A MATERNIDADE SEGURA, O QUE É ISSO?
 

Dr. Paulo Batistuta


 
O Projeto Maternidade Segura consiste num esforço interinstitucional cujo objetivo é reduzir as taxas de mortalidade materna e infantil (perinatal) nos cinco continentes. Há cerca de 15 anos, a maioria dos países filiados à Organização Mundial da Saúde têm participado ativamente deste programa e em muitos deles houve melhora considerável dos indicadores de saúde. Este projeto é patrocinado por: Organização Mundial da Saúde, UNICEF, Fundo das Nações Unidas para Populações; é apoiado pela Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia e suas afiliadas. 

Consiste no cumprimento de um programa elementar de qualidade na assistência às gestantes e seus bebês, pelas instituições que prestam este tipo de atendimento. A instituição proponente solicita avaliação de delegados do Ministério da Saúde e da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia estadual, que lhe indicarão ou não o título de "Maternidade Segura".

Nosso país também aderiu ao Projeto. Contudo, apesar dos esforços do Ministério da Saúde, muitos Estados permanecem estagnados, encalhados em seus próprios problemas e sem iniciativa de resolvê-los. 

O Brasil tem gastado muito tempo e dinheiro na produção de material didático, rotinas e normas técnicas, capacitação e reciclagem de pessoal. Entretanto, quando o profissional chega ao seu núcleo de trabalho, quase que como regra geral, esquece todo este cabedal e seu trabalho não melhora de qualidade. Triste constatação a de que cerca de 85% das pacientes que chegam às maternidades públicas receberam assistência pré-natal, porém de qualidade ruim; os problemas mais comuns, que desqualificam este pré-natal são: exame clínico insatisfatório ou ausente; falta de orientação à gestante (sobre aleitamento materno, hábito de fumar, uso de vacinas, dietas, etc); preenchimento incompleto e a não valorização do cartão da gestante; condução inadequada da gestação de alto risco, não referendando os casos necessários para os centros de atenção terciária; o não tratamento das infecções, inclusive genitais; o não uso de corticóide profilático nos casos de grande risco de prematuridade fetal; não valorização do parto normal. 

A humanização no atendimento ao parto é a grande tônica deste projeto, ou seja, a valorização do indivíduo e do nascimento. 

O que poderia ser feito neste tocante, senão melhor aproveitamento do talento pessoal? Países mais pobres que o nosso conseguiram reverter situações tão complexas quanto a que temos aqui; eles usaram tecnologias que nós dispomos e acreditaram no sucesso. 

Hoje alguns poucos hospitais brasileiros estão envolvidas em ações que lhes qualifiquem com o honroso título de Maternidade Segura, que atesta a excelência do atendimento prestado pela unidade de saúde. A adesão ao Projeto Materndiade Segura é o caminho mais rápido e menos oneroso para que nos igualemos em qualidade obstétrica às nações evoluídas. 

Enfim, a humanização do parto é o que há de mais moderno no nascimento. Valorizar sua simplicidade e sua dimensão mais ampla, como experiência importante para o casal e para o bebê, restringindo as práticas médicas ao estritamente necessário para que a segurança seja garantida: estas são recomendações da Organização Mundial de Saúde. 
Parece pouco? 
   

Dr. Paulo Batistuta Novaes
Ginecologista e Obstetra CRM 4567
Médico da Maternidade do HUCAM/UFES
e-mail: paulobatistuta@terra.com.br


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