| Depois de meses de espera
e preparação, o nascimento aproxima-se. A ansiedade cresce,
gestante e obstetra a compartilham.
Nas últimas semanas
de gravidez, a gestante percebe que o fundo de útero desce, ou a
barriga baixa, surgem dores lombares, aumenta a quantidade de muco vaginal
e aparecem contrações uterinas. O/a obstetra, nas consultas
de pré-natal, percebe que o colo do útero amolece, encurta,
centra-se e abaixa na vagina e que o feto insinua-se na bacia.
É um período
preparatório, uma transição necessária, uma
preparação para o trabalho de parto. É o chamado pré-parto.
Em algum momento entre a
38ª e a 42ª semanas desde a última menstruação,
a atividade uterina intensifica-se tanto que desencadeia trabalho de parto.
Mas não há um limite definido entre o pré-parto e
o parto; não há recurso clínico, técnico ou
tecnológico que permita prever quando o trabalho de parto começará
nem estabelecer quando começou, o que dá margem a enganos:
contrações de pré-parto dolorosas levam a "alarme
falso", "falso trabalho".
A transição
entre o pré-parto e o trabalho de parto é progressiva e lenta.
Tentativas médicas de acelerar o parto resultam quase sempre em
"intervenção intempestiva em pacientes que, na realidade,
não se encontram no início da parturição e
apenas exibem a sintomatologia da fase de pré-parto" (Jorge
de Rezende).
O diagnóstico de parto
estará firmado quando o/a obstetra confirmar a presença de
todos os seguintes fatores:
1 colo totalmente encurtado
- o toque vaginal mostrará o apagamento do colo do útero,
ou seja, incorporando-se ao corpo do útero, o colo afina-se.
2 dilatação
cervical progressiva pela ação das contrações
uterinas, o colo do útero já apagado (afinado) é percebido
ao toque como um leve relevo e suas bordas afastam-se paulatinamente. Esse
afastamento passa a ser medido em centímetros, ou em "dedos" de
dilatação.
3 formação
da bolsa das águas aos poucos, acumula-se líquido amniótico
no pólo inferior do ovo, entre a membrana amniótica e o feto:
é a bolsa das águas, que otimiza as contrações
uterinas e protege o feto do trauma direto com o canal de parto, como se
fosse um colchão dágua, rompendo-se em geral quando a dilatação
do colo está completa
4 emissão de
muco vaginal - desde a saída do "tampão mucoso", grande
quantidade de mucosidades escorre pelo canal vaginal, às vezes num
jato tão intenso que a gestante pensa que ocorreu rotura da bolsa
das águas
5 contrações
uterinas - no início de periodicidade e duração
irregulares, as contrações gradualmente tornam-se ritmadas,
mais intensas e freqüentes
Não há como
prever como o trabalho de parto transcorrerá nem quanto tempo durará.
As contrações uterinas levam à dilatação
do colo e à descida do bebê pelo canal de parto. Elas são
mais freqüentes em algumas parturientes e menos em outras.
O parto é um evento
crucial, o nascimento é um momento único.
A Medicina põe-se
a serviço da família.
Sendo o trabalho de parto
um fenômeno dinâmico, a parturiente pode mover-se com liberdade:
caminhar, banhar-se, agachar-se, urinar, deitar-se, recostar-se quando
apetecer-lhe. Alimentar-se, só de líquidos e em pequenas
quantidades. Gemer, suspirar, respirar como quiser. Deve estar num ambiente
seguro e tranquilizador e acompanhada de alguém querido. As horas
passarão, o trabalho de parto avançará.
E quando, passadas algumas
horas, certas contrações começarem a provocar vontade
de evacuar, deve-se começar a buscar a posição em
que a parturiente sinta ser mais fácil realizar os puxos , as forças
de expulsão.
À equipe obstétrica
cabe, então, observar cuidadosa e pacientemente. Atenção
contínua deve ser mantida, permitindo que qualquer situação
não propícia seja detectada e corrigida antes que um risco
maior se imponha. O/a obstetra e equipe devem prestar à parturiente
toda informação sobre a evolução de seu trabalho
de parto e permitir acesso a todo recurso que venha a ser necessário,
desde a indicação sobre posição e respiração,
passando pelo suprimento de oxigênio à mãe, até
eventuais manobras ou intervenções obstétricas.
Todo comentário, toda
explicação e toda sugestão devem transmitir à
parturiente otimismo e confiança.
O bom entrosamento entre
obstetra e pediatra é indispensável para que os cuidados
neonatais sejam prestados mantendo-se a atmosfera de calma e confiança.
Para tanto, convém que o casal tenha com o/a pediatra um contacto
ainda durante as últimas semanas de gestação.
Ao nascer, o bebê poderá
quase sempre passar pelos primeiros exames clínicos no colo da mãe.
O/a pediatra já estará incentivando os primeiros contatos
e movimentos visando o vínculo e a amamentação.
A dedicação
da equipe de assistência, seu apoio e incentivo permitem que a família
viva em segurança e alegria esse momento tão especial.
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Dra. Stella
Marina Ferreira
Médica
Homeopata, Ginecologista e Obstetra -
Rio
de Janeiro, RJ
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