O Parto: a Saudável Interação Obstetra-Parturiente 
Dra. Stella Marina Ferreira

 
Depois de meses de espera e preparação, o nascimento aproxima-se. A ansiedade cresce, gestante e obstetra a compartilham.

Nas últimas semanas de gravidez, a gestante percebe que o fundo de útero desce, ou a barriga baixa, surgem dores lombares, aumenta a quantidade de muco vaginal e aparecem contrações uterinas. O/a obstetra, nas consultas de pré-natal, percebe que o colo do útero amolece, encurta, centra-se e abaixa na vagina e que o feto insinua-se na bacia.
É um período preparatório, uma transição necessária, uma preparação para o trabalho de parto. É o chamado pré-parto.

Em algum momento entre a 38ª e a 42ª semanas desde a última menstruação, a atividade uterina intensifica-se tanto que desencadeia trabalho de parto. Mas não há um limite definido entre o pré-parto e o parto; não há recurso clínico, técnico ou tecnológico que permita prever quando o trabalho de parto começará nem estabelecer quando começou, o que dá margem a enganos: contrações de pré-parto dolorosas levam a "alarme falso", "falso trabalho".

A transição entre o pré-parto e o trabalho de parto é progressiva e lenta. Tentativas médicas de acelerar o parto resultam quase sempre em "intervenção intempestiva em pacientes que, na realidade, não se encontram no início da parturição e apenas exibem a sintomatologia da fase de pré-parto" (Jorge de Rezende).

O diagnóstico de parto estará firmado quando o/a obstetra confirmar a presença de todos os seguintes fatores: 
1 – colo totalmente encurtado - o toque vaginal mostrará o apagamento do colo do útero, ou seja, incorporando-se ao corpo do útero, o colo afina-se.
2 – dilatação cervical progressiva – pela ação das contrações uterinas, o colo do útero já apagado (afinado) é percebido ao toque como um leve relevo e suas bordas afastam-se paulatinamente. Esse afastamento passa a ser medido em centímetros, ou em "dedos" de dilatação.
3 – formação da bolsa das águas – aos poucos, acumula-se líquido amniótico no pólo inferior do ovo, entre a membrana amniótica e o feto: é a bolsa das águas, que otimiza as contrações uterinas e protege o feto do trauma direto com o canal de parto, como se fosse um colchão d’água, rompendo-se em geral quando a dilatação do colo está completa
4 – emissão de muco vaginal - desde a saída do "tampão mucoso", grande quantidade de mucosidades escorre pelo canal vaginal, às vezes num jato tão intenso que a gestante pensa que ocorreu rotura da bolsa das águas
5 – contrações uterinas - no início de periodicidade e duração irregulares, as contrações gradualmente tornam-se ritmadas, mais intensas e freqüentes

Não há como prever como o trabalho de parto transcorrerá nem quanto tempo durará. As contrações uterinas levam à dilatação do colo e à descida do bebê pelo canal de parto. Elas são mais freqüentes em algumas parturientes e menos em outras.

O parto é um evento crucial, o nascimento é um momento único.
A Medicina põe-se a serviço da família.

Sendo o trabalho de parto um fenômeno dinâmico, a parturiente pode mover-se com liberdade: caminhar, banhar-se, agachar-se, urinar, deitar-se, recostar-se quando apetecer-lhe. Alimentar-se, só de líquidos e em pequenas quantidades. Gemer, suspirar, respirar como quiser. Deve estar num ambiente seguro e tranquilizador e acompanhada de alguém querido. As horas passarão, o trabalho de parto avançará.

E quando, passadas algumas horas, certas contrações começarem a provocar vontade de evacuar, deve-se começar a buscar a posição em que a parturiente sinta ser mais fácil realizar os puxos , as forças de expulsão. 

À equipe obstétrica cabe, então, observar cuidadosa e pacientemente. Atenção contínua deve ser mantida, permitindo que qualquer situação não propícia seja detectada e corrigida antes que um risco maior se imponha. O/a obstetra e equipe devem prestar à parturiente toda informação sobre a evolução de seu trabalho de parto e permitir acesso a todo recurso que venha a ser necessário, desde a indicação sobre posição e respiração, passando pelo suprimento de oxigênio à mãe, até eventuais manobras ou intervenções obstétricas. 

Todo comentário, toda explicação e toda sugestão devem transmitir à parturiente otimismo e confiança.

O bom entrosamento entre obstetra e pediatra é indispensável para que os cuidados neonatais sejam prestados mantendo-se a atmosfera de calma e confiança. Para tanto, convém que o casal tenha com o/a pediatra um contacto ainda durante as últimas semanas de gestação. 

Ao nascer, o bebê poderá quase sempre passar pelos primeiros exames clínicos no colo da mãe. O/a pediatra já estará incentivando os primeiros contatos e movimentos visando o vínculo e a amamentação.

A dedicação da equipe de assistência, seu apoio e incentivo permitem que a família viva em segurança e alegria esse momento tão especial.
 
  

Dra. Stella Marina Ferreira
Médica Homeopata, Ginecologista e Obstetra - Rio de Janeiro, RJ


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