| A experiência do parto
é talvez a maior experiência que uma mulher pode ter em sua
vida. Tudo o que pudermos fazer para que ela a viva da maneira mais adequada,
respeitosa e verdadeira, estaremos ajudando a criar um mundo mais
autêntico e humano. A liberdade de escolha faz parte do processo
criativo. As mulheres devem ter a possibilidade de optar por um parto na
água, se assim o desejarem...
O que
é o Parto na Água:
É a opção
na qual a água é usada como elemento de relaxamento (para
a mãe) durante o trabalho de parto. Pode ser usada na forma de chuveiro,
ducha (nas costas ou na barriga), uma banheira normal ou mesmo uma banheira
de hidromassagem.
O bebê pode nascer
embaixo da água ou não. Por definição, o parto
na água se caracteroza quando a mãe dá a luz com os
genitais totalmente cobertos de água.
A mãe que está
tendo o bebê pela primeira vez não deve entrar dentro da banheira
antes de atingir sete centímetros de dilatação, pois
diminuiria a progressão da dilatação. A que está
tendo o segundo ou terceiro bebê pode entrar a partir dos seis centímetros
de dilatação.
A ação
da água:
A água deve estar
aquecida, entre 35 e 37 graus Celsius. Isto provoca um aumento da irrigação
sangüínea da mãe, a diminuição da pressão
arterial, além do relaxamento muscular, o que faz com que a mãe
tenha um alívio da sensação dolorosa.
Michel Odent acha que todo
este ambiente favorável à mãe acaba por favorecer
a produção de ocitocina, que, segundo ele, é o hormônio
do amor. Os cientistas o consideram o hormônio da parturição.
De qualquer maneira muitos
namorados sonham com uma situação especial dentro da água...
A água mexe com a natureza humana, quase todas as crianças
adoram brincar com a água. A parturiente fica mais leve dentro da
água, pode se movimentar melhor, girar a bacia, procurar posições
que a façam sintir melhor, e o bebê dentro dela também
fica mais leve... então por que não?
As
vantagens do parto na água:
A água proporciona
ao bebê uma reprodução muito parecida com o ambiente
de sua gestação. Com o nascimento na água, o bebê
viaja suavemente de um lugar quente, molhado e seguro, dentro do corpo
de sua mãe, para outro lugar com as mesmas características.
Na água, a gestante
sente menos dor e quase nunca há necessidade de intervenção
médica. A água cria uma pressão igual em todas as
partes do corpo, a mãe e o bebê sofrem menos ansiedade e a
mãe pode encontrar uma posição cômoda e eficiente
que facilita o nascimento do bebê.
A água proporciona
uma maior flexibilidade em todo o processo de parto, a mãe sente
menos pressão no abdômen e no útero durante as contrações
e o bebê não recebe os estímulos que o induzem à
respiração, presentes no nascimento seco. É possível
que, na água, haja uma forma suave de se estimular a respiração
do bebê, razão pela qual poucos deles gritam após o
nascimento nesse ambiente.
O nascimento na água
é extremamente seguro. Em mais de 45.000 nascimentos na água
registrados no mundo, não houve complicações perigosas
à vida da mãe ou do bebê.
As
desvantagens do parto na água:
Há questionamentos
sobre os partos considerados de risco: gemelares, pélvicos, prematuros,
entre outros, embora alguns defendam que, mesmo nestes casos, a água
pode trazer uma ajuda.
Contra indica-se o parto
na água em casos de bebê com peso previsto para mais de 4500
gramas. Os casos entre 4000 e 4500 gramas devem ser avaliados, pela possibilidade
de distócia de ombro. A episiotomia pode ser feita com dificuldade
dentro da água. Em casos com antecedentes de hemorragia não
deve ser feito o parto na água, embora se possa usar a água
durante o período de dilatação.
Em suma, a água é
um elemento terapêutico que pode trazer muitas vantagens no desenrolar
do parto, favorecendo o processo de dilatação, o alívio
das dores e o relaxamento muscular e emocional da mãe.
A meu ver, deveria se vencer
o preconceito que existe em relação à instalação
de banheiras em ambiente de parto, para que as parturientes pudessem dispor
deste recurso para um parto mais humanizado.
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