelos benefícios .

Porém, quando uma cesárea é indicada por medo do parto vaginal ou de sofrer, por trauma resultante do sofrimento a que a mulher foi submetidaa em partos anteriores, por achar que existe perigo no parto vaginal, por vaidade, por achar que conturba menos o dia-a-dia profissional ou da família, entre outros, significa que há a necessidade da mulher conhecer condutas médicas que tornam o parto vaginal um acontecimento positivo, agradável, seguro e saudável.

É muito triste saber que muitas cesáreas são indicadas por que a mulher não tem passagem ou por que não dilata. Será que uma mulher que foi bem orientada, que realmente conhece como é a gravidez, o trabalho de parto e o parto se contenta com uma indicação de falta de dilatação ou passagem? Essa indicação sem dúvida existe, mas não com a freqüência com que temos visto.

Será que não existe sentimento de frustração na mulher que tem o diagnóstico de falta de passagem ou dilatação, já que seu organismo não responde com normalidade a uma função exclusivamente do corpo feminino?

Minha opinião é de que a mulher deve dar chance ao seu organismo para mostrar que é capaz de parir. Deve passar pela experiência do parto, comemorando ao lado de quem ama o sucesso do nascimento, podendo sentir a celebração da nova vida.

Apresento a seguir, algumas referências científicas:

- American Journal of Obstetrics and Gynecology
- http://www.harcourthealth.com/
- Obstetrics, Williams, 20th Edition
- Parto, Aborto e Puerpério – Assistência Humanizada à Mulher, Ministério da Saúde do Brasil, 2001.


Marcos R. Ymayo
e-mail: mry@osite.com.br

Médico ginecologista e obstetra, atual responsável pelo setor de obstetrícia do Hospital Santa Marcelina do Itaim Paulista, tendo participado ativamente da implantação do projeto de humanização do parto desta instituição.


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