| O Projeto Maternidade Segura
consiste num esforço interinstitucional cujo objetivo é reduzir
as taxas de mortalidade materna e infantil (perinatal) nos cinco continentes.
Há cerca de 15 anos, a maioria dos países filiados à
Organização Mundial da Saúde têm participado
ativamente deste programa e em muitos deles houve melhora considerável
dos indicadores de saúde. Este projeto é patrocinado por:
Organização Mundial da Saúde, UNICEF, Fundo das Nações
Unidas para Populações; é apoiado pela Federação
Internacional de Ginecologia e Obstetrícia e suas afiliadas.
Consiste no cumprimento de
um programa elementar de qualidade na assistência às gestantes
e seus bebês, pelas instituições que prestam este tipo
de atendimento. A instituição proponente solicita avaliação
de delegados do Ministério da Saúde e da Sociedade de Ginecologia
e Obstetrícia estadual, que lhe indicarão ou não o
título de "Maternidade Segura".
Nosso país também
aderiu ao Projeto. Contudo, apesar dos esforços do Ministério
da Saúde, muitos Estados permanecem estagnados, encalhados em seus
próprios problemas e sem iniciativa de resolvê-los.
O Brasil tem gastado muito
tempo e dinheiro na produção de material didático,
rotinas e normas técnicas, capacitação e reciclagem
de pessoal. Entretanto, quando o profissional chega ao seu núcleo
de trabalho, quase que como regra geral, esquece todo este cabedal e seu
trabalho não melhora de qualidade. Triste constatação
a de que cerca de 85% das pacientes que chegam às maternidades públicas
receberam assistência pré-natal, porém de qualidade
ruim; os problemas mais comuns, que desqualificam este pré-natal
são: exame clínico insatisfatório ou ausente; falta
de orientação à gestante (sobre aleitamento materno,
hábito de fumar, uso de vacinas, dietas, etc); preenchimento incompleto
e a não valorização do cartão da gestante;
condução inadequada da gestação de alto risco,
não referendando os casos necessários para os centros de
atenção terciária; o não tratamento das infecções,
inclusive genitais; o não uso de corticóide profilático
nos casos de grande risco de prematuridade fetal; não valorização
do parto normal.
A humanização
no atendimento ao parto é a grande tônica deste projeto, ou
seja, a valorização do indivíduo e do nascimento.
O que poderia ser feito neste
tocante, senão melhor aproveitamento do talento pessoal? Países
mais pobres que o nosso conseguiram reverter situações tão
complexas quanto a que temos aqui; eles usaram tecnologias que nós
dispomos e acreditaram no sucesso.
Hoje alguns poucos hospitais
brasileiros estão envolvidas em ações que lhes qualifiquem
com o honroso título de Maternidade Segura, que atesta a excelência
do atendimento prestado pela unidade de saúde. A adesão ao
Projeto Materndiade Segura é o caminho mais rápido e menos
oneroso para que nos igualemos em qualidade obstétrica às
nações evoluídas.
Enfim, a humanização
do parto é o que há de mais moderno no nascimento. Valorizar
sua simplicidade e sua dimensão mais ampla, como experiência
importante para o casal e para o bebê, restringindo as práticas
médicas ao estritamente necessário para que a segurança
seja garantida: estas são recomendações da Organização
Mundial de Saúde.
Parece pouco?
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